Espionagem na BYU?

Sign_0409-30_0616Dois professores da Universidade Brigham Young (BYU) encontraram em uma sala de aula, no início deste mês, um gravador eletrônico ativado por voz. O dispositivo estava escondido, afixado com velcro ao assento de uma cadeira. A descoberta aconteceu no prédio Joseph Smith, onde são ministradas a maioria das aulas de religião. Eles posteriormente encontraram outras cadeiras também com velcro na parte posterior do assento.¹

Uma investigação interna foi iniciada para apurar os responsáveis e sua motivação, bem como a legalidade das gravações. Pela legislação de Utah, para que uma gravação seja legal bastaria que uma pessoa na sala de aula estivesse ciente. Carri Jenkins, porta-voz da universidade, afirma que as gravações não foram feitas pela administração da BYU.

Na década de 1960, foi descoberta na BYU uma rede de espionagem que vigiava professores com supostas tendências comunistas. A rede composta por estudantes havia sido organizada pelo reitor Ernest Wilkinson, com o encorajamento do apóstolo Ezra Taft Benson.

O professor William Hamblin ironizou o incidente ocorrido neste mês. “Se alguém na BYU quer escutar o que digo em sala de aula, não precisa grudar um gravador ativado por voz debaixo da cadeira do professor (…). Sinta-se à vontade para pôr o gravador em cima da mesa. Eu vou até dar play para você. Ou você pode sentar em aula. Todos são bem-vindos”, escreveu no último dia 13. Hamblin recentemente havia criticado o novo currículo em elaboração para o Sistema Educacional da Igreja.

 1. Salt Lake Tribune: Secret recordings at BYU? Police investigateKSL: BYU professors discover hidden recording device in classroomDeseret News: Audio recorder found hidden in BYU classroom.
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Mormonismo e Migrações

A Religião Como Rede de Segurança dos Processos Migratórios Transatlânticos

Texto de Eliott Mourier¹

Passaporte_MercosulNo contexto atual que muitos qualificam como sendo um “retorno do religioso” ou “dessecularização”, os pesquisadores em ciências sociais já não podem ignorar a dimensão religiosa chave em nossas sociedades modernas. Longe de desaparecer, o religioso voltou a ter um lugar chave na hierarquia dos fatores explicativos do fato social observável em nossas sociedades.

Essa constatação se verifica particularmente nos últimos trabalhos sobre migrações  transnacionais. Antigamente, a maioria desses focava quase que exclusivamente nos fatores econômicos e sociais do fenômeno migratório. Porém, constatamos que nos últimos anos, o fator religioso, mesmo submetido a distintos processos de globalização e pluralização, tem uma importância crescente no estudo dos processos migratórios transnacionais (Hagan & Ebaugh 2003, Peggy Levitt 2003).

De forma recíproca, um número crescente de organizações religiosas transnacionais têm se interessado pelos fenômenos migratórios, incluindo-os em seus respectivos discursos e programas (Odgers & Ruiz 2009).

Assim, por exemplo, o Papa Bento XVI declarava em 25 de dezembro de 2010 que “frente ao êxodo dos que migram de suas terras e que são empurrados pela fome, pela intolerância ou pela degradação do meio ambiente, a Igreja é uma presença que promove a acolhida”.

Além desse tipo de manifestação profética, muitas denominações participam de modo bastante concreto nas diferentes etapas da migração de seus fieis. Tais etapas são identificadas como: (1) a preparação da viagem; (2) viagem; (3) chegada; (4) instalação; (5) desenvolvimento de redes transnacionais. Às vezes também se inclui o retorno ao país de origem. Continuar lendo

Enquete: ordenação de mulheres

Kate Kelly apelará à Primeira Presidência

Imagem: Katrina Barker Anderson

Imagem: Katrina Barker Anderson

Feminista excomungada por defender ordenação de mulheres ao sacerdócio apelará à liderança máxima da Igreja sud

Líderes sud no estado americano da Virgínia negaram o apelo feito por Kate Kelly para rever sua excomunhão, realizada por um bispado em junho deste ano.  Seu ex-presidente de estaca, em carta do último dia 30 de outubro, afirma que a ativista poderá recorrer à Primeira Presidência, explicando o que houver considerado injusto no processo de excomunhão.

