Igreja reconhece ordenação de negros no séc. XIX mas insiste em “nós não sabemos”

O novo cabeçalho da Declaração Oficial 2

Elijah Abel (1808 -1884)

Elijah Abel (1808 -1884)

Recentemente, a Igreja SUD lançou em formato digital os novos cabeçalhos para suas obras-padrão. Entre as mudanças mais significativas, está a nova introdução para a Declaração Oficial 2, documento que encerrou, em 1978, um longo período de exclusão de membros negros da ordenação ao sacerdócio, investidura e selamentos.

O texto, disponível apenas em inglês até o momento, diz

Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio. No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana. Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática. Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação.

O novo cabeçalho presta um grande serviço à história ao reconhecer a ordenação de homens negros como Elijah Abel e Walker Lewis. Creio que isso seja fato desconhecido da imensa maioria de membros sud.

Por outro lado, o novo texto acaba por reforçar a ideia de que não sabemos por que os negros acabaram por ser excluídos do sacerdócio. Claro que poderia ser pior: poderia-se afirmar que a exclusão foi baseada em uma revelação divina. Nesse ponto, o cabeçalho apresenta até certa ambiguidade ao afirmar que “líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática”.

A lacuna mantida no novo cabeçalho diz respeito às mulheres negras: a proibição de ordenar homens negros ao sacerdócio, aliada à proibição de selamentos inter-raciais, também impedia até 1978 o acesso dessas mulheres às ordenanças maiores do templo.

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38 respostas para Igreja reconhece ordenação de negros no séc. XIX mas insiste em “nós não sabemos”

  1. pcmarcelo disse:

    na minha opinião, aos poucos, homens inteligentes e tementes a Deus, irão se subjugar e ter posição mais humilde e não descontextualizada, não arraigando em seus pensamentos como se fosse o de Deus, como ocorreu, disseminando o preconceito em todas suas formas…para uma vontade única , à de Deus…fazendo com que todos os seres humanos, possam usufruir da s bênçãos que Deus pode proporcionar a seus filhos nesta terra, permitindo com que todos eles possam desenvolver todos seus dons e talentos na obra de Deus, coisa não permitida até os anos de 1978, pelo preconceito e interpretação equivocada das escrituras naquela época ao racismo, e até os dias de hoje, nas questões sexuais, hoje já com ampla notoriedade mas infelizmente ainda não temos líderes corajosos, como vemos neste caso, não reconhecendo o um dos grandes erros de Brigham Young, um dia creio eu teremos líderes inspirados para um pensamento moderno e mais justo.

  2. Brigham Young sabia muito bem porque os negros não podiam receber o sacerdócio (ainda mais quando ele mesmo deu inicio a esta prática), e a igreja (hoje) também sabe, só que ela prefere mentir e omitir muita coisa ao dizer: “Nós Não Sabemos”. Complicado!

    • marcos disse:

      Parece que membros do site mormonsnegros.com não concordam com você, eis o que eles dizem:
      “Como não sabemos a origem da proibição ao sacerdócio, podemos então categorizar a proibição como sendo uma lei mortal estabelecida para o ambiente social no qual A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se encontrava cerca de 150 anos atrás. Pode ter sido o que os líderes da Igreja no final do século dezenove e na maior parte do século vinte acharam que era o melhor para a época, assim sendo eles usaram as chaves do sacerdócio que possuíam para enfatizar seu ponto de vista e perspectiva que tinham sobre a situação vigente no mundo naquela época. Por causa de Seus propósitos, que não são por nós compreendidos a maioria das vezes, o Senhor permaneceu em silêncio sobre o assunto até o ano de 1978.”

      E eles também afimam:

      “Ninguém perdeu nada em se tornar um membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias antes de 1978, sem poder portar o sacerdócio. Uma pessoa podia gozar da maioria das bênçãos como membro da Igreja, incluindo o batismo, o Dom do Espírito Santo e as promessas de vida eterna. Mas aqui estamos hoje, e as boas novas é que isto é passado, e hoje todos podemos gozar TODAS as bênçãos do evangelho restaurado de Jesus Cristo.”

      Como podemos ver, eles estudam e debatem o passado, mas não guardam mágoas dos líderes do passado e também são da mesma opinião dos líderes atuais, ou seja, o “Nós não sabemos”. E, por fim, nos passam a impressão de que são muitos felizes por serem membros da Igreja hoje.

      • Marcos, o que você intende por essa declaração de Brigham Young:

        “Qualquer homem que tenha uma gota da semente de [Caim]… não podem possuir o sacerdócio, e se, nenhum outro profeta nunca falou isso antes, eu digo agora, em nome de Jesus Cristo eu sei que é verdade, e que todos saibam disso.” (Address to the territorial legislature, 16 January, 1852, recorded in Wilford Woodruff s journal of that date).

