Abraão Faz 45 Anos

HipocéfaloNesta semana (dia 27) comemoramos o aniversário de 45 anos de quando o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque devolveu para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias os papiros originais usados por Joseph Smith, jr., para produzir o Livro de Abraão.

Esse evento foi comemorado com grande antecipação e efusivos sentimentos de antecipação, esperança, e até uma sensação de validação. Por mais de um século, estes antigos documentos haviam sido dados como perdidos, e subitamente em 1967 não apenas haviam sido re-encontrados, mas haviam sido retornados à Igreja!

Contudo, tão logo passou a euforia e o regozijo inicial, recaiu sobre a Igreja o que apenas pode ser descrito como “desconforto” sobre o documento, levando a quase silêncio da instituição oficial, e a décadas de esforços intensos (e inúteis) de dúzias de apologistas.

Como houve bastante interesse em comentários passados, em outros posts, sobre discutir a importância desse achado arqueológico, eu acho que essa data importante é a perfeita oportunidade (desculpa) para abrirmos espaço para essa discussão. Segue abaixo apenas uma breve introdução ao tema.

Entre 1798 e 1801, o Primeiro Cônsul Francês Napoleão Bonaparte embarcou na Campanha do Mediterrâneo para estabelecer controle de interesses franceses em rotas de comércio. Durante essa campanha, as forças francesas invadiram (e destruíram) o império Mameluco que controlava o Egito, apenas para serem rechaçados subsequentemente pelos ingleses.

Apesar do enorme fracasso militar e comercial, a expedição teve a boa-aventura de um grande sucesso: Napoleão incluiu na campanha militar um gigantesco grupo de cientistas e acadêmicos (167 intelectuais) com o explícito mandato de espalhar princípios do Iluminismo (i.e., as sementes do que hoje chamamos de Ciência e Racionalismo) e para realizar investigações e experimentos.

O contato súbito e inicial com as ruínas do passado egípcio imediatamente fascinaram muitos destes intelectuais que, por sua vez, trouxeram esse fascínio para a Europa Continental (e, depois, para a Grã-Bretanha) e estudos, investigações, pilhagens, e comércio de relíquias floresceram durante quase todo o século XIX.

Esse fervor cultural alastrou-se para os Estados Unidos, e um período chamado de “Egitomania” espalhou-se como fogo por toda a cultura Norteamericana durante todo o século XIX, afetando todos os aspectos culturais: literatura, arquitetura, arte, e até a academia.

Entre 1818 e 1822, um dos centenas de escavadores e pilhadores no Egito chamado Antonio Lebolo encontrou várias múmias e papiros, entre outras relíquias, em Tebes, e consequentemente foram removidas para a Europa para comercialização. Onze destas múmias, com vários “livros” de papiro (em rolos), foram parar nas mãos de Michael Chandler na Cidade de Nova Iorque no começo dos anos 1830. Conhecedor do lucrativo mercado gerado pela “Egitomania” nos EUA, Chandler passou a viajar pelo país, expondo e vendendo as relíquias egípcias.

Durante o verão de 1835, Chandler transitou pelo estado de Ohio. Ouvindo rumores dos feitos de Joseph Smith, que teria aprendido a decifrar e traduzir os caracteres da escrita egípcia (até então, feito impossível fora de um restrito círculo de acadêmicos franceses, e largamente desconhecido pelo público em geral). Curioso para averiguar as habilidades de Smith, ou espertamente pronto para lucrar com a óbvia fascinação de Smith com o Egito Antigo, Chandler foi até Kirtland encontrar-se com o Profeta Mórmon.

O encontro foi frutífero para ambas partes. Smith imediatamente anunciou que os papiros eram documentos originalmente escritos, de próprio punho, por Abraão, além de José (bisneto de Abraão), e o terceiro era um conto sobre a Princesa Katumin. Considerando os achados arqueológicos como sagrados, Smith iniciou negociações com Chandler para compra-los deste, e angariando uma pequena fortuna entre amigos e membros (estimados entre 50 e 100 mil dólares atuais), a Igreja adquiriu 4 múmias e 4 papiros (3 rolos ou livros, e 1 hipocéfalo).

Joseph Smith passou a expor as múmias como fazia Chandler, cobrando modestos preços de admissão de curiosos e viajantes, porém mais importantemente, começou o processo de tradução pelo Livro de Abraão, usando Oliver Cowdery e William Phelps como escrivões. Smith montou um caderno de traduções, com decifração dos hieróglifos egípcios e anotações sobre as regras gramaticais e pronuncias, e durante vários meses, produziu o que hoje chamamos de Livro de Abraão. Nem o rolo de José, nem o rolo da Princesa Katumin, foram agraciados com tentativas ou esboços de tradução.

A Igreja publicou o Livro de Abraão em 1842, em forma seriada, no jornal oficial Times and Seasons, incluindo cópias das ilustrações (com explicações por Smith) e do Hipocéfalo (também com explicações de Smith), e subsequentemente no jornal oficial da Igreja na Europa Millennial Star 5 e 6 meses depois. Em 1878, a Igreja publicou o Livro de Abraão completo numa coletânea chamada ‘A Pérola de Grande Valor’, que dois anos depois foi canonizada como Escritura Sagrada no jubileu de 50 anos.

Enquanto isso, os papiros originais (junto com as múmias) haviam permanecido em posse da família Smith, que optou por permanecer em Nauvoo, Illinois, durante a migração para o Oeste. Em 1856, Emma Smith decidiu vender os artefatos egípcios para Abel Combs, que os vendeu para o Museu de Saint Louis. Este museu faliu, e vendeu o grosso de sua coleção para o Museu de Chicago, e este, havendo multiplicidade de peças egípcias, vendeu a coleção Smith para o Museu Wood, também localizado em Chicago.

Em Outubro de 1871, uma conflagração desconhecida iniciou um incêndio que destruiu uma enorme parte da cidade, matando 300 pessoas e deixando mais de 100 mil desabrigados (um terço da população total de Chicago). Entre os prédios afetados, o Museu Wood e, presumidamente com ele, a coleção Smith e os livros de Abraão e José.

Aparentemente, em 1878 Apóstolos Orson Pratt e Joseph F. Smith viajaram por Chicago na tentativa de averiguar a sobrevivência dos papiros após a destruição do Museu Wood, e caso positivo compra-los de volta, mas sem sucesso.

Papiros destruídos pelo fogo. Fim de história.

Fim?

Facsimile 1Em 1966, um professor da Universidade de Utah Aziz Atiya estava no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque fazendo pesquisa para um livro quando, fortuitamente, bateu os olhos num papiro comum com uma ilustração comum. Porém, esta ilustração continha uma alteração nada comum: o papiro estava colado numa folha de papel moderna, e faltando-lhe alguns pedaços no papiro original com falhas na ilustração, desenhos haviam sido completados no papel moderno! Atiya, que não era Mórmon mas que havia morado em Utah por décadas, chocou-se com uma percepção súbita: este era o papiro que Joseph Smith havia usado (e desenhado) para o seu Livro de Abraão!

Angustiado e surpreso com sua descoberta, Atiya vasculhou a pilha de documentos onde este papiro havia sido arquivado e a sorte lhe continuou a sorrir: não só encontrou mais fragmentos de papiros que haviam sido posse de Smith (incluindo as demais ilustrações usadas no Livro de Abraão), Atiya encontrou a carta escrita e assinada por Emma Smith para certificar que estes seriam os papiros usados por Joseph Smith!

Como os papiros foram parar no Museu de Nova Iorque foi, tanto quanto o achado em si, uma história interessante a se destrinchar. Para encurtar uma longa estória, parece que Abel Combs não vendeu *esses* documentos e *estas* múmias para o Museu de Saint Louis (mas outros papiros e outras múmias), e reteve os papiros de Joseph Smith consigo, deixando-os para a enfermeira que cuidou dele em seus últimos meses de vida. A filha (e neto) desse enfermeira venderam os artefatos ao museu em Nova Iorque após anos (décadas) de negociações.

As negociações e comunicações entre Atiya, a Primeira Presidência da Igreja, e os curadores do Museu, também tardaram, mas não duraram pouco mais de um ano, até que no dia 27 de Novembro de 1967 os papiros foram devolvidos para a Igreja.

Durante um pouco mais de um ano de negociações e conversas secretas confidenciais, algumas das Autoridades Gerais expressaram sentimentos de esperança e antecipação. Por exemplo, durante as negociações, N. Eldon Tanner da Primeira Presidência afirmou que a Igreja tinha enorme interesse nos papiros e que pagaria “qualquer preço” por eles.

A própria Primeira Presidência (David McKay, Hugh Brown, Eldon Tanner) escreveu:

Essa coleção é muito significante porque ela cria um elo distinto com a história inicial da Igreja e apoia completamente a asserção feita pelo Profeta Joseph Smith. Esses documentos importantes… serão valorizados e bem cuidados e ajudarão em pesquisas futuras e adicionar evidências à autenticidade da Pérola de Grande Valor.

