A relação entre mormonismo e maçonaria

A relação histórica entre o mormonismo e a maçonaria é reconhecida por ambas as instituições e tem sido objeto de muitos estudos. Poucos, infelizmente, estão disponíveis em língua portuguesa. No próximo sábado, essa lacuna talvez se torne menor. Baseado em sua experiência pessoal e pesquisa, Luciano Lucas na apresentação A relação entre mormonismo e maçonaria, a qual pretende, nas palavras do autor, “desmistificar a relação” entre as duas organizações. Essa relação, segundo o historiador Reed C. Durham, seria “chave para o futuro entendimento de Joseph Smith e a Igreja”.

Alguns autores sud têm reduzido a iniciação de Joseph Smith na fraternidade maçônica como uma estratégia na sua busca de proteção política aos santos, enquanto críticos a interpretam como um esforço de copiar grotescamente os rituais maçônicos. Ambas as abordagens são pobres demais para apreender a complexidade e beleza dessa relação entre maçonaria e mormonismo. Como comentou um autor a respeito desses dois extremos,

Aqueles que negam qualquer relação, ou argumentam que as semelhanças entre os dois [maçonaria e mormonismo] são superficiais, estão preocupados que o uso de rituais maçônicos por Joseph Smith seja inconsistente com seu papel profético. Outros se concentram nas semelhanças para fortalecer a ideia de que Smith fez muitos empréstimos da franco-maçonaria sem o benefício de inspiração. Esta abordagem “tudo ou nada” se combina com o segredo associado aos rituais para criar uma relutância em discutir o assunto em qualquer detalhe significante. (Michael W. Homer, “Similarity of Priesthood in Masonry”: The Relationship between Freemasonry and Mormonism. Dialogue: A Journal of Mormon Thought 1994: p. 02)

Luciano Lucas falará sobre a semelhança de cerimônias e símbolos que se originaram juntamente com vários outros desenvolvimentos doutrinários no período de Nauvoo. Outro aspecto tratado em sua apresentação será os motivos para o distanciamento que ocorreu entre a Igreja e a maçonaria e seus reflexos atuais, incluindo “os preconceitos [que] estão sendo dissolvidos através da tolerância e divulgação da verdade”, escreve Luciano, “sem a influência de doutrinas espúrias e dogmas religiosos duvidosos de outros seguimentos (…) cristãos”. Luciano nos faz um convite para viajar “no tempo até a época da Restauração do Evangelho do mormonismo e voltando aos tempos de hoje”.

Os leitores estão convidados a deixar comentários ou perguntas abaixo, as quais serão encaminhadas para o Luciano Lucas.

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66 comentários sobre “A relação entre mormonismo e maçonaria

  1. Tema interessante! Gostaria de ler toda apresentação do Sr. Luciano Lucas, para depois tecer meus comentários. Será possível?
    Obrigado.

    • Olá, Miguel,

      infelizmente, ainda não. Na verdade o Luciano Lucas, assim como todos os demais autores que participam da Conferência, ainda estão submetendo seus artigos. Eles serão publicados após um trabalho de revisão gramatical, diagramação, etc. Mas mantenha o contato e não deixe de acompanhar e participar da discussão.

      Abraço!

  2. Pingback: Programa da Conferência | Vozes Mórmons

  3. Antonio, o tema é muito interessante, e, assim como o sr. Miguel, gostaria de ter acesso a algumas publicações (isso também serve para o que se refere à postagem sobre o Elder Moyle).
    Gostaria que muitos dos assuntos abordados, num primeiro momento, superficialmente, tivessem uma continuidade, devido a sua relevância teórica ou história.
    Outra coisa: trabalho com revisão gramatical há, aproximadamente, 10 anos. Se o pessoal precisar de revisão para os trabalhos a serem apresentados nas conferências e posterior publicação, é só me contatar. Meu email é billycelestino@hotmail.com
    um abrç

  4. Maçonaria:

    O processo formativo do maçom encaminha-o, desde o primeiro grau, a uma coerência entre pensamento, palavra e ação. Guia-o a alcançar afirmativamente a unidade da vida em todos os campos: uma única resposta, uma única responsabilidade, um único compromisso. Ajusta-o a uma única tabela de valores, evitando a multiplicidade de “morais”. Não há uma ética para o Templo e outra para o mercado.

    • Isto é o lado visivel da maçonaria… a camaradagem, a filosofia secular. Agora fale do lado invisivel, que Alnert Pike ensina e que somente os autos graus sabem, o que realmente cultuam. Baphomet !

  5. Quem acredita que Joseph Smith Junior “copiou” ordenanças da Maçonaria está a negar que ele é um profeta de Deus, porque essas ordenanças existiam antes da Maçonaria e Joseph as recebeu por revelação divina. As organizações não possuem relacionamento algum, o que existem são pessoas que se intitulam Mormons/Maçons ou Maçons/Mormons (têm até “logotipo oficial”) e procuram seguir as duas entidades …

    • Ae joseph Smith fosse um restaurador do Evangelho ele jamais copiaria de uma organizaçao diabolica como a maçonaria

      • E onde obteve a informação que copiou!? E por favor o que ele copiou, vejo que tem entendimento sobre os dois lados, poderia esclarecer, seria de grande ajuda para o assunto.