Kelly afirmou não estar surpresa com a decisão, uma vez que o presidente de estaca foi quem teria iniciado o processo de excomunhão. Ela declarou que irá apelar à Primeira Presidência da Igreja e que seu processo disciplinar machucou “milhares de mulheres”.

Semana Mórmon em SP

50 anosPara celebrar o cinquentenário da sua capela em Santana, na zona norte de São Paulo, membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias realizam entre os dias 12 e 16 deste mês a Semana Mórmon, oferecendo aos interessados atividades religiosas e culturais.

A programação pode ser encontrada no site do evento, o qual traz ainda fotos históricas.

Monson plagia Monson

Na Conferência Geral de outubro de 2014, o presidente Thomas S. Monson reciclou discursos de anos anteriores.

tsm cabeçaAs conferências gerais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são eventos considerados sagrados na cultura mórmon. Os discursos do presidente da Igreja, especialmente, são tidos por muitos não apenas uma fonte de inspiração mas um oráculo que pode revelar a vontade divina para a Igreja e a humanidade.

Na década de 1950, introduziu-se a referência ao presidente da Igreja como “o profeta”. Uma publicação oficial usada nas aulas dominicais de visitantes e novos membros, diz seus discursos teriam, a princípio, a mesma importância das escrituras canônicas:

Devemos estudar suas palavras e ouvir seus discursos nas conferências.

Além desses quatro livros de escrituras, as palavras inspiradas dos profetas vivos tornam-se escritura para nós. (p. 42, 49)

Outra afirmação do mesmo livro, porém, sugere que as palavras do presidente da Igreja seriam ainda mais importantes do que as obras-padrão:

Muitas pessoas acham fácil acreditar nos profetas do passado. Entretanto, acreditar no profeta vivo é algo muito mais importante. (p. 42)

Diferentemente dos primórdios do mormonismo — e contrário aos princípios escriturísticos de ensinar o que o Espírito Santo venha a inspirar no momento (Mat. 10:19-20; Luc. 12:11-12; Mor. 06:09; D&C 68:03; 84:85; 100:05-06) —, os discursos nas Conferências há várias décadas são escritos de antemão. Eu nunca havia percebido, porém, a prática do autoplágio na Conferência. Continuar lendo

Negra, mórmon e republicana

Republicanos terão primeira congressista negra de sua história

Mia_LoveMia Love, 38 anos, foi eleita ao Congresso norte-americano na última terça-feira. Filha de imigrantes haitianos, Mia Love nasceu em Nova York e viveu em Connecticut, onde conheceu o mormonismo e seu futuro marido. Após seu casamento mudou-se para Utah. Mia Love foi prefeita da cidade de Saratoga Springs naquele estado.

Os republicanos têm péssimo desempenho eleitoral entre a população negra dos EUA. “Eu sou uma espécie de pesadelo para o Partido Democrata”, afirma Love a respeito de sua origem e seus ideais conservadores.

Love também é a primeira pessoa de origem haitiana a chegar ao Congresso.

Reunião das Mulheres fará parte da Conferência Geral

Mulheres na saída da reunião de 27 de setembro. Imagem: Rick Egan, The Salt Lake Tribune.

Mulheres na saída da reunião de 27 de setembro. Imagem: Rick Egan, The Salt Lake Tribune.

Após contradições e uma oração censurada, Igreja muda o status da reunião feminina

A Reunião Geral das Mulheres que aconteceu este ano uma semana antes da Conferência Geral de outubro passou a ser considerada uma sessão da Conferência geral da Igreja sud. A mudança já pode ser vista no site oficial trazendo o conteúdo da Conferência, onde a reunião feminina é a última sessão listada. A decisão aconteceu depois de afirmações contraditórias em relação ao status da reunião.