Milton Hunter cita, ainda, N. Eldon Tanner regozijando que:

…o fato importante é que agora temos parte do manuscrito original do Livro de Abraão e que certamente comprova o fato de que Joseph Smith escreveu o Livro de Abraão de manuscritos em papiros antigos…

Contudo, não foi isso que ocorreu. Tão logo a Igreja recebeu os papiros, convocou acadêmicos e estudiosos (principalmente da BYU) para analisa-los, e o que se percebeu imediatamente e inequivocadamente foi que os documentos de onde Smith “traduziu” o Livro de Abraão simplesmente não dizem nada sobre Abraão, mas sim são textos funerários comuns. Ademais, as ilustrações foram reconstruídas de maneira equivocadas, completamente sem sentido, e os textos das ilustrações não correspondem em nada às descrições oferecidas por Smith.

Junte-se a isso o fato de que por um século críticos haviam previsto as lacunas nas ilustrações (corretamente) e que o alfabeto e o dicionário de Smith não correspondiam ao que acadêmicos haviam aprendido sobre egípcio antigo desde então (corretamente), e a Igreja viu-se na posição desconfortável de um achado histórico que desconfirma, ao invés de confirmar, afirmações históricas sobre o passado fundacional da Igreja. Inclusive, é muito possível que, movidos ainda pelo desdobramento negativo desse evento, as Autoridades Gerais tenham se esforçado tanto para comprar e esconder documentos históricos sensíveis de modo a se exporem excessivamente ao engodo de Mark Hoffman 15 anos depois.

No frigir dos ovos, a recuperação dos papiros não é hoje celebrada oficialmente. Talvez porque os papiros não apoiam a asserção de que Joseph Smith tenha encontrado, fortuitamente, escritos do profeta Abraão e corretamente traduzido-os no livro que hoje se encontra no cânone SUD oficial. Pelo contrário, os papiros demonstram que Smith “traduziu” o Livro de Abraão de um texto funerário 3000 anos mais novo que Abraão, sem quaisquer conhecimentos da língua ou cultura egípcias antiga.

Como lidar com essa constatação segue sendo um desafio para Mórmons modernos, e claramente, para a Igreja SUD. De qualquer modo, 45 anos atrás esta semana foi um marco importante na história, e para o futuro, da Igreja Mórmon.

Bibliografia

Larson, Stan. Quest for the Gold Plates: Thomas Stuart Ferguson’s Archaeological Search for The Book of Mormon. Freethinker Press, 2004.

Peterson, Donl. The Story of the Book of Abraham. Mummies, Manuscripts, and Mormonism. Deseret Book, 1995.

Peterson, Donl.  Antonio Lebolo: Excavator of the Book of Abraham, em BYU Studies, 1991.

Rhodes, Michael. The Hor Book of Breathings: A Translation and Commentary, Studies in the Book of Abraham. FARMS, 2002.

Ritner, Robert. The Joseph Smith Egyptian Papyri: A Complete Edition. Signature Books, 2012.

About these ads

89 comentários sobre “Abraão Faz 45 Anos

  1. Marcelo, hoje eu vejo algumas pessoas “estimulando” os membros a lerem tal livro como “um conto”; “uma linda história que foi escrita a partir de “inspiraçao” de Joseph ao olhar para tais escritos”. Hoje sabemos largamente comprovados, que essa “traduçao” nada mais foi do uma estória da, inquestionavelmente fértil, cabeça de Joseph. Ótima matéria. Espero agora os comentários dos irmaos!!!

    • Geninho, eu não diria assim. Porque não podia essa estória ser revelada a Joseph Smith? Concordo que não é tradução dos papíros mesmos. Mas ainda assim, será que vamos perder algo em tratá-lo como revelação? Vamos pular tão facilmente para dizer que é apenas “uma estória da cabeça de Joseph?” Porque?

      • Kent, e “uma estória da cabeça de Joseph” não pode ser uma forma de revelação? Para ser tratado como sagrado ou inspirado, um texto precisa necessariamente ser históricamente válido?

      • Interessante, Marcello Jun.

        Concordo contigo. Com certeza é muito mais fácil aceitarmos e nos apegarmos com aquilo que é historicamente ou cientificamente comprovado. Somente para problematizar: porventura não pode haver ficção inspirada?

      • Marcello :
        Eu não tenho nenhuma duvida de que o Livro de Abraao é verdadeiro.
        Ele é simplesmente fascinante, não caberia na cabeça de Joseph Smith assim como todo o resto da “historia” desse Evangelho.
        Eu confesso que as vezes eu preciso sair do centro da questão do mormonismo e recorrer a outros ensinamentos que recebí, para que possa entender tão bem essa situação mas não é preciso muito esforço (pelo menos da minha parte) para entender que Joseph Smith foi realmente um “Profeta” .
        Se ele “montou’ esse Evangelho, simplesmente ficou uma montagem linda, digna de oscar e best seller, mas não foi assim.
        Eu penso que o “mormonismo” não é para pessoas que buscam o “racionalismo convencional” pois esse contraria facillmente a doutrina todos os dias, mas ele sobrevive.
        Por que será ?
        Por que será que o “mundo” exige que tudo seja “convencional” ?
        Jesus Cristo se enquadra nesse padrão mundano do convencional ?
        Hoje em dia eu entendo porque os livros de Pedro e Tomé não estão na Biblia, a mesma é convencional demais para os dois. Vou soprar aqui até o de Maria Madalena, quem se arriscaria ?
        Falando em convencional, eu estou esperando seu comantario no post “Eu sou um pouco do meu avô”.
        até mais, até logo, felicidades.

      • Marcos, vc é muito inteligente, pegou uma coisa no ar.
        O que é um Profeta ?
        Em todas as citaçoes da Igreja Joseph Smith é reconhecido como Profeta, vidente e revelador.
        Então, veja bem, a palavra Profeta não foi suficiente para definir Joseph Smith, senão bastava dizer:
        Joseph Smith é um Profeta e pronto.
        A parte do Livro de Abraao requeriu mais da parte “vidente e revelador”.
        Quando se fala a palavra “vidente” para alguém, logo vem a imprtessão de um mediun espirita ou algo parecido, um adivinhador etc.
        Vc me sugeriu em outro comentario que se deve abandonar as praticas do passado quando se está seguindo o Evangelho de Cristo.
        Eu respeito sua opinião, só que pra mim, varias ideias concebidas a mim no passado me ajudam muito a compreender esse mesmo Evangelho e o proprio Joseph Smith.
        Joseph Smith tinha um grande dom, isso pra mim está claro e inegavel; ele seria classificado pelos espiritas (e o é) como um grande mediun que trouxe a luz revelaçoes preciosissimas, grandes perolas, perolas essas que infelizmente eu estou vendo muitos mormons até de berço joga-las aos porcos, o que é lamentavel.
        Pra te explicar esse parenteses, eu te digo apenas o seguinte:
        Joseph Smith foi ainda mais do que a palavra “Profeta” pode definir.
        Voce está a fim de ouvir o resto da definição ou já basta pra vc ?
        abraço.

      • Porque Chandler não tinha nenhum interesse religioso em buscar um “profeta”, mas apenas interesse comercial em explorar o interesse de Smith em documentos antigos. Chandler provavelmente não acreditava que Smith fosse um profeta de verdade, ou nem que pudesse ser um, de tal modo que jamais explorou Mormonismo nem mesmo por curiosidade. Para ele, Smith era um possível alvo financeiro com cunhos religiosos, nada mais.

      • Kent, entendo a questao, entao porque o próprio profeta nao usou esse termo (revelaçao) em seu diário? Voce é conhecedor que durante o período em questao o próprio Joseph usava o termo TRADUÇAO (qdo escrevia em seu diário, e por mais de uma vez ele escreveu isso).

        A grande pergunta é pq? pq nao tratou o assunto como uma revelaçao desde o início?
        pq a igreja esperou os papíros reaparecerem para cogitar outras possibilidades? e a maior de todas elas, pq o próprio Joseph nao foi claro, transparente e honesto o bastante em dizer que nao era uma traduçao e sim uma (usando seu termo) revelaçao do Senhor?

        Eu hoje tenho uma posiçao qto ao assunto e a igreja que vivi por mais de 20 anos. Tudo foi sim criado pela cabeça de Joseph, o LM até hoje nao tem a mínima sustentabilidade no mundo real (povos, escrita, achados etc), o Livro de Abraao, depois de desvendada tao bem a história nunca foi uma TRADUÇAO e com isso o profeta tem seu legado mais que questionado.

    • É muito fácil aceitar que Joseph não traduziu nada e que os estudiosos estiveram sempre certos. Mas, E SE Joseph traduziu corretamente, e TODAS as traduções feitas pelos estudiosos até hoje estiverem erradas?…

      • Mas isso não é justamente a estória da mãe que vê o filho marchando fora de compasso e conclama que ele é o único a marchar correto, e todos os demais estão sincronizados mas errados?

        Acontece que as traduções (como você escreveu, “TODAS as traduções”) feitas pelos estudiosos seguem regras claras e evidentes de lógica e racionalidade. Além de serem coerentes com as análises arqueológicas, antropológicas, culturais, históricas, e científicas.

        Você esta familiarizado com o têrmo “Navalha de Occam”?

      • “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor”
        — William de Ockham

        Nem sempre meus caros William e Marcello Jun…
        Você disse:
        “as traduções feitas pelos estudiosos seguem regras claras e evidentes de lógica e racionalidade. Além de serem coerentes com as análises arqueológicas, antropológicas, culturais, históricas, e científicas.”