    • JS teve muito envolvimento com a Maconaria, ele pode ter usado varios conceitos da Masonaria para desenvolver os rituais do templo, importante entender que JS iniciou o processo de restauracao da Igreja e a restauracao significa que algums elementos ja existiam na terra, outros foram revelados. JS sabia que a igreja iria crescer e ir para todo o mundo a povos de diferentes culturas e idiomas, ele sabia que ricos e pobres, formados e analfabetos se tornariam membros da igreja, e bem provavel que o metodo de ensino para o Endowments teria que ser padronizado para facilitar a mensagem.

  6. Caro Wilson, também defendo que as ordenanças existiam antes da Maçonaria e Joseph, mesmo em Adão… E alguns dos símbolos, sinais e ensinamentos também são igualmente antigos… Por enquanto, tenho a inclinação de crer que ambas as Organizações beberam da mesma fonte… Inclusive eu poderia sustentar este meu provisório pensamento com o excelente e inteligente texto de John A. Tvedtnes e o complemento não menos plausível no texto do Marcelo Silva.

    Mas negar que as semelhanças existem é insustentável! Não podemos conscientemente negar de que existe algumas semelhanças.

    E que com sabedoria e inspiração que a dado a alguns, é possível identificar verdade e meios eficazes de se ter sucesso em determinada designação ou intenção, então poderíamos refletir que Joseph tenha feito “alguns empréstimos”, aqueles que como Profeta, tenha enchergado tratar-se da verdade original, ou a verdadeira maçonaria, como ele mesmo referiu-se!

    Obs. Outro tópico também merece estudo.

    abs

    • Ademais, sabemos que o Deus que adoramos, também trabalha através de pessoas, muitas vezes usa essas pessoas pra nos ensinar e orientar, e inspira muitas em iniciativas nobres e honrosas que dão ao homem oportunidades de crescer e contribuir… Por isso, como Joseph Smith ensinou por preceito e exemplo, “onde houver algo virtuoso e louvável nós devemos procurar” (Parafraseando a RF13), ele próprio buscando aperfeiçoamento e conhecimento em muitos lugares (maçonaria, kaballa e hermetismo, são alguns exemplos), sabendo ele que “O evangelho pode resolver quase todas as perguntas ou necessidades.” (Manual ‘Pregar Meu Evangelho’ pag. 112), tendo a sábia cautela bem apontada por Paulo de “julgarmos tudo e retermos o que é bom” (I Tessalonicenses 5:21).

      Alguns dos homens que mais me inspiram, foram grandes exemplos, sendo ao mesmo tempo, tanto Cristãos quanto maçons: Joseph Smith, Brigham Young, John Taylor, Willford Woodruff, Heber C. Kimball, Winston Churchill, Abraham Lincoln, Mário Covas, Rui Barbosa, Ludwig van Beethoven, Luiz Gonzaga, Machado de Assis, Ralph Waldo Emerson, Sigmund Freud, Napoleão Bonaparte, Henry Ford, Isaac Newton, Thomas Edison, e a lista segue extensamente…

      • A maçonaria e uma religiao diabolica ela faz um sincretismo do cristianismo com o paganismo SE joseph smith fosse realmente um profeta de DEus ele jamais se envolveria com uma religiao maligna como a maçonaria

      • Querido Marcelo Pereira Candido,
        A Maçonaria não é uma religião e nunca teve e nem tem o intuito de ser, para nela adentrar o Postulando tem que crer em um ente superior ” DEUS, JEOVÁ, JESUS, BUDA,etc.” a intenção em momento algum da ordem é professar Fé, por tanto não é uma religião e muito menos se discute religião na maçonaria (regular) nas ditas independentes/irregulares não posso opinar .
        Cada um tem a sua verdade, eu sou religioso, cristão e maçom em momento algum meu comprometimento com uma filosofia de crescimento pessoal impactou com a filosofia de crescimento espiritual que é a religião cristã, evangélica, espírita, muçulmana ou protestante. Jesus falava O REINO DE MEU PAI TEM MUITAS MORADAS, MAS SOMENTE UM CAMINHO LEVA AO PAI, este caminho não é a religião e sim o caminho do coração. A religião foi criada por homens para orientar outros homens neste caminho de fé e por muitos milênios nossa humanidade tem se destruído, muito foram mortos, corrompido, escorraçados e dizimados por questões religiosas ou diferenças religiosas.

        A tolerância, igualdade e fraternidade onde fica ?

        Então antes de julgarmos devemos conhecer, não podemos criticar o Irmão “Profeta” Smith de ter entrado na maçonaria se ali o que ele buscava era conhecimento do crescimento pessoal, nada tendo haver com o lado ESPIRITUAL e RELIGIOSO.