Dieter F. Uchtdorf, conselheiro da primeira Presidência, havia se referido à reunião do dia 27 de setembro como sendo a abertura da Conferência Geral semianual. Mas na manhã de 04 de outubro, Henry B. Eyring, primeiro conselheiro da Primeira presidência, em seu discurso, e Bonnie Oscarson, presidente da Organização das Moças, durante sua oração, afirmaram estar na primeira sessão do evento. A surpresa maior aconteceu na Sessão Geral do Sacerdócio, a qual seria a terceira sessão, quando o setenta Bruce A. Carlson orou dizendo “Nós nos regozijamos com o convite de estar nesta quarta sessão desta conferência especial”. Continuar lendo

A Espada do Anjo do Senhor

O anjo com a espada flamejante. Edwin Howland Blashfield, 1893.

O anjo com a espada flamejante. Edwin Howland Blashfield, 1893.

Em uma das primeiras vezes que saí com meus irmãos mais novos após retornar da missão, fomos a um evento de anime e mangá, o SANA. Lá, além de matar a saudade de meus heróis da infância, como Jiraya e Jaspion, fui apresentado a vários desenhos animados de produção nipônica.

Lembro-me de ter gostado bastante de uma dessas animações chamada Death Note. Tratava-se da estória de Yagami Raito, um jovem estudante que possuía um caderno mágico, com o qual se podia matar uma pessoa tão somente escrevendo o nome desta nele, desde que se visualizasse mentalmente o rosto da vítima. O poder sobrenatural do caderno decorria de ele pertencer a um shinigami – espírito da morte.

Alheio à cultura do extremo oriente, confesso que desconhecia os shinigamis. Porém, com algum conhecimento da Bíblia, tradição cristã e mórmon, a ideia da existência de entidades relacionadas à morte não me era tão estranha assim.

Uma das cenas mais famosas do Velho Testamento é a morte dos primogênitos egípcios no contexto do êxodo israelita. Segundo o texto bíblico, uma sombria entidade chamada Destruidor foi a responsável pela matança. De acordo com o mesmo relato, Deus impede a entidade de entrar nas casas onde se havia aspergido sangue nas portas[1].

Em outras passagens Veterotestamentárias, a ira do Todo Poderoso se volta contra os próprios israelitas, e o carrasco é apresentado como Anjo do Senhor, portador de uma poderosa arma cortante, capaz de ferir mortalmente milhares de pessoas. Após desagradar Iahweh, Davi “olhou para cima e viu o ANJO DO SENHOR entre o céu e a terra, com uma ESPADA na mão, erguida sobre Jerusalém”.[2]

Nas primeiras páginas de Gênesis, lemos que após Adão e Eva serem expulsos do paraíso, o caminho que conduzia à árvore da vida passou a ser protegido por uma entidade angelical e a chama de uma espada fulgurante.[3] Continuar lendo

Novo currículo para Seminário e Instituto causa inquietação

Mudança é “terrível”, afirma professor da BYU

William J. Hamblin

William J. Hamblin

O Departamento de Educação Religiosa da Universidade Brigham Young (BYU) está preparando um novo currículo para o Sistema Educacional da Igreja (SEI), incluindo Seminários (para membros entre 14 e 18 anos) e Institutos de Religião (para membros de 18 a 30). O novo currículo substituirá os cursos anuais sobre as escrituras do mormonismo por quatro cursos temáticos:

Jesus Cristo e o Evangelho Eterno;

Ensinamentos e Doutrina do Livro de Mórmon;

Fundamentos da Restauração;

A Família Eterna.