        Meu amigo, a própria história mundial e filosófica e regada de idas e vindas do que é do que não é racional, lógico e natural, a guerra de Razão-Lógica versus Natureza-Sentidos não foi minada nem pelas belas sínteses de Kant, assim como você me perguntou sobre a Navalha de Occam eu lhe pergunto se você conhece o Método de Hegel…

      • Adriano, você óbviamente não entendeu a Navalha de Occam.

        Explicado da maneira mais simples, ela postula que ceteris paribus (i.e., todos os outros fatores sendo iguais ou equivalentes), de todas as hipóteses a mais provável é a que depende de menos variáveis e menos desconhecíveis.

        A citação da natureza mutável (e progressiva) do conhecimento humano é usualmente utilizada por ignorantes que desconhecem o inexorável fato de que o avanço nunca elimina o prévio, mas constrói sobre ele, e nunca retorna a períodos de ignorância e trevas.

        Aqui você explicitamente espera que se creia que, num futuro vindouro, todo o conhecimento acumulado em história, arqueologia, linguística, biologia, astronomia, e antropologia esteja quase 100% equivocado e que suposições de 200-300 anos atrás sejam validados. Em todas estas áreas de conhecimento. Concomitantemente. Você pode até acreditar nisso, e depositar sua fé e esperança nisso, mas não espere que essa postura seja vista como racional ou lógica. E, por favor, não invista dinheiro nisso!

        Trazer Hegel para essa conversa é simplesmente ridículo! Seria o mesmo se trouxéssemos Lamarck para um simpósio de biólogos, ou Copérnico para um de Astrofísicos.

      • Para Hegel somente o que é real resiste ao tempo, mentiras, probabilidades, especulações, deduções são deixadas para trás a medida que a história segue seu curso. A história primitiva dos egípicios já era um mistério para eles mesmos. Muito se perdeu e muito pouco se sabe e apenas um vidente tem o poder de trazer luz a verdades há muito tempo esquecidas.

        Em tempo, vou lhe contar uma pequena historinha:
        Niels Bohr certa vez pendurou uma ferradura na porta de sua casa. Um dia um amigo seu foi visitá-lo e exclamou: “Quer dizer que VOCÊ acredita NESSAS COISAS?!”, Bohr respondeu: “É claro que não!… Mas me disseram que apeasr disso a coisa funciona mesmo…”

      • Nossa, Adriano! A sua falta de conhecimento e/ou compreensão de Física Quântica básica, ou mesmo a história da evolução da Física Quântica na primeira metade do século XX, é estarrecedora. Não fosse assim, você teria percebido que a citação de Bohr não tem absolutamente nada a ver com a discussão em pauta!

        Primeiro, a citação é disputada, e provavelmente nunca foi dita. Mas eu acho que é em caráter, e ele poderia ter dito isso.

        Segundo, Bohr e sua escola de Copenhagen mudaram completamente todos os paradigmas de Ciência (e realidade, e epistemologia, e cosmologia, etc.) nos 20 anos mais intelectualmente acelerados da história da humanidade! Muitos físicos e cientistas na época, inclusive o maior deles (Albert Einstein) tinham dificuldades para acompanhar — e aceitar — essas mudanças. O próprio Bohr, assim como a maioria dos maiores físicos quânticos da época, admitiam que sequer eles compreendiam plenamente os modelos teóricos que estavam construindo.

        Terceiro, os conceitos mais relevantes — e mais revolucionários — de Bohr e a Escola de Copenhagen provaram-se empírica, cientifica, e racionalmente corretos.

        Quarto, nenhum desses conceitos ignorou ou desconsiderou ou destruiu as descobertas e os conhecimentos regentes até então. Simplesmente os consumiu e os suplantou!

        Sendo assim, a evocação de Niel Bohr e Física Quântica demonstra o quanto o seu modelo fantasioso esta errado.

        Ademais, Georg Hegel estava errado. Suas contribuições foram muito importantes, sem dúvida nenhuma, mas ele já esta ultrapassado… há uns 150 anos.

      • “A citação de Bohr não tem absolutamente nada a ver com a discussão em pauta!Sendo assim, a evocação de Niel Bohr e Física Quântica demonstra o quanto o seu modelo fantasioso esta errado.”

        Sobre a história de Bohr:
        Pouquissímo importa se foi ou não verossímil, a história de Bohr é apenas uma forma de dizer que até mesmo os homens mais racionais, lógicos, geniais, possuem o BOM SENSO de não desmerecer uma possível realidade ou verdade daquilo que não podem comprovar empiricamente.

    • E só você conhece essa tradução e só você tem acesso a ela?

      Porque nenhum historiador, SUD e não SUD, encontrou até hoje nenhum sinal ou evidência de que ele houvesse realizado essa tradução. Que dirá encontrado a própria tradução!

      • “só você conhece essa tradução e só você tem acesso a ela?”

        Quem me dera Marcello…
        Mas eis aqui a fonte:
        “Néfi menciona as profecias de José, registradas nas placas de Labão, e conclui que “E não há muitas profecias MAIORES do que as que ele escreveu.” (2ºNéfi 4:2). Mas onde se encontram as profecias de José? Por que não se encontram no Antigo Testamento.
        O registro de Abraão, traduzido pelo Profeta, foi subsequente publicado, e agora é conhecido como o Livro de Abraão, na Perola de Grande Valor. Atradução do Livro de José, entretanto, AINDA não foi publicada. EVIDENTEMENTE O PROFETA TRADUZIU ESSE REGISTRO,mas talvez ainda não tenha sido publicado, porque as grandes profecias ali contidas eram ‘grandes demais’ para o povo desta época.”
        (Ludlow, A Companion to Your Study of Book of Mormon, pp.130-31.)

        E concluo dizendo:
        TOLO É O PROFETA QUE NÃO DEIXOU UM LEGADO ESCRITO.

      • Hahahahahahaha! Eu não sabia que o Daniel Ludlow era mentiroso!!!

        Nenhum historiador SUD e não-SUD, nenhum documento, nenhum testemunho de nenhuma Autoridade Geral, nenhuma anotação nos diários de Joseph Smith ou de quaisquer de seus secretários ou escrivões, ou qualquer outro artefato histórico, sugere que Smith tenha “traduzido” o Livro de José.

        Ludlow simplesmente inventou essa estória e ele não tem nem um dado concreto, nem nenhuma especulação, de que não esteja mentindo.

        Hilário! Adorei.

      • Posso até sentir o gosto da sua ironia…

        Você disse: “nenhum testemunho de nenhuma Autoridade Geral…”

        Acontece que a citação acima foi retirada de um manual simplório da Igreja: O Manual do Aluno do Instituto de Religião do Livro de Mórmon, eu ACHO que a Primeira Presidência deva ter autorizado isso em algum momento… pois o manual está aí há décadas… e lembre: Só o que é real resiste ao tempo.

        Abraços Marcellinho Pão & Vinho (ou Água se prefirir… rsrsrsrs) ;)

      • Na verdade, isso é uma falácia comum entre SUDs, especialmente no Brasil, que são largamente ignorantes de como a Igreja funciona como uma corporação.

        Manuais, a despeito do que muita gente crê, são escritos e publicados através de comitês enormes e burocráticos, e recebem supervisão apenas cursória dos (poucos) Apóstolos designados para cubrir aqueles manuais para aquele ano. Manuais da Igreja não são 1) doutrinários, 2) canônicos, 3) acadêmicos, e 4) criteriosos.

        Ache-me, por favor, uma citação de um único líder da Igreja, ou testemunha ocular, escrito ou proferido antes de 1870 que testifique que Joseph Smith traduziu o Livro de José. Ache-me um único líder ou historiador ou faxineiro que tenha testificado, entre 1835 e 2013, ter visto e/ou lido e/ou achado o manuscrito da tradução do Livro de José no famoso Cofre da Primeira Presidência.

      • “Isso é uma falácia comum entre SUDs, especialmente no Brasil, que são largamente ignorantes de como a Igreja funciona como uma corporação.”

        Concordo. É um grande Reino Corporativo! Porém guiado e dirigido por meio de Ordem e Revelação.

        “Ache-me, por favor, uma citação de um único líder da Igreja…”
        Não posso, pois não conheço. Porém creio por meio de uma fé que a razão não pode explicar nem tomar de mim, e prego a favor dela tão veementemente, quanto aqueles que pregam o oposto desta crença.

        Abraços! ;)

  2. Eu considero o Livro de Abraão uma obra incrível, também não vejo problemas para a questão da tradução, mesmo por que, será que foi esse o pergaminho utilizado na tradução? O documento encontrado fazia parte ou era todo o material adquirido? Será se não teriam mais de um significado a tal representação? O que poderíamos dizer sobre o papiro Leiden I 384? Existe mesmo a representação onde Abraão aparece numa cena de sacrifício em um divã com cabeça de leão?
    E também, será se Joseph não apenas usou sua inspiração para retirar o livro de Abraão daqueles textos? O que eu sei, é que, se foi Joseph quem criou, sinceramente, sem palavras, criou o Livro de Mormon, o Livro de Abraão,de Moisés, Doutrina e Convênios, e nisso tudo, uma história fantástica sobre uma apostasia, restauração e um emaranhado de doutrinas que faz muito sentido. Sei lá, complicado o tal Joseph. rs

    • Se Joseph Smith inventou tudo isso ele era muito,muito inteligente.Ou então louco,o que eu sinceramente não acredito.