        Pra mim, está bem claro a autoria [e origem] da restrição do sacerdócio aos negros, ou seja, na administração de Brigham Young! Fique a seu critério [e de cada um] entender o que quiser. Eu só acho desonesto e covarde (principalmente por parte da igreja) dizer que “não sabe” o motivo: (porque, como, quando, onde, etc.), se documentos históricos demonstram o oposto e desmentem essa postura.

        Haviam pelo menos cinco negros que receberam o sacerdócio na presidência de Joseph Smith (inclusive um pelas próprias mãos dele) e no inicio da administração de Young também, porém, alguma coisa aconteceu a posterior, que Young passou a restringir o sacerdócio aos negros.

        Agora fica a pergunta: Se a igreja sabe o porque, como, onde e quando a proibição se originou, porque ela ainda insiste em dizer que não sabe?

        Pensa aí amigo!

      • israel.Sergio disse:

        num livro de romance esta um texto sobre os mormons e a maçonaria e algumas regras sobre o mesmo gostava de tirar minhas duvidas ok

  3. Ricardo Prins disse:

    De todas as inúmeras questões terríveis que há no evangelho, por que escolher justamente uma que pouco acresce para o nosso desenvolvimento moral, intelectual e espiritual e nela permanecer? Há certos momentos durante uma pesquisa científica onde o pesquisador percebe que, em virtude da falta de ferramentas e cabedal tecnológico é o momento de se partir para uma outra direção. Creio ser o mesmo verdade para o caso deste e de alguns outros assuntos. Não contaminemos coisas de caráter tão sagrado com nossas idiossincrasias limitadas. Tratemos das coisas como elas nos são dadas – sei que haverá momento onde nosso conhecimento nos permitirá delas melhor falar e compreender.

    • Ricardo Prins – (1) De todas as inúmeras questões terríveis que há no evangelho, por que escolher justamente uma que pouco acresce para o nosso desenvolvimento moral, intelectual e espiritual e nela permanecer?

      De quem você está falando? Da igreja, por ter mudado o cabeçalho da DO2? Do autor do artigo (Antonio), por trazer este assunto à tona? Ou de mim?

      Ricardo Prins – (2) Há certos momentos durante uma pesquisa científica onde o pesquisador percebe que, em virtude da falta de ferramentas e cabedal tecnológico é o momento de se partir para uma outra direção. Creio ser o mesmo verdade para o caso deste e de alguns outros assuntos.

      Cientifico pode até ser, espiritual não! Pois o que as escrituras nos ensinam é que; quando uma pessoa tem falta de sabedoria [ferramenta e cabedal tecnológico] é nos orientado a buscar à Deus, tanto pela fé, quanto pelo estudo (e Ele nos revelará, até mesmo coisas ocultas), e é exatamente o que estamos fazendo aqui.

      Ricardo Prins – (3) Não contaminemos coisas de caráter tão sagrado com nossas idiossincrasias limitadas. Tratemos das coisas como elas nos são dadas – sei que haverá momento onde nosso conhecimento nos permitirá delas melhor falar e compreender.

      Se você estiver falando de mim (aguardo resposta), eu posso dizer sem titubear, e repito, a igreja está MENTINDO, pois ela sabe muito bem o MOTIVO da proibição. Ela só não quer assumir o erro, publicamente! Outra, como nós vamos tratar de certas coisas, CALADO, quando sabemos que estas coisas nos são dadas pela metade, distorcidas e equivocadas?

      Ps.: Se você não estiver falando de mim Ricardo Prins, desconsidere!
      Porém, eu não volto atras do que disse antes.

      • Ricardo Prins disse:

        Não, não estava falando pra você. Respeito seu direito de dizer o que bem entende, de achar o que bem entende. Essa liberdade de opinião seguramente conduz à descoberta da verdade, mesmo que conduza por caminhos que não necessariamente sejam corretos ou coerentes.

  4. pcmarcelo disse:

