Igreja pesquisa opinião dos membros sobre ordenação feminina

LDSSURVEY2 (1)

Imagem: mormonstories.org

Durante o mês de agosto, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias realizou uma pesquisa de opinião sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio, entre outros temas. A pesquisa foi enviada por e-mail a mil membros ativos, nos EUA, de ambos os sexos, escolhidos aleatoriamente, de acordo com a afirmação de Dale Jones, porta-voz da Igreja. Várias perguntas fazem alusão aos processos disciplinares iniciados em junho passado e à posterior excomunhão de Kate Kelly, ainda que seu nome não seja citado.

Algumas perguntas da pesquisa:

» Conforme seu entendimento, qual a definição da igreja de “apostasia”? Continuar lendo

About these ads

Sensibilidade, Ego e Verdade

"Vaidade", de Auguste Toulmouche.

“Vaidade”, de Auguste Toulmouche.

Texto de Graciela Bravo

Se passássemos a enxergar as coisas que passam despercebidas todos os dias, eu acreditaria na possível e esperada mudança. Mudança para sentimentos melhores, de forma bem ampla e eficaz, sem que pequenos gestos e ações tornem-se mecânicos e vazios. Sensibilidade deveria ser a palavra chave em nossas vidas. É aquilo que, muitas vezes, nos falta, é um dos caminhos mais curtos para o amor. Para mim, a companhia do Espírito está fortemente interligada à esse sentimento. Além disso, um pinguinho de noção faz muito bem a quem tem e aos que estão ao redor. Não acho que seja algo simples de desenvolver, e acrescento que minha intenção não é julgar ninguém, embora, às vezes, até pareça. A questão, tampouco, é julgar devida ou indevidamente. Cada um deveria cuidar de suas vidas e preocuparem-se em dar exemplo por meio de suas ações. Eu também luto contra isso e pela minha experiência, particularmente, sei que não é fácil. Acho que agora consigo entender as palavras de Hugh Nibley sobre o sacerdócio com maior clareza.

Gostamos de pensar que a Igreja se divide entre aqueles que o tem e aqueles que não o tem; mas é a mais pura tolice achar que podemos dizer quem o tem e quem não o tem. Nesta terra o sacerdócio não é nada, e assim que tentamos usá-lo para qualquer tipo de domínio ou autoridade, ele automaticamente é cancelado. Segundo o profeta Joseph Smith, um “fardo oneroso” e não um prêmio. No momento que se tenta exercer domínio pelo sacerdócio ele se torna nulo.

Havia comentado aqui no blog que sairia distribuindo esse texto na capela, mas isso foi um impulso pelo desejo de abrir a cabeça de certos membros. Farei isso, porém, através de uma abordagem mais leve, sem que pareça uma indireta. Quem sabe através de um belo discurso, cheio de amor e, principalmente, sem que o ego fale mais alto. Ego e sensibilidade são opostos. O primeiro restringe a percepção do todo impedindo a compreensão, quase parafraseando Hugh Nibley, ouso dizer que o ego anula a sensibilidade. Eu quero aprender a dar exemplo, e não indiretas. Faço uso da palavra ego aqui no texto como sinônimo de egoísmo e, principalmente, vaidade. Continuar lendo

Mórmon, Médico, Metrossexual e Candidato

Imagem: IG

Imagem: IG

Nos 101 anos da presença de pessoas ligadas ao mormonismo no Brasil*, dois membros da Igreja ocuparam a Câmara Federal: Moroni Bing Torgan, pelo Ceará, e Romanna Remor, representando Santa Catarina. Neste ano, além do setenta de área, concorrerá a uma vaga em Brasília o não menos mórmon Roberto Miguel Rey Junior – O Dr. Rey.

Robert Rey era pouco conhecido no Brasil quando foi entrevistado pelo Jô Soares, em 2004, para falar do sucesso de seu programa televisivo que havia estreado naquele ano. Meu tio me ligou naquela noite, perguntando-me se eu estava assistindo ao talk show. Por coincidência, eu realmente tinha visto a chamada da entrevista, mas o sono me havia vencido. Quando fui informado que aquele rapaz era mórmon, a letargia se foi, e passei a prestar atenção à entrevista.

Naquela altura do programa, já havia sido comentada sua história mórmon. Apenas pude entender que ele era um cirurgião plástico brasileiro que morava nos EUA e que fazia uma oração antes das cirurgias. Dias depois, vi alguns membros da Igreja comentarem positivamente sobre o cirurgião. Continuar lendo

Arcanjos

William_W._PhelpsAprenderemos aos poucos que estávamos com Deus em outro mundo, antes da fundação do mundo, e tínhamos nosso arbítrio; que viemos ao mundo e temos nosso arbítrio, para que nos preparemos para um reino de glória; tornemo-nos arcanjos, mesmo filhos de Deus, onde o homem não é sem a mulher nem a mulher sem o homem, no Senhor. Uma consumação de glória e felicidade e perfeição para ser tão desejada que eu não perderia por dez mundos.

