Eu sou um pouco do meu avô

me vejo no espelho
e imagino que pareço meu avô
no fundo queria ter um nariz mais parecido com o dele
e aquele azul raro do olho

minha desorganização de remédios
e livros e lâminas de barbear
me fazem parecer mais
Pedro

vivendo em mim
parte do meu corpo
e ideias
e contradições
sempre nos meus sonhos

acordo e levo um tempo
até saber se é sonho
talvez seja um tipo de vida eterna
ele vivendo em mim
sem eu sentir que ele se foi
ou que eu me vou
mas sim que estamos

esperando quem sabe
a próxima rodada

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22 respostas para Eu sou um pouco do meu avô

  1. Kent Larsen disse:

    Antônio, é seu? Você é o autor?

  2. Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

    Olá, Antônio.

    Interessante você escrever sobre este tema. Ontem a noite e hoje pela manhã participei das sessões da Conferência da Estaca aqui em Londrina-PR. Um dos temas tratados por mais de um discursante foi a História da Família. O que achei interessante foi o enfoque dado ao tema. Um dos discursantes, conselheiro na presidência do templo de Curitiba nos contou a respeito de seus antepassados italianos. Inclusive ele leu uma narrativa contida no diário de seu avô, e diga-se de passagem era uma experiência muito engraçada. Então ele convidou a nos empanharmos em conhecer a história de nossos antepassados, resgatarmos e preservarmos suas memórias.

    Outro discursante nos contou também sobre uma experiência vivida em sua infância com o pai dele. Ele nos convidou a deixarmos um bom legado à nossa posteridade.

    Gostei muito e senti um espírito excelente ao ouvir estes discursos. Claro que temos que realizar as ordenanças vicárias por nossos antepassados, e isto também foi dito. Mas o que mais me chamou a atenção foi o enfoque dado em valorizarmos nossa história ao conhecermos nossos antepassados e ao mantermos “vivas” suas mémorias e histórias.

    “me vejo no espelho
    e imagino que pareço meu avô [...]
    ele vivendo em mim”

    Concordo contigo, Antônio. Nós somos muito daquilo que foram nossos antepassados. Eles realmente “vivem” em nós e não somente no aspecto biológico.

    Um abraço! :D

    • Interessante, Jamil. De fato as ordenanças vicárias não deveriam ser eitas como em um processo industrial, processando nomes e datas. Fico feliz de saber dessa ênfase que foca nos vínculos afetivos entre os dois lados. Acredito também que deveríamos ser guiados por revelação nesse processo. Abraços!

      • E hoje fui lembado pela minha mãe de que era o aniversario da minha avó, esposa do avô a que me refiro acima. Ela faria 101 anos.

      • Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

        É verdade, Antônio.

        O trabalho vicário só fará sentido e transformará nossa vida se construirmos um elo afetivo com os nossos antepassados e se formos guiados por meio da revelação.

  3. David Marques disse:

    Ótimo poema e subsequente comentários amigos…

    Foi este sentimento que objetivei estimular em meu recente artigo:
    http://vozesmormons.com.br/2012/11/09/salvadores-no-monte-siao/

    Em duas das muitas citações usadas, falam bem do mesmo conteúdo que o Antonio foi inspirado a escrever o poema:

    “As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados.” (Edmund Burke – Político Inglês)

    “Nós todos, inclusive os expostos, temos todos as nossas árvores genealógicas do mesmo tamanho. Lá no tamanho das árvores somos todos iguais. Mas é precisamente nas árvores que está a nossa diferença. Vê-se perfeitamente que a cada um aconteceu qualquer coisa que não se passou com mais ninguém. E aconteceu-nos ainda antes de nós termos nascido. É a árvore genealógica. Esse segredo do nosso segredo. Esse mistério do nosso mistério. Nós somos hoje o último fruto dessa árvore secular, secularmente secular!” (Almada Negreiros)

    abs

  4. Mariane disse:

    Eu tenho amigos que fazem o trabalho vicário e o que eles acham mais importante são as histórias dos antepassados que eles aprenderam.È tudo maravilhoso.Na última conferência geral me senti tocada a começar a fazer a história da família.Só não sei por onde começar.
    Mas é um belo poema,Antônio.
    Eu acredito que eu sou cheia de traços de personalidade dos meus antepassados.

  5. Richard Primocena disse:

    Gosto de ver as coisas por este angulo também. A eternidade se estabelecendo, se consolidando por meio dos laços familiares “o pai em mim e eu no pai” ( frase tirada de um desses filmes de super herói).

  6. David Marques disse:

    O que acham das especulações e estudos a respeito da “Memória Genética”?

    • Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

      Olá, David.

      Desculpe minha ignorância quanto ao tema. Mas, poderia me dizer um pouco sobre do que se trata a “memória genética”?

      Um abraço.

  7. David Marques disse:

    Oi Jamil…

    Tenho pesquisado sobre as “vidas passadas” ser na verdade momentos marcantes na vida de nossos progenitores (ou doadores de órgãos) que de tão intensas, teriam ficados registradas em seus DNAs, e passado por hereditariedade ou por doação de órgãos, e que na mente de alguns (insights, djavu, sonhos ou “regressões”, etc…) estariam relacionadas a outras vidas que tivemos… mas na verdade teríamos recebido por herança genética….

