O Verdadeiro Presente

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“Você dá pouco quando você dá de suas posses. É quando você dá de si mesmo que realmente dais.” (Kahlil Gibran)

Tanto no Natal quanto na Virada do Ano, existe uma prática tradicional e muito apreciada, que leva seus participantes a concentrarem seus esforços nela, e por vezes, no frenesi do momento, esquecerem-se da razão pelo qual a prática foi inspirada e em lembrança do que (ou de Quem) tal prática foi idealizada…

A troca de presentes, tão comum quanto quase que indispensável, acaba por vezes, substituindo o verdadeiro sentimento que deveria reinar nas datas comemorativas supracitadas…

Um pensamento atribuído ao Padre Rafael de Queiroz Neto, abrange bem este ponto, abordando a época natalina:

“Hoje se propaga, furtivamente, o consumismo desenfreado, fazendo com que as pessoas se dediquem muito mais à preocupação com aquisição de bens e com a comemoração da troca de presentes do que com o verdadeiro sentido da festividade, que é o nascimento do Salvador de nossas vidas. Infelizmente, as consequências desta escolha são, regra geral, dissaborosas, pois uma vez passado o efêmero prazer e deleite da festividade ou mesmo durante o seu curso, (…) as pessoas voltam à triste realidade de sua distante comunhão com o Espírito de Deus, sentindo-se solitárias, abandonadas e incompreendidas. (…)”

No Réveillon, não é diferente… A prática consumista e materialista a pouco mencionada, tem roubado não só a emoção natalina, mas igualmente o potencial de análise retrospectiva de conquistas e fracassos do ano que termina e a esperança de recomeço com a renovação de metas e ânimo para atingí-las….

Embora eu me divirta em participar de “Amigos Secretos” e como a maioria das pessoas, também aprecie receber e dar presentes, me preocupo se não temos nos esquivado da rica oportunidade, que estes eventos trazem (ou deveriam trazer), caso não fossem, na maioria dos casos, distorcidos de seu propósito original, e por de trás de falsos “brilhos”, o lucrativo comércio esconde a escuridão e frieza sentimental, gradualmente distanciando emocionalmente as pessoas, embora fisicamente próximas.

Parafraseando John Andrew Holmes, deve ser por isso que “o Natal passou a significar o período em que o público tem Papai Noel para os comerciantes” e o “ano novo”, traz aos mesmos, fogos de artifícios!

Os Magos do Oriente
Voltando ao Natal, é possível que a prática da troca de presentes tenha sido inspirada na famosa narrativa bíblica que disserta a marcante visita ao menino Jesus de magos vindos do oriente, guiados por uma estrela, da qual Lhe presentearam com objetos de riquíssimo valor à época, bem como envoltos de simbolismos e profecias…

Em Mateus 2: 1-2,9-11 lemos:

“Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. (…) Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra.”

Neste trecho escriturístico, aprendemos e acreditamos que Cristo nasceu em Belém (embora alguns especialistas dizem haver indicações de que Ele teria nascido na Galileia) no dia 6 de Abril (obviamente não foi em 25/DEZ, dia que a Igreja adaptou para se contrapor à principal festa religiosa dos romanos. Há quem aponte outras datas). Mesmo com discordâncias, também aprendemos que os magos que O visitaram eram reais, tradicionalmente a visita teria acontecido em 06/JAN, não eram sacerdotes de Zoroastro mas profetas verdadeiros; não eram especificamente três, mas possivelmente até doze homens justos; eram também reis muito ricos, tanto em posses quanto em sabedoria e conhecimento. Estes reis-profetas podem ser oriundos de muitas regiões, especialmente a árabe, da qual são os principais descendentes de Ismael filho de Abraão, portanto,  representantes de um ramo do povo do Senhor. Como Abraão, conheciam as estrelas, e seguiram a estrela do oriente pra encontrar o menino (não um bebê) numa casa (não num estábulo), e o presentearam com ouro (Sua Realeza), incenso (Sua divindade) e mirra (Seu sofrimento e morte).

Tendo em base estas observações, lembrei-me de um programa teatral-musical de natal (“Canções Esquecidas”) que participei assim que retornei do campo missionário, em umas das músicas, ouvíamos e em nosso coração cantávamos junto a melodia que “os reis O encontraram, podemos também!” Como ensinou o Pres. Monson, “Quando O encontrarmos, estaremos preparados como estavam os Magos da antiguidade, para dar-Lhe presentes tirados de nossos muitos tesouros? Eles O presentearam com ouro, incenso e mirra. Não são esses os presentes que Jesus pede de nós. Jesus pede que doemos do tesouro de nosso coração.”

Presentes Verdadeiros
Como falei no início a respeito do real sentimento no Natal e Ano Novo, havendo ou não troca de presentes, é meu sincero desejo que nosso coração oferte mais daquilo que o dinheiro não pode comprar. Que nos concentremos mais no SER que no TER!

Sei que o que dissertei não é aplicável a todos, há quem desfrute do verdadeiro sentimento cristão e poderiam concordar em uníssono que “O Natal é um tempo de benevolência, perdão, generosidade e alegria. A única época que [conhecemos], no calendário do ano, em que homens e mulheres parecem, de comum acordo, abrir livremente seus corações.” (Charles Dickens) e que no Ano Novo, com este espírito ainda bem aceso, umas das metas para o esperançoso novo ano seria a de “[honrar] o Natal [no] coração, e [tentar] mantê-lo o ano todo.” (Charles Dickens)

Carlos Drummond de Andrade, então, completa:

“Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro,  tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

Doar-se sem esperar recompensas

‘”Doe-se. Mas não espere muito o retorno dos outros.” (Augusto Cury)

Na mesma linha de “doarmos do tesouro de nosso coração”, O Pres. Monson sugere “(…) que nosso Pai Celestial deseja que cada um de nós faça a Ele e a Seu Filho a oferta da obediência. Não deveríamos ser egoístas, gananciosos ou briguentos, mas sinto que Ele gostaria que doássemos de nós mesmos (…). (…) Nossas oportunidades de amar e dar de nós mesmos são de fato ilimitadas, mas também perecíveis. Hoje há corações a alegrar, palavras gentis a proferir, boas ações a praticar e almas a salvar.