- William W. Phelps. Messenger and advocate 1:30, 09

John Taylor: expandir nossa educação

jt3Deveríamos expandir nossa educação e conhecimento em todas as áreas; cultivar o gosto literário; quem tem talento para literatura e ciência deveria desenvolvê-lo e todos deveriam desenvolver os dons que Deus lhes deu. (…) Se houver qualquer coisa boa e louvável na religião, moral, ciência ou qualquer coisa arquitetada para elevar e enobrecer o homem, nós a procuraremos. Queremos empenhar-nos ao máximo em obter conhecimento; o conhecimento que emana de Deus.

- John Taylor. The Gospel Kingdom, G. Homer Durham (org.), 1943, p. 277

Kate Kelly apela da decisão

Kate Kelly (de amarelo), solicitando admissão à Sessão Geral do sacerdócio, outubro de 2013.

Kate Kelly (de amarelo), solicitando admissão à Sessão Geral do sacerdócio, outubro de 2013.

Excomungada no último dia 23 de junho, Kate Kelly apelou da decisão ao seu presidente de estaca, pedindo a anulação da decisão tomada pelo bispado de sua ala anterior. O marido de Kate Kelly, Neil Ransom, também escreveu uma carta à presidência de estaca, apontando para o fato de que, mesmo sendo um apoiador do movimento Ordain Women, ele não sofreu nenhuma ação disciplinar, o que demonstraria o tratamento desigual dado a homens e mulheres na Igreja sud. Além disso, foram entregues mais de mil cartas escritas em apoio a Kate Kelly.

Cinco dias após a excomunhão de Kelly, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze lançaram uma declaração definindo o que é apostasia e reafirmando que “somente homens são ordenados para servir em ofícios do sacerdócio”.

Autonomia da Sociedade de Socorro – parte 1

elizaDe acordo com Eliza R. Snow, as mulheres da Sociedade de Socorro não deveriam buscar aos bispos para aconselhamento, mas usar a estrutura da Sociedade feminina para resolver seus problemas. O trecho abaixo é de uma seção de perguntas e respostas, pela então presidente da Sociedade de Socorro, no jornal The Woman’s Exponent ( O Expoente da Mulher), de 15 de setembro de 1884.

Devem os membros da Sociedade de Socorro buscar o Bispo para conselho?

 

A Sociedade de Socorro foi criada para ser uma organização autogovernada: para aliviar os Bispos, bem como aliviar os pobres, para lidar com seus membros, corrigir abusos, etc. Se surgirem dificuldades entre os membros de um ramo que não podem resolver entre si próprios, auxiliados pelas professoras, em vez de incomodar o Bispo, o assunto deve ser encaminhado para a presidente e suas conselheiras. Se o conselho de ramo não puder decidir de forma satisfatória, o recurso para o conselho da estaca seria o próximo passo; se isso falhar para resolver a questão, o próximo passo a traria [o problema] perante o conselho geral, a partir do qual o único recurso é o Sacerdócio; mas, se possível, devemos aliviar os Bispos em vez de aumentar suas inúmeras tarefas.

 

Conselho de ramo, conselho de estaca e conselho geral eram instâncias da Sociedade de Socorro.

 

Artimanhas sacerdotais e as eleições

Pode uma estaca da Igreja sud apoiar um candidato a cargo eletivo? Pode seu presidente declarar tal apoio? Foi isso o que fez Francisco de Assis dos Reis, presidente da Estaca Castelão, em Fortaleza. No último dia 07 de agosto, o presidente de estaca escreveu no Facebook:

estaca2

Não há nada de errado que um líder eclesiástico mórmon declare apoio a um candidato ou participe da sua campanha. O que é problemático é um presidente de estaca afirmar que sua estaca esteja apoiando um candidato, partido ou coligação política.  Continuar lendo

Ordenanças do templo – parte 3

Vitral na Catedral de Saint-Julien de Mans, França

Vitral na Catedral de Saint-Julien de Mans, França

Os rituais mórmons em Kirtland não teriam sido por si só suficientes para o desenvolvimento das cerimônias do templo em Nauvoo. Dois elementos ainda faltavam para formar a teologia e o ritual do templo: a posição de Adão e a maçonaria.

Muitas das revelações recebidas por Joseph Smith foram motivadas por algo que havia lhe chamado a atenção. Não foi diferente com os rituais maçônicos. O mormonismo surgiu em um contexto em que a maçonaria ainda era uma instituição relevante no acalorado debate político e religioso da época. A nova religião foi capaz de atrair a suas fileiras tanto maçons quanto antimaçons.