      • Joseph Smith era muito, muito inteligente.

        Tudo o que lemos sobre ele de familiares, amigos, curiosos, e até mesmo inimigos sugere que Smith possuía inteligência muito acima da média, e muito acima de seus pares. Inclusive, seus dotes intelectuais manifestaram-se precocemente, como atestava seu pai, sua mãe, e alguns de seus irmãos mais velhos.

        Joseph Smith certamente não era “louco”, mas de acordo com o biógrafo Richard Bushman (que, como você pode ver aqui e aqui, é SUD ativo com chamados como Bispo, Presidente de Estaca, e Patriarca) ele apresentava praticamente todos os critérios diagnósticos para Transtorno Esquizo-afetivo (CID: F-25)!

      • “Transtorno Esquizo-afetivo (CID: F-25)” O que seria isso? o que tem a ver com a inteligência de Joseph Smith e os livros sagrados traduzidos pelo profeta?

    • Pedro meu amigo, acho que é a primeira vez que concordamos em algo “se foi Joseph quem criou, sinceramente, sem palavras, criou o Livro de Mormon, o Livro de Abraão,de Moisés, Doutrina e Convênios, e nisso tudo, uma história fantástica sobre uma apostasia, restauração e um emaranhado de doutrinas que faz muito sentido. Sei lá, complicado o tal Joseph. rs”

      p.s: até com o ‘rs’ no fim da frase eu concordei, sem sarcasmo!

      Esses indícios de que tudo isso pode sim, ter sido uma estória da cabeça do profeta (e reafirmo que foi, pelo digamos, verificado até agora), sinto-me livre para pensar e repensar sobre o que Deus quer de todos nós nessa vida. Viver diretrizes ditadas por profetas, livros e histórias que podem ser muito questionadas e em alguns aspectos nada verificada e totalmente contraditórias em alguns momentos, parece-me hoje continuar num grande equívoco.

      Reconheço que a prática de alguns ensinamentos mudaram e moldaram minha vida, mas sabe! Tenho visto muitas pessoas vivendo elevados padroes e sendo muito abençoadas, com muito mais leveza, menos presunçao e mais açao que na igreja. Em suma descobri que há sim jeito de ser feliz, próspero e abençoado após os “muros” e regras daquela que um dia cri ser a igreja de Jesus Cristo.

      • Olá meu amigo Geninho.

        Fico feliz que esteja lendo o site que lhe indiquei. Admiro sua diligência em pesquisar sobre esses assuntos. Gostaria de saber de você qual seu entendimento sobre as perguntas abaixo, após esse tempo pesquisando.

        1)Você acha que atualmente existe uma única igreja verdadeira de Jesus Cristo? Se sim, qual? Se não, por que?
        2)Você acredita que a autoridade do sacerdócio está presente entre os homens atualmente?
        3)No seu entendimento, qual foi o último Profeta de Deus que viveu neste mundo?
        4) Você está frequentando alguma Igreja?

        Forte abraço!

      • Ei Bill, Acho que vc já tinha me feito essas perguntas e eu fiquei devendo as respostas né? É dificil responder a algumas delas, porque estou reaprendendo sobre a forma de agir de Deus, mas vou tentar!

        1)Nao acho que precise haver uma unica igreja verdadeira e viva sobre a face da terra, acho que o fato de maior preponderancia nesta vida que pode nos capacitar a viver na presença de Deus, seja nossa fé e obras. Com sua justiça Deus e o Salvador vao saber para qual “de suas moradas” seguiremos.

        2) Acho que a autoridade pra agir em nome de Deus e Jesus Cristo vem do nosso grau de fé, obras e dons. Vejo tantos milagres acontecendo na vida de pessoas que nao fazem parte da igreja que é impossível nao creditar que isso nao é fé e o poder de Deus (que a igreja chama de sacerdócio) e fora da igreja nao há sacerdócio correto? Como explicar essas coisas, como explicar pessoas que seguem as diretrizes de seus líderes espirituais, que confiam nas bençaos que recebem desses homens como vinda de Deus e sao abençoadas e veem seus milagres acontecendo? Somente pela Fé???

        3) Depois de Pedro, ficamos com a promessa que o ES nos guiaria e nos alimentaria com as diretrizes necessárias para nossa completa felicidade e regresso a presença de Deus, visto que o Salvador de forma muito simples nos ensinou como permanecer em seus caminhos.

        4) Vou a onde me chamarem e me sentir bem, mas nao em uma especificamente, estou naquela fase de reconstruçao de todas as idéias que aprendi na igreja. A maior descoberta que tenho feito por meio de estudo e experiencias espirituais pessoais é que nosso relacionamento pessoal com Deus deve ser o mais esmerado possível. E tenho recebido minha porçao de alimento, bençaos e forças que me sao necessárias para continuar fazendo escolhas corretas e que nao me envergonhem de meu Deus.

        Aprendi na igreja muitos princípios corretos e busco aprende-los hoje em outras fontes e com outras visoes tambem, isso tem me ensinado a ser mais humilde e reconhecedor de minha necessidade das “coisas do alto”.

        é isso meu amigo…

      • Geninho, infelizmente ou felizmente, não vai ser dessa vez que entremos em acordo, pois, não tenho fé suficiente para acreditar que Joseph tenha criado tudo sozinho, acho que faria mais sentido de dissesse que teve ajuda do mal, diabo, sei lá o que, agora, crer que tudo saiu da mente de um caro que hora é taxado de ignorante e hora de inteligente, é no mínimo sem sentido para mim.

        Não, pode ficar tranquilo, vc é livre para pensar como quiser, isso não significa que seus pensamentos corresponde com a verdade dos fatos, nem o meu. Não necessariamente.

        Claro, quando se perde a fé, tudo se torna equivocado, é só conversar com alguém que acredita na Bíblia e que hoje questiona sua autoria divina, pois é, depende do lado onde se encontra.

        Opa, ninguém aqui ensinou ou ensina que os SUDs são as pessoas mais felizes do mundo ou que em outros lugares não pode ser encontrado pessoas abençoadas, que não podem ser leves etc. etc.

      • Amigo nao acho que a verdade tenha dono. Deus e o Salvador sao os dententores de todas as coisas, a verdade, é tao questionável e defensável dependendo do ponto de vista né? Veja a infinidade de pessoas que nao conhecem a igreja sud e que tem sua vida tao abençoada e feliz qto alguns membros da igreja. Isso esta ai pra observarmos e tirarmos nossas conclusoes.

        Sei dos “calcanhares de Aquiles” da Bíblia, mas em nenhum lugar que eu vou (fora da igreja) vejo ou ouço pessoas reenvindicando para essa ou aquela igreja ter todas as chaves que nos levem a presença de Deus. A sud, que faz a reinvidicaçao, cometeu tantos erros, até aceitáveis, mas pra mim intrigantes, qdo criamos que homens que tem um relacionamento pessoal, com Deus os cometeram em seu nome.

        Assim como vc nao tenho todas as respostas, mas já aceitei, com tudo que li e descobri que a igreja sud tambem nao a tem, pq a verdade nao faz curva, ou traduziu-se o Livro de Abraao ou nao, ou existiram os povos do LM ou nao e por ai vai!

      • Geninho, com certeza, o dono da verdade só pode ser Deus, aí sim, concordamos em algo, rs

        Sobre a reivindicação, creio ser meio que óbvio, se a igreja for o que a história dela conta, não tem outra maneira de definir. Sobre os erros, para mim isso não muda em nada sua reivindicação, creio que na época dos apóstolos erros semelhantes aconteceram, a diferença é que não temos a história, não temos argumentos contrários, não temos as versões dos “oponentes” etc. etc.

        A igreja SUD nunca disse que tinha todas as respostas.

  3. Foram encontrados fragmentos do original, ou seja, muita parte se perdeu. Será que somente através destes poucos fragmentos encontrados é possível se afirmar que o Livro de Abraão é uma fraude? Não seria necessário o conjunto completo dos escritos egípcios? Desculpem se eu estiver falando besteira, pois não tenho muito conhecimento do assunto.

      • Marcos e Pedro,
        Mesmo que a igreja tivesse recuperado 100% dos papiros, não teria nada a ver com Abraão e/ou José do Egito. Vamos nos conformar com isso!
        A ausência de 87% dos originais não prova em nada que o livro é uma fraude, mas também, não prova em nada que é verdadeiro.

        Os fatos estão aí, Joseph Smith se enganou, achou que aqueles papiros fossem escritos do próprio punho de Abraão, mas não era. Essa é a realidade!

      • Aí é sua opinião, mesmo porque nem vc nem eu temos os restante dos documentos. De qualquer maneira, mesmo se fosse o caso, não mudaria em nada a situação do Livro de Abraão, pelo menos não para mim, alguns motivos eu listei em forma de perguntas, para o Geninho.

        Não não, essa não é a realidade, a realidade é que o que foi encontrado foi traduzido e corresponde uma coisa, nada impede que o profeta levou para algo mais antigo, que aquelas figuras representavam.

        O que vc me diria sobre isso: “O que poderíamos dizer sobre o papiro Leiden I 384? Existe mesmo a representação onde Abraão aparece numa cena de sacrifício em um divã com cabeça de leão?”