    Sempre estranhei relatos de outras vidas que alguns contam, até ouvir de uma amiga um breve comentário sobre a possibilidade de “memória genética”… Seria uma explicação científica ao que outros dão conotação espiritual de “outras encarnações”, no entanto, trataria de experiências de seus antepassados e não de suas “vidas passadas”, etc… Tal tese desbancaria a crença de outras encarnações ensinadas no espiritismo…

    Então, “(…) as memórias de longo prazo podem ser preservadas por um processo chamado metilaçao do DNA (…).” (Courtney Miller e David Sweatt, da Universidade do Alabama, em Birmingham) e “o cérebro poderia estar tomando emprestado uma forma de memória celular da biologia do desenvolvimento para usar como o que nós pensamos como memória.” (Marcelo Wood, Universidade da Califórnia, em Irvine)

    Daí podemos estar bem mais inclinados a crer que o DNA guarda memórias e que “(…) o DNA é a linguagem da vida humana (…).” (Richard Dawkins – Professor de Biologia e Biólogo Oxford, EUA) Tal como outras informações que transmitimos aos nossos descendentes, algumas “memórias” também poderiam ser transmitidas!

    Num site místico, li que “A memória do DNA físico guarda documentos de até sete gerações nesta vida.” http://www.joacir.com/as-mudancas-do-dna-sao-o-passaporte-para-a-nova-era

    O que acham?

    Fiquei pensando nisso ao ler o poema do Antonio, segundo o que especulei acima, “meu avô pode também estar em mim”!

    • Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

      Obrigado pela resposta, David.

      Achei muito interessante esta teoria da “memória genética”. Confesso que em minha opinião faz muito sentido a transmissão de memórias através do DNA. Realmente a vida humana guarda muitos “mistérios” a serem descobertos pela ciência. :D

      Um abraço.

  8. Mauricio disse:

    Alguém já estudou sobre a epifise ?

  9. David Marques disse:

    O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, em seu estudo sobre a pineal, chegou à seguinte conclusão: “A pineal é um sensor capaz de ‘ver’ o mundo espiritual e de coligá-lo com a estrutura biológica. É uma glândula, portanto, que ‘vive’ o dualismo espírito-matéria. O cérebro capta o magnetismo externo através da glândula pineal”.
    http://souracional.wordpress.com/category/epifise/

    Achei interessante o assunto, só não entendi a relação dele com que estamos discutindo…

    Caro Maurício, poderia complementar seu raciociocínio?

  10. Mauricio disse:

    Irmão, eu vou tentar ser o mais claro possivel, e o mais breve também.
    Pelos estudos que eu tive a oportunidade de acompanhar, o que foi que concluido é o seguinte:
    A Epifise é o orgão onde se localiza a inteligencia, onde está localizado seu verdadeiro “eu”, ex:
    Numa operação, um medico pode tocar, implantar, costurar etc. qualquer membro do seu corpo mas, o seu pensamento e suas impressões ninguém pode tocar, isso é motivo de estudo até hoje.
    O mesmo estudo conclui a distribuiçao do espirito pelo corpo, onde é estudada a epifise, como eu já disse, como o que seria o orgão onde se localiza a inteligencia.
    A relação entre isso e o que estamos falando é o seguinte:
    Voce falou de “memoria genetica”, essa memoria consiste em tudo que o DNA pode reunir em termos tangiveis aos nossos sentidos, são certamente uma herança que carregamos de nossos antepassados mas, a individualidade, essa nós trazemos conosco e é aquela que “anima” nossos corpos e até nossos espiritos sendo que a imnteligencia é um ponto de luz, o restante de nosso corpo absorve dessa inteligencia. Está complicado não é ?
    Voce pensa, seu corpo obedece, tão rapidamente que as vezes parece até que não foi intencional mas é nossa intewligencia que faz o resto funcionar, se essa se ausenta do corpo, o que sobra é a vida organica, o dna e todo o resto que corresponde a vida material.
    É claromque somos um pouco dos nossos antepassados mas isso só se refere ao lado material, o espiritual é individual.
    A semmelhança de carater entre parentes acontece o que muitas vezes a influencia dos ensinamentos morais, que podem estar nos acompanhando desde antes de nossa vida mortal, isso apenas se pensar
    mos que estavamos juntos antes de virmos pra cá.
    Não vou me alongar mais, primeiro me responda se estou sendo claro, depois continuamos.
    Dormí fora do horario e agora o sono voltou, vou pôr minha inteligencia e meu corpo pra descançar e amanhã continuamos.
    Mas desde já te agradeço pela oportunidade.
    abraço, irmão.

    • Mauricio disse:

      o sono foi tanto que escreví descansar com Ç.

    • Marcello Jun disse:

      Maurício, não existe nenhum estudo médico-científico que sustente as suas elocubrações aqui.

      A glândula pineal, também conhecida como epífise cerebral, é uma glândula endócrina responsável pela produção e secreção do hormônio melatonina, que atua diretamente na modulação do ciclo circadiano e indiretamente no sistema imunológico e na produção de neuro-moduladores como o BDNF.

      O estado de “consciência” e a “mente” surge a partir do sistema nervoso central através de um processo que neuro-cientistas chamam de “fenômeno emergente”, onde a soma total da interação de todas as conexões inter-neuronais resulta em capacidade computacional maior que a simples soma total. Embora ainda uma área de pesquisa pueril, sabe-se que “consciência” é mais dependente do páleo-córtex (região evolutivamente mais primitva) e “mente” (ou subjetivamente “racional”) é mais dependente do néo-córtex (região evolutivamente mais moderna), e sabe-se que nenhuma região cerebral específica seja responsável — ou seja capaz — de responder por quaisquer destes fenômenos. Que dirá uma glândula endócrina que sequer goza da presença de neurônios (no sentido clássico)!

      O resto do seu comentário acima simplesmente não tem qualquer correlação com a realidade biológica do ser humano.

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