A denúncia de combinações secretas na narrativa do Livro de Mórmon – que tanto agradava aos mórmons de sentimentos antimaçônicos – não impediu que Joseph Smith viesse a acreditar na ideia de segredos antigos estavam sendo preservados pela maçonaria e que o segredo seria um elemento essencial para as inovações realizadas na década de 1840. De acordo com Benjamin F. Johnson, referindo-se a Joseph Smith:

Ele me disse que a Franco-Maçonaria, no presente, era as investiduras apóstatas, assim como a religião sectária era a religião apóstata. [1]

É fato inegável que Joseph Smith fez empréstimos do ritual maçônico para a investidura mórmon. Seria ingenuidade ou simplificação extrema, porém, considerá-los como uma mera cópia ou imitação.

Em sua celebrada biografia de Joseph Smith, o historiador Richard Bushman aponta as diferenças de objetivos nos rituais maçônicos e mórmons:

No difícil mundo do capitalismo emergente, as lojas [maçônicas] estabeleceram um universo alternativo de virtude e amizade contido em imagens e rituais antigos. Na superfície, o templo [mórmon] parece com o mundo fechado, fraternal das lojas. Mas o cerne espiritual da investidura de Nauvoo não era a ligação masculina. Em 1843, mulheres estavam sentadas nas salas de ordenanças e passando pelos rituais. Adão e Eva, um par homem-mulher, eram as figuras representativas, ao invés do herói maçônico Hiram Abiff. O objetivo da investidura não era fraternidade masculina, mas a exaltação de maridos e esposas. [2]

Continuar lendo

Pioneiros mórmons: um novo olhar

pioneers

Pioneiros mórmons em South Pass, Wyoming, aproximadamente 1859.

Dia 24 de julho marca a entrada do primeiro grupo de pioneiros, liderados por Brigham Young, no Vale do Lago Salgado, em 1847. Fugindo dos Estados Unidos, eles adentraram uma região em disputa com o México. Dois artigos publicados nesta semana, nos jornais Salt Lake Tribune e Deseret News, trazem informações pouco conhecidas e desfazem alguns mitos a respeito das condições de vida dos pioneiros mórmons.

Carrinhos de mão – cerca de apenas 5% dos imigrantes mórmons usavam carrinhos de mão (3 mil dentre 70 mil,

Pintura de Cloy Kent.

Pintura de Cloy Kent.

aproximadamente), de acordo com Paul Reeve, historiador da Universidade de Utah. Houve 10 companhias de carrinhos de mão que fizeram a jornada a oeste entre 1856 e 1860. O grupo que chegou em 1847 usava carroças, assim como a maioria dos demais pioneiros. Continuar lendo

Igreja processada por violar direitos autorais

Prédio do Escritório da Igreja

Prédio do Escritório da Igreja

A Corporação do Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem sido bastante zelosa em relação aos seus direitos de propriedade intelectual, processando indivíduos ou empresas que usem o que considera ser suas marcas registradas. Agora é a vez da Igreja ser processada por violar os direitos de uma empresa nos Estados Unidos. A Litchfield Associates, sediada na Flórida, está processando a Igreja – juntamente com as empresas Intellectual Reserve, Inc.e Deseret Book Company – por desrespeitar o acordo envolvendo o uso de sua Bíblia em versão audiolivro.¹ Continuar lendo

A autoridade nunca falha

telekid Porque sim’ não é resposta. Quem assistia ao programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum deve lembrar dessa frase, tão divertida quanto verdadeira. No cotidiano da Igreja sud muitas vezes nos deparamos com a resposta “porque sim.” Geralmente é traduzida como

- “está no manual”;

- “é o que a igreja ensina”;

- “os líderes decidiram”.

Para silenciar perguntas, apela-se à autoridade, seja de uma publicação (que ninguém sabe qual é), seja de uma entidade (da qual o indivíduo que questiona também é parte), seja de um grupo de homens (que podem ou não ser apoiados pelo indivíduo). Esse é um vício danoso, que tem causado estragos enormes na cultura mórmon.

Antes do início da Copa do Mundo, eu havia escrito sobre o aparente descontentamento entre membros sud brasileiros sobre o envolvimento do Mãos Que Ajudam no evento da Fifa. Em uma pesquisa informal, mais de 70% dos nosso leitores disseram que tal envolvimento não eram condizente com os propósitos do projeto humanitário e que não seria positivo para a imagem da Igreja no Brasil.

Não deixei de ficar um pouco surpreso, porém, ao ver na página da Sala de Imprensa da Igreja comentários críticos à atuação do Mãos que Ajudam na Copa da Fifa. Vejamos um exemplo: Continuar lendo

Proselitismo digital

Sisters_iPadMais de 32 mil missionários usarão iPads Mini até 2015, segundo planos da Igreja sud. Em missões nos EUA, Canadá, Japão e Europa ocidental, missionários irão adquirir seus próprios dispositivos pré-configurados no valor de US$ 400 (cerca de R$ 887,56 pelo câmbio de hoje). O anúncio foi feito no início do mês de julho. Os iPads servirão para estudo pessoal, planejamento e proselitismo online. Continuar lendo