Assim, entendo que O VERDADEIRO PRESENTE de Natal e de Ano Novo, na verdade, o presente pra darmos todos os dias a Cristo da parte mais nobre que preenchem nosso coração, “presentes” que com a certeza muito O agradaria, que seria mais gentileza nas palavras e ações, seria a maior frequência da prática da real filantropia sem alarde, o perdão contínuo mesmo àqueles que menos merecem, mais tempo presencial a quem amamos, maior zêlo pelo casamento, mais empenho pra se aproximar Dele, nos comprometer mais com nossos deveres e responsabilidades, uma melhor observância das sagradas leis do Dízimo, Moralidade, Palavra de Sabedoria e Dia do Senhor, fazer mais por nossos entes-queridos e o corajoso e desmedido proselitismo com amor e constância; e que nos esquivássemos dos malefícios da ira, do veneno do rancor, da terrível tendência de achar faltas uns nos outros que de tão viciante as vezes torna-se comum e/ou despercebida, da contagiante ganância e da avalanche de insensibilidade que inunda o mundo.

Decidamos presentear com o que mais importa, com o que tem mais valor, do tesouro de nosso coração. E que no[s] próximo[s] ano[s], nossas metas e feitos, sejam pra que este coração fique ainda mais rico, com aquela riqueza que muitos desejam, mas poucos encontram, dado o “preço” alto que tenham que pagar, ao trilhar um caminho “estreito e apertado”, que conduz a Vida Eterna, o maior de todos os presentes!

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Sobre David Marques

Eu: Longe de mim qualquer vestígio de egocentrismo, porém, valendo-me de confiáveis feedbacks de íntimos, bem como de honesta auto-avaliação, de modo geral, eu ousaria citar alguns pontos que precocemente se aproximam de uma possível definição de quem sou, certo de que sempre há o que melhorar, virtudes a se conquistar e/ou se desenvolver, e arestas a se lapidar. Atualmente, eu seria uma pessoa que poderia ser descrita como: Sorridente, Confiável, Amigo, Amável, Sensível, Dócil, Bondoso, Gentil, Paciente, Cavaleiro, Defensor de Mulheres e Crianças, Pacificador, Atencioso, que Elogia Sincera e Frequentemente, de Razoável Circunspecção, Ouvinte Imparcial, Controlado, Organizado, Vaidoso, Tolerante, Dedicado, Prestativo, Solidário, Auto-Crítico, Líder, de Significativa Oratória, Intelectual, Leitor e Pesquisador Apaixonado, que se Diverte jogando Tênis de Mesa e Futebol (Goleiro), bem como Assistindo Filmes de Comédia Romântica – Romances Históricos – Guerras de Época ou Contemporânea - Suspenses Inteligentes, que Alegra-se no convívio de Familiares e Amigos, que facilmente Refugia-se no Aconchego do Lar, que Ama indescritívelmente sua Linda e Incrível Esposa e suas belas filhas. Profissional: Formado em Gestão de RH (UNINOVE) SP [2008]. Experiência em Departamento Pessoal e Legislação Trabalhista [Desde 2006]. Descrição: Habilidade em trabalhar em equipe. Facilidade de adaptação à cultura interna da empresa. Boa oratória e sociabilidade. Senso de responsabilidade, comprometimento, determinação e proatividade. Profissional com experiência de 07 anos na área de administração de pessoal, desenvolvendo e propondo melhores práticas nas execuções de processos. Responsável por gerenciar e conferir todos os serviços de assistentes. Especialista em confecção de folha de pagamento de diversos segmentos (Saúde, Construção Civil, Advocacia e Comércio) e a subseqüente geração de encargos, implantação, afastamentos, compra de benefícios, procedimentos admissionais e rescisórios, férias e 13º salário, CAGED, DIRF, RAIS, relações sindicais, etc. Sólida vivência e conhecimento nas legislações trabalhistas envolvendo empregados regidos pela CLT, Jovem Aprendiz, Autônomos e Domésticos. Eclesiástico: SUD [Desde 1993]; Formado em Seminário SUD (SEI) RGS [2000]; Professor Escola Dominical SUD (RGS) [Desde 2001]; Missionário SUD (Treinador, Líder Distrital [LD] e Regional [LZ]) PA e AP [2001 a 2003]; Oficiante do Templo de São Paulo [2004 a 2005]; Líder da Missão Local (LMA) [2004 a 2005]; Diretor Regional de Centro de História da Família [2004 a 2009]; Líder Homens Adultos (Quórum de Élderes) [2005 a 2007]; Secretário Executivo da Unidade [2009]; Formado em Instituto SUD (SEI) [2006] e nos Níveis Avançados 1 [2008] e 2 [2010]; Membro de Auto-Conselho Regional SUD (Sumo-Conselho) [2009 a 2011]; Secretário Equipe Musical da Unidade [2011]; Professor Instituto SUD [2006 a 2012]. Bispado SUD (RGS) [Desde 2011]. Outros: Vice-Presidente do PSDC (RGS) [2010]; Membro do Conselho ABEM (Associação Brasileira de Estudos Mórmons) [Desde 2009].
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