Brasil na História Diária da Igreja: 25 de Abril de 1844

Addison PrattEnquanto missionários da Igreja não visitaram o Brasil antes do século 20, parece que pelo menos um missionário Mórmon passou perto de território brasileiro bem antes disso, ainda durante a vida de Joseph Smith. E este missionário, Addison Pratt, junto com mais três missionários, viajou durante muitos meses para chegar em seu campo de trabalho nas Ilhas de Taiti. Chamados para as Ilhas de Sandwich (hoje Havaí) em Maio de 1843, eles sairam de New Bedford, Massachusetts (cidade em que mais de 40% da população atual fala português) no navio Timoleon em 9 de Outubro de 1843.

Pratt mantinha um diário durante a missão e também escreveu cartas para a família e para a Igreja. Ele indicou na carta em baixo que tinha escrita uma cara para sua esposa desde Cabo Verde — que faz esse arquipélago o primeiro território português e a primeira terra em que se fala a língua portuguesa visitado por um missionário Mórmon.

Mas depois de sair de Cabo Verde, o navio Timoleon passou a ilha da Trindade, na época, como agora, território brasileiro. Pratt escreveu uma carta para o editor do jornal Times and Seasons em Nauvoo descrevendo a viagem assim:

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Das “Ilhas do Mar.”

Navio Timoleon, Oceano Pacífico, 25 de abril de 1844, Latitude 25 graus. 19 min. sul, Longitude 149 graus. 11 min. a oeste de Greenwich.

Elder W. W. Phelps

Caro irmão em Cristo:—Como eu prometi antes de sairmos de Nauvoo de escrever-lhe, eu aproveito a oportunidade, pois estamos nos aproximando de Taiti onde em toda a probabilidade vamos encontrar um navio lá com destino a casa. Eu não tenho aquela porção de matéria interessante que sem dúvida deveria ter se já tivessemos entrado em nosso campo de trabalho, mas como temos realizado uma passagem que nos transportou mais de três quartos da volta de todo o mundo, um esboço grosseiro da nossa viagem pode não ser desinteressante para você, como eu sei que você é um historiador. Eu escrevi-lhe a minha esposa a partir de Cabo Verde, e os pormenores até aquele lugar você já tem, sem dúvida, aprendido. Eu também iniciei uma carta ao irmão Brigham Young, em que eu dei-lhe breves detalhes de nossa situação a bordo do barco. Com você eu vou começar um diário breve.

Nós pousamos em duas dessas ilhas, São Nicolau e São Iago. Vimos algumas outras, a mais interessante das quais era Fogo, ou Terra de Fogo, em Inglês seria “land of fire.” Tinha sido um vulcão, e tem a aparência de um pão de açúcar grande sentado no vasto oceano com sua parte superior muito acima das nuvens. Deixamos aquelas ilhas a 19 de novembro rumo ao sul; ventos fracos e calmarias com o tempo muito quente acompanhavam-nos até depois que cruzamos a linha do Equador e, depois, tomamos fortes ventos alísios ao sudeste; estes levaram-nos para o Brasil, nós estávamos perto da ilha da Trindade.

Tivemos oportunidades freqüentes para nos divertir na pesca para orcas, botos, terbercores, listados, e os golfinhos, os dois primeiros são das espécies de baleia—o maior deu dois barris de espermacete.

No dia 3 de janeiro de 1844, (agora vou extrair do meu diário), “There They B-lo-w” (indicando baleias) e “L-an-d ho!” (indicando terra vista) foram gritados de ambos as calceses de uma vez. Baleias e a ilha de Tristão da Cunha foram vistos num só olhar. Fica a 36 graus de latitude sul, 15 graus de longitude oeste.

Quarto dia. Começou soprando ar fresco ontem à noite e continuou a aumentar, e esta manhã sopra o maior vendaval que temos vivido desde que saímos de New Bedford. Estamos velejando sob traquetina, a vela de estai do mastaréu foi levado pelo vento.

As ilhas de Tristão da Cunha, a Ilha Nightingale, e a Ilha Inacessível, agora estão todas à vista, e o ar está cheio de pássaros do Mar do Sul de todos os tamanhos, desde o albatroz até o petrel. Nós nos divertimos a pescar para eles: pegamos cinco albatrozes quase de um tamanho. Nós medimos um deles, enquanto vivo: suas asas de ponta a ponta foram 10 pés quatro polegadas (3.15m).

Tristão da Cunha faz uma boa aparência. É mais ou menos o tamanho e a altura da montanha Monadnock no condado de Cheshire em New Hampshire.

Addison Pratt. “From the ‘Islands of the Sea,'”
Times and Seasons, v5 n21, 15 November 1844, p. 707-708.

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A missão de Addison Pratt foi o primeiro de várias missões em áreas do mundo bem distantes da sede da Igreja nos Estados Unidos. Pratt tinha um pouco de sucesso no Pacífico, voltou aos Estados Unidos em 1848, e voltou com sua família a Taiti em 1850 como missionário, saíndo apenas em 1852 quando o governo da França proibiu a obra missionária lá.

E a experiência de Pratt em passar perto do Brasil não era único. Pelo menos mais uma viagem de Mórmons também atravessou o oceano Atlântico do Sul sem parar na costa leste da América do Sul. Não entendo por que não pararem no Brasil.  A parada em Cabo Verde podemos explicar pois o arquipélago era conhecido como uma parada útil no comércio do atlântico. E acho que o Brasil também era uma parada importante nas viagens através do estreito de Tierra del Fuego. Mas as viagens dos Mórmons não pararam no Brasil.

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