      • “O que poderíamos dizer sobre o papiro Leiden I 384? Existe mesmo a representação onde Abraão aparece numa cena de sacrifício em um divã com cabeça de leão?”

        O que Thomas S. Monson (ou outros antes dele) como Profetas, Videntes e Reveladores dizem ou disseram sobre eles?
        Quem dera fossem esses os papiros que estavam nas mãos de Joseph, quem sabe assim, os argumentos não seriam mais plausíveis e de confiança, no entanto, não eram, na verdade eram papiros de um defunto chamado Hor. Não tem nada a ver com Abraão!

        Você já estudou a fundo os fac-similes 1,2 e 3 canonizados no Livro de Abraão? Você acha que aqueles fac-similes tem alguma relação com o Pai Abraão? Ou tem mais a ver com osiris? horus?

        Como a igreja pode canonizar deuses pagãos em suas escrituras, achando que são Abraão ou até mesmo o próprio Deus, criador dos céus e da terra?

        É complicado!

      • Giovanni, se vc não quer responder, tudo bem. Mas, as pessoas que vc mencionou não duvidam da veracidade do Livro de Abraão.

        Sim, já estudei. Como eu creio no Livro de Abraão, acho que nem preciso responder.

        Sobre sua última pergunta, creio que nem precisa de resposta.

      • “Quando chegou a Kirtland, no final de junho, os santos mostraram
        grande interesse pelas múmias e papiros. Chandler havia ouvido falar que
        Joseph Smith dizia poder traduzir registros antigos. Ele pediu a Joseph
        Smith se poderia traduzir os papiros. Orson Pratt relembra: “O Profeta
        examinou-os e recolheu-se a seu quarto, onde perguntou ao Senhor a
        respeito deles. O Senhor disse-lhe que eram registros sagrados” e revelou a
        tradução de alguns dos caracteres.” (História da Igreja na Plenitude dos Tempos; Capítulo 13 – Dias Gloriosos em Kirtland, 1834-1836 ;página 159)

      • Marcos,
        a nova história diz que esses registros que Joseph recebeu de Chandler não são sagrados, mas sim, papiros funerários comuns.
        Vide os fac-símiles 1,2 e 3. Junte-se ao Pedro e a mim, e me diz se eles tem alguma relação com Abraão. Se os fac-símiles estiverem traduzidos de forma equivocada, é bem provável que os papiros originais também estejam.

      • Essa é sua opinião. Eu prefiro acreditar no relato de Orson Pratt e não na nova História..

      • Exatamente.

        E temos essas anotações de Joseph Smith sobre a “tradução de alguns dos caracteres”!

        E nenhuma delas bate com o que descobrimos sobre a língua egípcia desde então, e que na época era ainda desconhecido.

        Orson Pratt: “…convença-nos de nossos erros de doutrina, se tivermos algum, através da razão, através de argumentos lógicos, ou através da Palavra de Deus, e seremos eternamente gratos pela informação, e vós tereis a gratificante satisfação que haverem sido instrumentos nas mãos de Deus ao redimir seus colegas da escuridão que envolviam [nossas] mentes.” (Pratt, Orson. O Vidente, Março 1854)

      • Continuo ignorando a nova história e aceitando o relato de Orson Pratt sobre Joseph Smith ter orado e recebido confirmação. E também acredito nas palavras de Hugh W. Nibley no link.

      • Coitado do Hugh Nibley. Os argumentos dele soam, hoje, tão desesperados e tão desonestos… mas certamente era o melhor que ele poderia fazer naquela época.

        Você pode continuar ignorando todas as evidências que você quiser, Pedro. Só não se esqueça do que as Escrituras dizem sobre ignorância:

        “É impossível ao homem ser salvo em ignorância.” (D&C 131:6)

        “Que o que for ignorante adquira sabedoria, humilhando-se e invocando o Senhor seu Deus a fim de que seus olhos sejam abertos para que ele veja e seus ouvidos, abertos para que ele ouça;” (D&C 136:32)

      • Se os argumentos de Hugh Nibley estão ultrapassados porque então permanecem no site da BYU?

        Talvez eu tenha me expressado mal ao utilizar a palavra ignorar. Eu quis dizer que mesmo que as evidências da nova história apontem contra a veracidade do Livro de Abraão, eu não deixarei de tê-lo como verdadeiro e sagrado. Isso não significa que eu não vá estudar a nova história.

        Quanto ao que está escrito em D&C 131:6, eu pesquisei o Livro de D&C do Instituto, do Aluno e o do professor, e também o livro do seminário e fiquei mais confuso, parece que discordam entre si. Veja o que dizem:

        Livro D&C Instituto, do professor (pg 222):

        “Esta certeza do ‘único Deus verdadeiro e (de) Jesus Cristo’ (João 17:3) é o mais importante conhecimento do
        universo; sem ele o homem não poderá ser salvo, diz o Profeta Joseph Smith. A falta dele é a ignorância
        mencionada na revelação que diz: ‘É impossível ao homem ser salvo em ignorância’. (D&C 131:6)”
        (Conference Report, outubro de 1981, p. 18; ou Ensign, novembro de 1981, p. 14.)

        Livro D&C Instituto, do aluno (pg 326):

        “A declaração de Doutrina e Convênios 131: 6 diz respeito a todas as espécies de conhecimento, mas devemos lembrar-nos de que ela foi dada em conexão com o versículo 5. Naquele contexto, o conhecimento a que a passagem se refere é a verdadeira palavra de profecia (ver o verso 5), e isso implica que nenhuma pessoa pode ser salva sem aquele conhecimento. Isto não quer dizer que o recebimento da verdadeira palavra
        de profecia deve ocorrer na mortalidade, mas é um princípio real que ninguém pode ser salvo (exaltado)
        sem que seu chamado e eleição sejam assegurados, ou receba a verdadeira palavra de profecia.”

        Livro do Seminário (pg 148):

        “O Presidente Joseph Fielding Smith explicou: “Dizia o Profeta que o homem não pode ser salvo em ignorância; mas ignorância do quê? Ele disse que o homem não pode ser salvo em ignorância dos princípios salvadores do evangelho de Jesus Cristo. [Ver Teachings of the Prophet Joseph Smith, pp. 288, 293, 322–324.] Não muitos dos grandes e poderosos, daqueles que moldam e controlam os pensamentos do povo de hoje, encontrarão salvação no reino de Deus. Por quê? Porque não encontraram o caminho, não estão andando na luz da verdade. Eles podem ter conhecimento, mas falta-lhes inteligência. Inteligência é a luz da verdade, e somos informados de que aquele que possui inteligência, ou a luz da verdade, renunciará ao ser perverso. [Ver D&C 93:36–37.] O homem que tem inteligência adorará a Deus e se arrependerá de seus pecados;
        procurará saber a vontade de Deus e a seguirá.” (Doutrinas de Salvação, 1:311)”

        Se alguém puder me ajudar a entender melhor cada citação eu agradeço. Se puder me mostrar se existe alguma correlação ou não, eu agradeço novamente.

      • Marcos, essa é uma excelente pergunta, que eu venho me fazendo toda semana há mais de uma década!

        A questão é que a BYU é uma excelente universidade! Escolas de Direito, Administração, Letras, e muitas das Ciências (Exatas, Biológicas, etc.) na BYU estão entre as melhores do mundo. Mas o Departamento de Religião é simplesmente ridículo! Comparado com as demais escolas de Religião nas universidade americanas, a da BYU teria dificuldade para se posicionar como medíocre. E é realmente triste, e um pouco deprimente, isso.

        A verdade é que, em qualquer outra instituição americana mediana pra cima, os escritos “acadêmicos” de Hugh Nibley não teriam sequer sido aceitos para publicação — e as que tivessem publicado, teriam sido completamente abandonadas na atualidade.

        Agora, com relação à suas dúvidas sobre as interpretações sobre D&C, eu prefiro não opinar. Isso é exegese, e eu realmente não tenho interesse em exegese. Que opinem outros…

      • Pedro, eu não sei se a sua memória falha, ou se simplesmente você sempre desconheceu os fatos básicos, mas esse “dado” seu de 13% não tem nenhuma correlação com os fatos!

        Inclusive, acadêmicos SUD estimam que a Igreja recuperou entre 60% e 70% do rolo original do Livro das Respirações, de onde Joseph Smith teria “traduzido” o Livro de Abraão.

      • “Inclusive, acadêmicos SUD estimam que a Igreja recuperou entre 60% e 70% do rolo original do Livro das Respirações, de onde Joseph Smith teria “traduzido” o Livro de Abraão.” Segundo um outro site, você está certo na afirmação acima, porém esse mesmo site afirma que o Livro das Respirações está nos fragmentos no fac símile 1 e que esses fragmentos representam bem pouco perto da quantidade de papiros que Joseph Smith tinha, Portanto, o Livro de Abraão poderia ter estado nesses outros papiros que não temos hoje. Repito que são afirmações que vi em outro site e gostaria de outras opiniões a respeito.

      • Marcos, como eu já lhe expliquei em outro comentário, essa estimativa de 13% é um exagero francamente desonesto. Acadêmicos SUD estimam entre 60 e 70% do rolo do Livro de Respirações (i.e., “Livro de Abraão”) e uns pedaços consideráveis (indeterminados) do rolo do Livro dos Mortos (i.e., “Livro de José”).

