Brasil na História Diária da Igreja: 10 de Março de 1844

Lyman WightHá muitos anos os historiadores da Igreja criaram uma cronologia de documentos sobre a história da Igreja conhecido como o “Journal History of the Church” (História Diária da Igreja). Hoje um documento muito útil para historiadores, ele pode serve como um ponto de iniciar estudos históricos.

Com esse artigo pretendo começar uma nova série de artigos, um para cada vez que o Brasil aparece no “Journal History of the Church” e em outros documentos básicos da Igreja. Em geral esses artigos não vão falar da Igreja no Brasil, pois a maioria deles aconteceram antes da chegada dos primeiros missionários. Mas, vão mostrar algo sobre a percepção do Brasil para os líderes e talvez os membros da Igreja.

A primeira menção do Brasil no “Journal History of the Church” acontece no 10 de Março de 1844, a mesma data em que Joseph Smith deu o seu discurso mais famoso, o discurso funerário King Follet. O funeral foi na parte da manhã, e à tarde, Joseph se reuniu com o Quórum dos Doze, e nesta reunião foi lida uma carta do Apóstolo Lyman Wight e outros de seu grupo, localizados em Wisconsin. É nessa carta que se encontra a menção do Brasil.

As circunstâncias da carta merecem uma explicação. Logo após a fundação de Nauvoo em 1839 houve a necessidade de madeira serrada e um grupo de membros foram mandados para a área da foz no Rio Black de Wisconsin, a fim de estabelecer uma serraria lá. Wight havia sido mandado lá no ano anterior para corrigir algumas falhas na gestão da serraria. Na época houve mais ou menos 150 membros na região da serraria, todos imigrantes temporárias de Nauvoo. A carta foi escrita por um comitê dos membros chefiado por Wight e parece representar seu ponto de vista muito bem. Este é o parágrafo que menciona o Brasil:

Agora, sob todas essas circunstâncias, alguns de nós aqui já chegamos a esta conclusão em nossas mentes (assim como pode acontecer com todas as coisas,) — que, como o Evangelho não foi totalmente aberta em todos os Estados do Sul e do sudoeste, como também em Texas[1], México, Brasil. & etc., juntamente com as ilhas das Índias Ocidentais, tendo produzido madeira suficiente para construir o templo e a Casa de Nauvoo, — também tendo uma influência sobre os índios, de modo a induzi-los a vender suas terras para os Estados Unidos, e emigrar para o clima do sudoeste. (tudo de acordo com a política do governo dos EUA), — e tendo sido também convencidos de que a Igreja em Nauvoo ou nos Estados Oriental não vai construir a Casa de Nauvoo de acordo com o mandamento[2], nem o Templo em um tempo razoável[3], e que temos, tanto quanto nós fizemos ensaios, meios no sul, — nós temos em nossas mentes para mudar para o planalto de Texas, a um ponto que podemos achar mais apto, lá localizar, e que seja um lugar de coligação para todo o Sul (eles sendo onerado com aquela raça de seres infelizes, os negros)[4], e para nós a empregar nosso tempo e talentos em reunir meios para construir de acordo com os mandamentos de nosso Deus, e difundir o Evangelho para as nações de acordo com a vontade de nosso Pai Celestial. Nós, portanto, nossos amados irmãos, enviamos nosso irmão digno, irmão Young, com alguns de nossos pensamentos, no papel, que vocês podem levar a matéria em apreço, e devolver-nos tais instruções que possam ser de acordo com a mente e a vontade do Senhor nosso Deus.

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Não se sabe como a ideia de emigrar para o Texas entro na mente de Wight. Ele nunca tinha visitado o Texas. Mas parece que a ideia viesse de motivos bons, pois nesta carta ele o ligue com o proselitismo dos índios e a expansão da obra missionária para a América Latina (incluindo o Brasil). E depois de voltar a Nauvoo em Abril de 1844, Joseph Smith aprovou a proposta de Wight para estabelecer uma colônia em Texas junto com o conselho dos 50, mandando ao mesmo tempo um irmão Woodworth para o governo de Texas, a pedir uma extensão de terreno “sobre o qual nós, a Igreja, podemos ter controle, para que pudéssemos encontrar um lugar de descanso para um pouco de tempo.”

Depois da morte de Joseph Smith no 27 de Junho de 1844, Wight continuou com o projeto de criar uma colônia no Texas, mesmo sem o apoio e o conselho dos outros apóstolos. Ele viajou com um grupo de membros para a região de Austin, Texas em Abril de 1845, chegando no local em Julho. E enquanto essa colônia mudou de lugar em lugar durante mais de 10 anos, Wight recusou de seguir as instruções de Brigham Young e foi excomungado em 1848, depois de publicar um panfleto em que atacou os outros apóstolos. Ele morreu lá em 1858.

Mas a ideia de pregar o evangelho na América Latina não ficou com ele. Em 1851 Parley P. Pratt viajou a Chile na tentativa de lançar a obra missionária lá, mas o esforço falhou quando Pratt não conseguiu sucesso lá, nem com conversos, nem com a língua. A abertura da obra missionária na América Latina esperou mais 24 anos, até o Dan Jones entrou no México e começou a pregar e publicar, mas ainda a missão foi aberta apenas em 1881. A obra missionária na América do Sul demorou ainda mais, até a chegada de Melvin J. Ballard na Argentina em 1925. Os missionários chegaram no Brasil em 1928, 84 anos depois dessa menção nos registros da Igreja.

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Notas

1. Nessa época Texas era um país independente, desde 1836. Ele aceitou anexação aos Estados Unidos em 1845.
2. D&C 124:22–24
3. D&C 124:25–28
4. Essa atitude de Wight não era incomum na época, mesmo entre a maioria dos abolicionistas (os que queriam livrar os escravos). Enquanto estes queriam proibir a escravidão, ainda pensaram que os negros eram desgraçados e menos inteligentes que os brancos.

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