        Na Igreja Presbiteriana também Quando o primeiro pastor presbiteriano Ashebel Green Simonton (1833-1867) chegou ao Brasil, em 12 de agosto de 1859, encontrou, na província de São Paulo, cerca de 700 alemães protestantes. Com a preocupação de reuni-los, Simonton procura um salão para a prática de trabalhos religiosos, porém sem sucesso. Chega a negociar o salão da Loja Maçônica Amizade. Mas, por dificuldades financeiras, desiste de usar o local. Porém, os maçons paulistas insistem para que Simonton continue a realizar os trabalhos religiosos, e oferecem a ele o salão da Loja gratuitamente. Andrade, citando a obra de Descartes de Souza Teixeira, faz o seguinte relato:
        [...] .Estudos e pesquisas recentes, revelando a
        história da mais antiga das Lojas Maçônicas da
        cidade de São Paulo, “AMIZADE”, realizados por
        José Catellani e Cláudio Ferreira,
        permitiram extrair preciosa informação sobre
        os cultos dos protestantes em São Paulo.
        A Ata da Sessão da Loja, datada de 15 de maio
        de 1858, contém a seguinte informação,
        aqui destacada “in verbis”:
        “…O tronco de propostas produziu uma peça
        de arquitetura propondo que se empreste,
        para os domingos, aos nossos irmãos Protestantes,
        para celebrarem os atos de sua religião, as salas
        externas deste Templo. Requerida e concedida foi a
        proposta aprovada… e dando a palavra a bem da
        ordem em Geral e da Loja, o Ir. H. Schroeder agradece à Loja
        o empréstimo das salas aos nossos IIr. Protestantes,
        ao que respondeu o Ir. Venerável…”.
        “…O episódio em si mesmo é testemunho exemplar da
        convivência fraterna existente entre os maçons e protestantes da época. É especialmente revelador denominar os “Irmãos Protestantes”.
        A Loja, além de contar com vários clérigos católicos,
        conforme o registro de Catellani, contava com
        “Irmãos Protestantes” também. Esse relacionamento estendeu-se
        por longo tempo, atravessando mesmo o período inicial
        da República. Os maçons prosseguiram oferecendo apoio
        à expansão do protestantismo no Brasil.
        Pastores e leigos, protestantes (presbiterianos e episcopais)
        integravam muitas Lojas Maçônicas” (apud, ANDRADE, 2004, pp. 55-56).

        Através do registro acima, vemos a Maçonaria se relacionando de forma amigável e contribuindo para a inclusão do Presbiterianismo, cedendo seu salão para a realização das reuniões religiosas dos presbiterianos. Além deste episódio, outros fatos da História oferecem informações sobre o relacionamento entre Maçonaria e Presbiterianismo.

        Então a relação entre religiões e a maçonaria podem ser salutares a ambos, desde que cada um respeite a filosofia e a verdade de cada um, você pode ter fé em Deus e ser um excelente maçom, pai de família, cidadão e pessoa.

        Que deus ilumine seus pensamentos e a todos nós com muita sabedoria, força e beleza.

      • Caro “Irmão”…

        Obrigado por sua excelente contribuição, tão inteligente e sábia, que sua imparcialidade e tolerância ficaram evidentes!

        Parabéns e obrigado!

    • Prezado irmão David Marques,

      Acompanhei sua exposição neste tópico e li as citações dos textos postados no site “amai.jc”. Existem ressalvas que precisam ser feitas quanto ao texto de Tvedtnes, não farei todas por simples falta de tempo, mas duas bem sérias são:
      (1) Este autor (Tvedtnes) cita uma profusão de livros apócrifos… Particularmente a mim isso não representa problema, mas a própria igreja SUD faz observações quanto a leitura de apócrifos… Ele não cita apócrifos “consagrados”, ele cita material muito recente. (Engraçado que mesmo sem eu querer, isso tudo que escrevi é fortemente metafórico. Um apócrifo ser recente… Quis dizer encontrado muito recentemente).
      (2) Para mostrar validade nas “Iniciatórias” cita no ponto de vista judaico, um documento chamado “Midrash Alpha Beta di Rabbi Akiba” creio que é necessário aqui outro cuidado, a midrash está vinculada a tradição oral não é escritura como Tvedtnes tenta apontar. Se for tomada como escritura então teríamos um desdobramento de problemas, por exemplo, a tradição oral diz que o homem será exaltado independente de ir ao templo… Hayyim Vital apud Chachamovits in “Darósh Darash” pg. 83… A cabalá explica que isso é inevitável a alma que retorna ao mundo superior… Bom ! Minha postagem não foca estes detalhes…
      Meu maior foco é o fato de Joseph Smith primeiramente ir contra a maçonaria e depois se tornar maçom… E em meio a esta história desposar como sua segunda esposa uma mulher casada… Por mais que digam que ele era especial parece-me que a especialidade dele era na libido e na luxuria… Podemos entender que no passado havia poligamia, isto ainda é questionável… Mas jamais o S’nhor permitiu que um homem desposa-se uma mulher casada… Para mim isso é luxuria não outra virtude…
      Abraço

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