        O texto do Livro de Abraão simplesmente não caberia (nem de longe) nas falhas no documento encontrado. Ainda mais visto que temos a porção inicial, a porção central, e a porção final do Livro de Respirações.

        Para uma analogia ilustrativa, seria o mesmo que achar 70% do panfleto ‘A Primeira Visão’, incluindo as páginas iniciais, as páginas centrais, e as páginas finais, mas ainda assim presumir que o 30% restante — de trechos espalhados de texto — incluiriam toda a Pérola de Grande Valor.

      • Qual é a correlação então? Por favor, FATOS.

        Quais acadêmicos SUDs fazem essa estimativa? Por favor, os nomes e os comentários dos mesmos.

      • Pelo que eu li em outros sites, os fragmentos que estão com a Igreja representam 13% de todos os papiros que Joseph Smith tinha em mãos. Nesses fragmentos que estão com a Igreja existe o fac símile 1 e no fac símile 1 temos de 60% a 80% do Livro das Respirações.

    • Acadêmicos SUD estimam que a Igreja recuperou entre 60% e 70% do rolo original do Livro das Respirações, de onde Joseph Smith teria “traduzido” o Livro de Abraão.

      https://dialoguejournal.com/wp-content/uploads/2010/08/The-Original-Length-of-the-Scroll-of-Hor.pdf

      Mesmo se não tivéssemos recuperado a maioria do papiro (e recuperamos a maioria), uma minoria bastaria para determinar que o texto trata-se de um livro funerário em nada relacionado com Abraão. Técnicas acadêmicas modernas em crítica textual nos permitiriam estabelecer esse fato amplamente.

      Permita-me um exemplo simplório: Se você achasse, na rua, uma única página arrancada do Novo Testamento (digamos, uma no meio de Mateus) ou do Livro de Mórmon (digamos, uma no meio de Alma), você não acha que poderia rapidamente estabelecer de onde havia sido arrancada aquela página? Ademais, você acha plausível confundir aquela página com uma arrancada das Páginas Amarelas 2012?

      Agora, imaginemos a mesma página arrancada sendo achada por um cidadão comum em Jacarta, na Indonésia. Provavelmente não compreenderia nada de Português, sendo fluente em Javanês, sequer capaz de compreender o alfabeto latim que usamos, e tampouco familiar com a Bíblia ou o Livro de Mórmon, sendo Muçulmano. Não obstante, ele poderia procurar missionários (Cristãos e/ou Mórmons), que estariam mais familiarizados com os textos, o alfabeto, e a língua, e conseguir um diagnóstico preciso!

      Certamente, você se surpreenderia se o nosso amigo Indonesio perguntasse ao nosso amigo missionário: baseado em uma única página, como você não sabe se isso foi arrancado das Páginas Amarelas de São Paulo?

      Temos dúzias de Livros dos Mortos para comparar com os Papiros de Joseph Smith. Temos centenas de milhares de estudos por milhares de acadêmicos traduzindo e desvendando egípcio antigo. Os PJS podem ser reconstruídos de ponta a ponta, com óbvios paralelos ao Livro de Abraão (especialmente aos facsímiles). Não existem dúvidas racionais e coerentes mais: os papiros que Joseph Smith usou não continham textos sobre Abraão!

  4. Marcos, vc é muito inteligente, pegou uma coisa no ar.
    O que é um Profeta ?
    Em todas as citaçoes da Igreja Joseph Smith é reconhecido como Profeta, vidente e revelador.
    Então, veja bem, a palavra Profeta não foi suficiente para definir Joseph Smith, senão bastava dizer:
    Joseph Smith é um Profeta e pronto.
    A parte do Livro de Abraao requeriu mais da parte “vidente e revelador”.
    Quando se fala a palavra “vidente” para alguém, logo vem a imprtessão de um mediun espirita ou algo parecido, um adivinhador etc.
    Vc me sugeriu em outro comentario que se deve abandonar as praticas do passado quando se está seguindo o Evangelho de Cristo.
    Eu respeito sua opinião, só que pra mim, varias ideias concebidas a mim no passado me ajudam muito a compreender esse mesmo Evangelho e o proprio Joseph Smith.
    Joseph Smith tinha um grande dom, isso pra mim está claro e inegavel; ele seria classificado pelos espiritas (e o é) como um grande mediun que trouxe a luz revelaçoes preciosissimas, grandes perolas, perolas essas que infelizmente eu estou vendo muitos mormons até de berço joga-las aos porcos, o que é lamentavel.
    Pra te explicar esse parenteses, eu te digo apenas o seguinte:
    Joseph Smith foi ainda mais do que a palavra “Profeta” pode definir.
    Voce está a fim de ouvir o resto da definição ou já basta pra vc ?
    abraço.

  5. Uma pergunta que eu gostaria de dirigir a todos é a seguinte:
    Voces não acreditam no livro de abraão ?
    Pra mim, não acreditar no livro de Abraão e também o livro de Moises colocaria em “xeque” toda doutrina ensinada na Igreja.
    Muito do que está escrito nesses dois livros é ensinado nos Templos do Senhor como pontos da doutrina que nós seguimos.
    Sinceramente, se eu não acreditasse no que está escrito nesses dois livros, jamais voltaria a um Templo e abandonaria a Igreja imediatamente.
    Joseph Smith não se enganou e voces vão poder me perguntar :
    O que aconteceu então ?
    Nós e todo o resto sabemos hoje que aqueles papiros continham outra coisa que de nada lembram o livro que temos em nossa “Tripilices” e que carregamos todos os domingos às nossas Capelas, onde damos nossos testemunhos acerca de tudo e todas as coisas pertencentes a esse Evangelho.
    Mas onde se vê um papiro de funeral, Joseph viu uma revelação, hora, eu vou dizer (até corajosamente e sem um pingo de duvida) que o livro de Abraao foi revelado diretamente a Joseph Smith e que os papiros não passam apenas de um coloquio, sem valor algum e que a vontade de Deus foi feita, o livro foi revelado sendo que o original pode estar perdido em algum lugar talvez pra sempre e seria impossivel a Joseph Smith localiza-lo.
    Já havia passado pela cabeça de voces essa possibilidade ?
    De onde vieram as verdadeiras traduçoes e acrescimos do novo testamento TJS, senão da propria mente do mesmo ?
    Já citei no blog e cito novamente e para bom entendedor meia palavra basta porque vou citar nos termos “mormonicos” sem ferir a doutrina, já que sou um Mormon ( e me considero digno) :
    Joseph Smith (especialmente, além dos outros Profetas) é sempre citado para nosso entendimento e “crença” como PROFETA, VIDENTE E REVELADOR.
    Cabe dizer (novamente) que muitas vezes o nosso grande Profeta foi muito mais VIDENTE no total sentido da palavra e esse não se negou a ser REVELADOR, correndo todos riscos que correu e chegando à morte mas, disse o que disse e eu acredito nele.
    Voces também acreditam como eu ?.
    Irmaos, ser Mormon é muito dificil, ser Mormon de verdade é mais dificil ainda pois vai muito mais além do que dar um testemunho sobre a Igreja ou uma aula dominical.
    Hoje, muitas vezes até a propria Igreja (alguns lideres) estão querendo parecer menos MORMON apenas para se aproximarem das demais religioes e do mundo mas, ser MORMON é diferente, não é ser o convencional e sim o:
    ESPIRITUAL.

    • Maurício,

      o Livro de Abraão ocupa um lugar especial no meu sistema de crenças. Como um “pesquisador”, li o Livro de Abraão antes de ler por completo o Livro de Mórmon e ele me pareceu à época muito mais singular e rico. As doutrinas contidas no Livro de Abraão foram fundamentais para a minha conversão.

      Dadas as evidências de que os papiros e hipocéfalo não tem relação com o texto que Joseph Smith disse haver traduzido, eu tendo a acreditar que eles serviram como “muletas” para que ele viesse a redigir aquele texto em inglês. Penso que faz muito sentido sua hipótese dele estar agindo como um vidente e não um tradutor.

      Não podemos desconsiderar, no entanto, o fato de que Joseph Smith via o processo como uma tradução e que elaborou inclusive um “alfabeto e gramática egípcia” (que me chama a atenção por conter muitos elemento que não entraram no Livro de Abraão e pela doutrina do sacerdócio patriarcal ali exposta).

      • Muito bom Antonio !
        Muito interessante a palavra “muleta”, pois como eu disse, creio que tudo estava dentro da mente de Joseph. As analogias, os alfabetos etc são meros detalhes, o mais importante é o conteudo que veio à luz .
        O mesmo da-se com o livro de Mormon e todos (os que buscam informaçoes) conhecem as historias da “pedra de vidente” (não oficial), do Urim e tumim, as placas que sumiram etc.
        Todos querem provas mas não entendem que as provas são os proprios livros.
        Realmente Antonio, o livro de abraão é muito rico, o de Moises também, junto com a sessão 76 de D&C são minhas escrituras preferidas.
        Do livro de Mormon , pra mim, a passagem marcante é a aparição de Cristo nas americas.
        Como vc pode imaginar, sou apaixonado pela “doutrina profunda” e nisso aplico toda minha fé e conhecimento e a doutrina não me decepciona, pelo contrario, não canso de dizer que é fascinante.
        até mais irmão !