Conforme a proposta, os cursos existentes hoje no SEI serão oferecidos como eletivos e não como parte do currículo principal. A mudança tem gerado críticas entre intelectuais mórmons. William Hamblin, professor de história na BYU, disse que considera o novo currículo “terrível”. Hamblin, 60 anos, leciona na universidade mórmon desde 1989 e é considerado conservador, conhecido também pelo seu trabalho apologético sobre o Livro de Mórmon.

Hamblin afirma que o novo currículo trará consequências sérias para os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “resultará em uma decadência ainda maior no letramento escriturístico – um problema já significativo entre os santos”. Continuar lendo

Um missionário brasileiro na Colômbia

MARLON 2Texto de Marlon Paes de Farias

Talvez você tenha visto, em sua ala ou ramo, missionários de língua hispânica. Ou jovens brasileiros que receberam seu chamado missionário para servir em outros países da América Latina. Para os membros que tem um pouco mais de tempo na igreja, a grosso modo parece algo novo, ás vezes causando até certa tipo surpresa. Eu, há quase dois anos, servi numa missão de língua hispânica. Nesse período, tive o prazer de aprender algumas das razões políticas-sociais para essa nova trajetória missionária.

Servi na missão Colômbia Bogotá-Sul, uma missão que pedia, até o crescimento da obra missionária feita pelo profeta Monson, uma média de 4 missionários brasileiros por vez, já que tinha fronteira com Tabatinga, uma cidade brasileira  da Missão Manaus, que não queria ensinar por lá, por ser longe e sem segurança. Logo cabia a nós, brasileiros-colombianos, ficar um ano pregando em um local onde se falavam 3 línguas – o espanhol, o português e o portunhol.

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Comentários

Sem os comentários de nosso leitores, o Vozes Mórmons não seria tão interessante. Por isso, gostaríamos de esclarecer a importância de dois princípios que devem guiar a participação neste blog.

Respeito - Os comentários devem discutir princípios, ideias, fatos, e não a personalidade do autor ou de outro leitor. Xingamentos, palavrões e outras formas de agressão verbal não serão aceitos. Reiteramos também a importância do respeito às crenças, alertando para o perigo da rotulação e generalizações sobre grupos de pessoas.

Clareza - Erros de ortografia ou pontuação acontecem com todos nós. Pedimos, no entanto, que haja uma preocupação mínima no momento de escrever, para que o comentário seja inteligível. Continuar lendo

A Causa do Movimento Planetário

Ross Wesley LeBaron

Ross Wesley LeBaron

Ross Wesley LeBaron (1914-1996) foi um líder mórmon fundamentalista, que na década de 1950 organizou uma pequena denominação chamada Igreja do Primogênito, proclamando-se o herdeiro patriarcal de Joseph Smith. Ele ficou conhecido em Utah pelo seu programa de rádio, onde expunha suas doutrinas e polemizava com a Igreja sud e outros fundamentalistas. Ross se sustentava como mecânico, zelador e com outros trabalhos braçais, morando num container na última fase da sua vida. O texto abaixo é um panfleto seu publicado em 1952. Continuar lendo

Suprema Corte dos EUA abre portas para casamento gay em Utah

Casal aguarda certidão de casamento em Salt Lake, em 06 de outubro. Foto: Michelle Tessier/ Deseret News.

Casal aguarda certidão de casamento em Salt Lake, em 06 de outubro. Foto: Michelle Tessier/ Deseret News.

Ontem, a Suprema Corte dos Estados Unidos se recusou a debater o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em uma decisão que o tornará legal em Utah e em mais outros quatro estados norte-americanos onde o casamento gay havia sido banido - Virgínia, Oklahoma, Wisconsin e Indiana.

Utah e os outros quatro se somam aos 19 estados, além da capital, onde hoje o casamento homossexual já é permitido legalmente. Mais seis estados ainda têm casos similares, o que deve elevar o número para 30 dos 50 estados que compõem o país.

Há dez anos, eleitores de Utah haviam votado uma emenda que não reconhecia quaisquer casamentos ou uniões que não fossem entre um homem e uma mulher. Continuar lendo