    • Mauricio, respondendo sua pergunta inicial, com certeza.

      A possibilidade que vc levantou é bem plausível, já pensei sim, mas fico em dúvidas se realmente o retante do manuscrito não seria o que ele utilizou, pegando apenas as figuras emprestadas para representar algo mais antigo.

      • Certamente, ele pegou “figuras emprestadas”. Mas não que representassem nada que pudesse ser racional e historicamente vinculado ao passado “mais antigo”.

        Com a maioria do texto do “Livro de Abraão” encontrado, com os seus trechos iniciais e finais, e com a abundância de exemplos similares demonstrando os significados das gravuras — sem falar nos textos que acompanham as próprias gravuras, não há nenhum peça de evidência crível que justifique essa crença.

        Esse tipo de raciocínio segue a mesma crença de que os rituais maçônicos, de onde Smith teria “emprestado” os seus rituais templários, teriam sido herdado desde o Templo de Salomão. Não há nenhuma evidência crível racional, há um montanha de evidências contra e nem os próprios Maçons crêem nisso, mas como é impossível provar uma negativa, não se pode dizer que isso seja impossível. Irracional, sim. Impossível, não.

      • O que vc diria sobre papiro Leiden I 384?

        Maioria do texto encontrado? Quem disse?

        Sobre os rituais, creio que na verdade, o Senhor usou os símbolos em questão para revelar a investidura.

  6. Acho perfeitamente saudável, com devido respeito ao autor do artigo, que analisemos as questões sobre o Livro de Abraão e demais assuntos abordados no vozesmormons através de outros pontos de vista também e tirarmos nossas próprias conclusões. Porém, se ainda restar dúvidas, poderemos seguir o exemplo de Joseph Smith:

    “Quando chegou a Kirtland, no final de junho, os santos mostraram grande interesse pelas múmias e papiros. Chandler havia ouvido falar que Joseph Smith dizia poder traduzir registros antigos. Ele pediu a Joseph Smith se poderia traduzir os papiros. Orson Pratt relembra: “O Profeta examinou-os e recolheu-se a seu quarto, onde perguntou ao Senhor a respeito deles. O Senhor disse-lhe que eram registros sagrados” e revelou a tradução de alguns dos caracteres.” (História da Igreja na Plenitude dos Tempos; Capítulo 13 – Dias Gloriosos em Kirtland, 1834-1836; página 159)

    • Marcos, o que eu acho mais interessante é como dois manuais do Instituto da Igreja (este que você citou acima e o da Pérola de Grande Valor) tacitamente concordam com o meu artigo acima, de que os papiros não continham escritos de Abraão!

      Ambos admitem que os Papiros de Joseph Smith foram encontrados, que eles são textos funerários, que eles datam mais de 2.000 anos depois de Abraão e que eles nunca mencionam Abraão.

      Além disso, ambos manuais, publicados pela Igreja, admitem que Smith não traduziu o Livro de Abraão no sentido técnico do verbo, como quem usa o Tradutor da Google (ao escrever que o “Profeta Joseph Smith não explicou seu método de traduzir esses registros”) e que não há evidências que corroborem a historicidade do Livro de Abraão como encontrado nos papiros (ao escrever que “um testemunho da veracidade desses escritos é basicamente uma questão de fé…” e que “evidência da veracidade do livro de Abraão não se encontra em uma análise de suas evidências físicas nem de seu fundo histórico…”).

      • Sinceramente, você distorceu completamente o que dizem os manuais. Porque não falou das partes em que os manuais afirmam sobre o teor sagrado do Livro de Abraão?

        [Editado e moderado de acordo com a Política de Comentários]

      • Marcos, você levantou dois pontos importantes aqui:

        1) Eu não falei “das partes em que os manuais afirmam sobre o teor sagrado do Livro de Abraão” por dois motivos muito simples: a) Nada seria mais óbvio do que um manual oficial da Igreja tratasse um texto do cânone oficial de Escrituras Sagradas como “teor sagrado”. Quando alguém lhe diz que esta “fazendo sol”, você pergunta se o céu “é azul”? b) A questão se o Livro de Abraão tem “teor sagrado” nunca foi, em nenhum momento, o foco da discussão acima. Re-leia o artigo acima, e preste atenção se há especulações sobre o “teor sagrado” do texto do Livro de Abraão. Achou? Não. Pois é. Irrelevante para a presente discussão.

        2) Eu não “distorci” o que dizem os manuais. Eu apenas li o que dizem os manuais! Eu vou lhe sugerir que há, basicamente, dois modos de se ler um texto.

        A primeira é uma leitura mais infantil, mais simplística, mais linear: lê-se uma palavra atrás da outra, um frase atrás da outra, e aceita-se as conclusões e construções como lhes são entregue.

        A segunda é mais adulta, mais intelectual, mais exigente: lê-se o texto, considera-se o que foi dito, considera-se o que não foi dito, considera-se como o que foi dito foi construído e por quê, e raciocina-se para si as próprias conclusões e construções.

        Cada um deve escolher como irá abordar um texto, e isso é uma escolha muito pessoal. O que eu estou expondo aqui é simplesmente um guia para ajudar aqueles que não sabem (ou não estão acostumados) a ler textos como adultos.

        Por exemplo.

        Quando você lê: “O Profeta Joseph Smith não explicou seu método de traduzir esses registros…”

        Você deveria se perguntar: Por que escreveriam isso, se Smith traduziu os registros como supõe-se pelo têrmo “traduzir” ou como sugere-se quando Smith monta um guia de alfabeto e gramática egípcia?

        Quando você lê: “… um testemunho da veracidade desses escritos é basicamente uma questão de fé…”

        Você deveria se perguntar: Por que escreveriam isso imediatamente após um breve reconhecimento de que não se sabe “como” Smith “traduziu” os registros, e logo antes de uma admissão de que não há evidência histórica que apoie uma tradução literal?

        Quando você lê: “… evidência da veracidade do livro de Abraão não se encontra em uma análise de suas evidências físicas nem de seu fundo histórico…”

        Você deveria se perguntar: Por que escreveriam isso se houvesse quaisquer “evidências físicas” ou “fundo histórico” para a “veracidade do livro”?

      • No link são descritas duas hipóteses:

        “One explanation is that it may have been taken from a different portion of the papyrus rolls in Joseph Smith’s possession. In other words, we don’t have all the papyri Joseph Smith had—and what we do have is obviously not the text of the book of Abraham. The Prophet described the papyrus he used in translation in these words: “The record … found with the mummies, is beautifully written on papyrus, with black, and a small part red, ink or paint, in perfect preservation.” (History of the Church, 2:348.) The Book of Breathings papyrus has no writing in red ink and is in an extremely poor state of preservation. It must have been in much the same condition in Joseph Smith’s day when fragments of it were glued haphazardly to other totally unrelated papyri. In fact, part of the outer border of facsimile two [Facsimile 2] in the book of Abraham has some of these unrelated fragments inserted in it.”

        “A second explanation takes into consideration what Joseph Smith meant by the word translation. While translating the Book of Mormon, he used the Urim and Thummim rather than dictionaries and grammars of the language. Translating with the Urim and Thummim is evidently a much different process than using the tools of scholarly research.”

        È claro que na página da Igreja citada acima essas duas hipóteses são explicadas com maiores detalhes. Eu gostaria de saber do Marcello se ele já conhecia essas duas hipóteses e qual sua opinião a respeito.

      • Sim. Ambas são velhas e manjadas.

        1) O mito do papiro com tinta rubro-negra vem de um erro (intencional ou acidental) na leitura dos relatos originais. Oliver Cowdery copiou os anúncios de Michael Chandler ao publicar a notícia sobre os papiros sem se dar conta de que estava mencionando papiros que Chandler já havia vendido antes de chegar em Ohio — e nós sabemos disso pois Cowdery menciona um número maior de rolos e fragmentos (e múmias) que Smith nos conta em seus relatos. Quando B. H. Roberts compilou os relatos para o seu História da Igreja, usou o texto de Cowdery e o adaptou na “voz” de Smith (deixando isso claro no rodapé).

        Nós temos a maioria do rolo do Livro de Respirações (i.e., “Livro de Abraão”), com seu começo, seu meio, e seu fim. Nós temos pedaços claros do rolo do Livro dos Mortos (i.e., “Livro de José”), suficientes para estabelecer de que o rolo incluia texto de dois documentos originais, para dois mortos diferentes, em anos diferentes, e que fora amalgamado posteriormente.

        Que essas desculpas ridículas persistem como uma “hipótese” é uma vergonha para a integridade intelectual (sem falar na honestidade básica) destes apologistas que insistem nelas.

        2) Quanto ao argumento de que os papiros apenas serviram de inspiração para revelações recebidas, trata-se de uma proposição sobrenatural e, portanto, não cabe ao escrutínio racional ou histórico.

  7. Caro amigo Marcello…

    A despeito de algumas críticas sobre este rico debate, temos que admitir que sem dúvidas, o livro de Abraão trouxe a luz grandes informações que seriam totalmente desconhecidas somente pelo estudo da Bíblia.

    Verdades como: Os Pais de Abraão adoravam ídolos; Terah, pai de Abraão, adorava ídolos; Terah, após se arrepender, retornou aos seus ídolos; Ídolos adorados na Caldéia eram ídolos egípcios; Sacrifício de Abraão e outros; Crianças eram sacrificadas; Aqueles que não adoravam ídolos eram mortos; Abraão foi trazido para ser morto ou sacrificado porque ele não adoraria ídolos”, “Terah, seu pai, estava por trás da tentativa de matar Abraão”, “Abraão foi preso ou amarrado; Quando sua vida estava em perigo Abraão orou; Um anjo veio para resgatar Abraão; Deus resgatou Abraão da morte; O altar (fornalha) e os ídolos foram destruídos; O sacerdote (ou líder) foi ferido e morto; Abraão era herdeiro ao sacerdócio de seus pais; Abraão portava o sacerdócio; Abraão ligado por sua linhagem a Noé; Crentes são a semente de Abraão e abençoados através dele; Abraão busca a Deus ansiosamente; Abraão faz conversos em Haran; Abraão possuía registros de astronomia os quais aprendeu de antigos registros e de Deus; Abraão ensinou astronomia aos egípcios; Abraão conhecia sobre a criação; Plano anterior para a criação; Os elementos da Terra obedecem a Deus; Abraão viu os espíritos pré-mortais; O Senhor instrui a Abraão a dizer que Sarah era sua irmã; Abraão possuía registros de seus pais; Abraão deixou registros de seu próprio punho; Faraó e a Fundação do Egito; Faraó era um descendente de Ham e também de Canaã; O primeiro Faraó, um bom homem, foi abençoado por Noé; Foi permitido a Abraão sentar no trono do rei; Houve uma grande fome na terra de Abraão; Abraão orou a Deus para que findasse a fome na Caldeia; Haran, irmão de Abraão, morreu na grande fome; Abraão tinha 62 anos de idade quando deixou Padan-Haran, não 75 como diz o Gênesis; Abraão tornou-se como um Deus, etc….

    Outra coisa interessante: Quanto à questão sobre as traduções numeradas dos hieróglifos dos fac-símiles, um fato digno de nota é que em 1912, o bispo episcopal A. F. Spalding da região de Utah reuniu oito grandes egiptólogos da época e submeteu os fac-símiles do Livro de Abraão tal como se encontram hoje no Livro de Pérola de Grande Valor, junto com a tradução dos hieróglifos numerados feitas por Joseph Smith. A priori ele saiu satisfeito quando a tradução destes egiptólogos saía diferente daquela feita pelo profeta. O caso rendeu uma boa polêmica e como na época não havia ninguém na Igreja versado em egiptologia o suficiente para fazer a defesa, parecia que a balança da verdade estava pendendo para os adversários de Joseph, contudo, um não mórmon e não residente de Utah mas um profundo erudito em egiptologia levantou-se em favor do profeta. Ele soube da polêmica pelos jornais e resolveu de per si investigar o assunto mais a fundo, sem nunca ter recebido um convite da Igreja para o fazer. Tais diferenças e dificuldades devem-se ao fato do egípcio ser uma linguagem pictográfica, isto é, um mesmo símbolo pode ter vários significados, a figura de um sol pode significar “sol”, “dia”, “calor”, “glória”, etc. Por exemplo, no fac-símile III, alguns egiptólogos apontam a tradução do No. 2 como sendo o nome da Deusa Ísis, acontece que esta mesma deusa é usada para designar a Faraó em alguns outros pergaminhos, como o traduzido por Smith!

    No entanto, entre outras coisas citadas em trechos retirados do manual “História da Igreja na Plenitude dos Tempos”, páginas 159, 246, 258 e 488, ao citar uma crítica do supracitado reverendo F. S. Spalding (bispo da igreja episcopal de Utah), complementa-se que “a Igreja ainda assim reconheceu a necessidade de responder a essas críticas. De fevereiro a setembro de 1913 uma série de artigos foi publicada a quase todo mês na revista Improvement Era, fornecendo possíveis respostas”. Fiquei muito interessado nestes artigos de 1913 no Improvement Era… Se alguém encontrar e postar, seria uma ótima contribuição ao saudável debate que aqui realizamos.

    Também, penso eu que da mesma maneira que contra-argumentou tão bem com uma citação incrível de Pratt quanto a “[convencer-nos] de nossos erros de doutrina, se tivermos algum, através da razão, através de argumentos lógicos, ou através da Palavra de Deus, e seremos eternamente gratos pela informação, e vós tereis a gratificante satisfação que haverem sido instrumentos nas mãos de Deus ao redimir seus colegas da escuridão que envolviam [nossas] mentes.” (Pratt, Orson. O Vidente, Março 1854), também deveria ser um pouco respeitoso com o pronto-embasamento que o Adriano postou de um renomado estudioso: “Néfi menciona as profecias de José, registradas nas placas de Labão, e conclui que “E não há muitas profecias MAIORES do que as que ele escreveu.” (2 Néfi 4:2). Mas onde se encontram as profecias de José? Por que não se encontram no Antigo Testamento. O registro de Abraão, traduzido pelo Profeta, foi subsequente publicado, e agora é conhecido como o Livro de Abraão, na Perola de Grande Valor. A tradução do Livro de José, entretanto, AINDA não foi publicada. EVIDENTEMENTE O PROFETA TRADUZIU ESSE REGISTRO,mas talvez ainda não tenha sido publicado, porque as grandes profecias ali contidas eram ‘grandes demais’ para o povo desta época.” (Ludlow, A Companion to Your Study of Book of Mormon, pp.130-31.)

    Ademais, difícil crer no “desconforto” que você alegou ter a Igreja, quando os líderes da mesma ainda continuam a citar Abraão como fundamento em seus ensinamentos nas Conferências Gerais, mesmo neste ano do “aniversário” que mencionou: “Quando Eloim, o Deus Eterno e Pai de nosso espírito, apresentou Seu plano de salvação, houve um entre nós que disse: “Eis-me aqui, envia-me” (Abraão 3:27). Seu nome era Jeová.” Élder Donald L. Hallstrom (Conf. Geral ABR/2012)

    • David,

      Você levantou muitos pontos interessantes ao mesmo tempo, então perdoe-me por responder da maneira mais direta e menos florida possível, por questão de espaço e tempo:

      1) Nenhuma dessas “verdades desconhecidas pela Bíblia” que você cita acima tem qualquer tipo de verificação histórica ou arqueológica.

      2) Nenhuma das “traduções” de nenhum dos caracteres egípcios feitas por Joseph Smith é confirmada por acadêmicos especializados em egípcio antigo.

      3) Improvement Era, 1913 aqui.

      4) Nenhum historiador SUD, nenhuma Autoridade Geral SUD, nenhuma anotação feita por Joseph Smith ou qualquer escrivão ou secretário dele, nenhuma peça de evidência histórica, nenhuma menção em qualquer diário de qualquer membro da Igreja entre 1835 e 1844 sugere que Smith tenha traduzido o Livro de José. Não há nenhuma indicação, em nenhuma fonte, de que essa tradução tenha sido realizada, que dirá exista!

      “Evidentemente o Profeta traduziu esse registro”? Baseado em qual evidência? Ele menciona alguma evidência para essa afirmação? Não. Por que? Porque não existe. Se ele não tem nenhuma evidência, por que diz “evidentemente” e por que afirma que ele “traduziu esse registro”?

      Daniel Ludlow simplesmente inventou essa estória! E eu não tenho respeito por “renomados estudiosos” que inventam estórias.

      5) Interessante essa citação em Conferência Geral. Eu não a conhecia. Obrigado.

      Você deve ter notado que ela não vem de um dos Apóstolos ou um da Primeira Presidência, o que faz muita diferença.

      A impressão que eu tenho com relação ao desconforto vem precisamente do linguajar cuidadoso que os manuais oficiais usam ao falar sobre o Livro de Abraão (e.g., “O Profeta Joseph Smith não explicou seu método de traduzir esses registros”, “um testemunho da veracidade desses escritos é basicamente uma questão de fé…” e que “evidência da veracidade do livro de Abraão não se encontra em uma análise de suas evidências físicas nem de seu fundo histórico…”). Eu não vejo o mesmo tipo de equivocação quando se escreve, por exemplo, sobre o Livro de Mórmon!

  8. Marcos disse:
    “…mesmo que as evidências da nova história apontem contra a veracidade do Livro de Abraão, eu não deixarei de tê-lo como verdadeiro e sagrado.” (05/12/2012 a 5:48 pm)

    Irmão, você está confundindo as coisas, não é isso, não é o que o artigo propõe. E o que eu quis dizer foi o seguinte:
    “a nova história diz que esses registros que Joseph recebeu de Chandler não são sagrados, mas sim, papiros funerários comuns.” (04/12/2012 a 6:45 pm)

    Ou seja, que as evidências históricas apontam contra a autenticidade dos PAPIROS – como sendo escritos do próprio punho de Abraão e o relato de Joseph Smith ao dizer que era – e não, contra “a veracidade do livro de Abraão” e “o seu teor sagrado”, ou contra o chamado profético de Joseph. Capitou?

    • Para você, o conteúdo do Livro de Abraão que consta em Pérolas de Grande Valor é verdadeiro e sagrado? Estou fazendo esta pergunta porque talvez eu não tenha capitado o que você quis dizer.

Deixe um comentário abaixo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s