    Eu achei muito oportuna a prepositura de tal texto, no atual momento de reformulação geral, no caso da igreja SUD, de forma lenta e vindo através de pressões externas e outras desconhecidas e pelo que sei esse site está aqui para um debate democrático, de FATOS, .. idiossincrasias , é algo subjetivo, para uns eleva a fé, para outros faz a mesma sumir, depende onde estamos centrados e o quando cada indivíduo é inflexível a mudanças e em que embasa os critérios de pensamento para satisfazer o que se crê ser verdade. Na minha opinião, a igreja sabe o motivo, até por que desde o tempo de Joseph Smith, a liderança em geral mantinha diários sobre os fatos e doutrinas, devido a forte influência contemporânea na época, contra a libertação dos escravos, e doutrina expressada de forma equivocada dos filhos Canaã (Gênesis 9:25). Enfim, não existe nenhuma revelação em D&C proibindo o sacerdócio ou limitando direitos (leitura taxativa) de diversos grupos, tais assertivas se fizeram por mera influência contemporânea, tendo em vista que a opinião da igreja no tempo de JS, era contra a escravidão, fato até bem evidenciado em filmes como Joseph Smith, 200 anos de seu aniversário, e o Legado, motivo de muita e muita perseguição. Em verdade fico muito feliz quando instituições religiosas Católica, SUD, reconhecem seus erros(direta ou indiretamente), pois um Líder é humano, sujeito a falhas, e nos estudos dos temas aqui no site e em diversos lugares, se vê a opinião de líderes serem dadas,(necessariamente não precisa ser a mais correta,ou a verdade, mas uma interpretação pessoal… o grande problema seria se estivesse como revelação falada como doutrina no nome do Senhor..onde na minha opinião se verifica os falsos profetas, líderes…etc, tais reconhecimentos me mostra que Deus e seu filho se importam conosco e em algum momento quando necessário corrige os caminhos de sua igreja.

  5. Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

    Olá, Antônio.

    Considero muito importante você ter trazido a tona este assunto. Até pouco tempo atrás eu também não sabia da ordenação de negros ao sacerdócio antes de 1978 na história da IJCSUD.

    Penso da mesma forma que você, pois também acredito que grande parte dos membros da Igreja desconhecem essas ordenações. Ano passado, convivi com um missionário africano, de Cabo Verde. Fiquei sabendo que ele desconhecia até mesmo a proibição da ordenação ao Sacedócio para os negros até 1978. Acredito até mesmo que muitos conterrâneos dele e entre os demais membros negros ao longo do mundo, existem aqueles que também desconhecem tal fato. Até porque, este tema não é muito comum de ser tratado em nossas aulas, quóruns, organizações ou em discursos sacramentais ou de conferência de estaca.

    Só espero que em breve este novo cabeçalho esteja disponível online em outras línguas, além do inglês, e que também seja impresso nas versões escritas da tríplice. Já seria um excelente serviço à História, como você bem expressou, Antônio.

    Só uma pergunta, Antônio: você sabe dizer se Elijah Abel e Walker Lewis chegaram a receber também suas investiduras?

    Um abraço.

    • Giovanni Israel Machado disse:

      Eles não receberam as investiduras. Elijah Abel, por exemplo, já havia passado pelo Templo de Kirtland para a Unção e Ablução e já havia sido batizado pelos mortos em Nauvoo. Mesmo assim, Brigham Young negou o pedido dele para receber as investiduras.
      Fonte: http://mormonsnegros.com/linha-de-tempo-da-historia

      • pcmarcelo disse:

        Na minha opinião é lamentável que um racista, entre outras coisas, liderou a igreja algum tempo…Graças damos a Deus , que no seu devido tempo corrige as injustiças…pena que demorou tanto tempo para que Deus corrigisse tal atrocidade, assim como ainda tantas outras limitam os filhos de Deus, para que atinjam seu potencial divino…Não sei por que Deus permite que isso aconteça…ou seja homens que falam em nome de Deus e para o povo de Deus, tantos erros, o notório é que ele permite, e serve a nós termos a mente e o coração voltados a Deus para lutarmos pelo que temos convicção ser o correto….aos poucos a restauração vai a diante…

      • Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

        Olá, Giovanni.

        Obrigado pela informação e pelo link enviado.

        Um abraço.

    • Muito interessante, Jamil, seu relato sobre o missionário de Cabo Verde. Provavelmente os novos cabeçalhos logo estarão disponíveis em português.

  6. Everton Figueiredo disse:

    Senhores! Obrigado pelo sadio debate e isso é maravilhoso ao expressar nossas opiniões.
    Logo esse fato na minha opinião não muda a verdade da Igreja e do Evangelho de Jesus Cristo. Na Última Conferência Elder Andersen falou sobre declarações de lideres antigos que são levados a tona e causam tantos mal entendidos. Se foi errado ou não o importante é que agora esta certo e que se erraram nós também erramos. Deixemos com o Senhor que a seu tempo ou para seu grande propósito resolverá todas as coisas. Mais uma vez agradeço. Abraço a todos.

    • Jamil Jorge Jarjura Junior disse:

      Olá, Everton.

      “Se foi errado ou não o importante é que agora esta certo e que se erraram nós também erramos. Deixemos com o Senhor que a seu tempo ou para seu grande propósito resolverá todas as coisas.”

      Se o erro foi dos líderes da Igreja, como deixar para o Senhor resolver o assunto?

      Considero este assunto muito importante. Quando servi uma missão de tempo integral, logo em minha primeira área fui indagado juntamente com meu companheiro (negro), porque a IJCSUD não aceitava negros. Não foi difícil responder, porque ali ao meu lado estava uma prova viva de que a igreja não era racista, o meu próprio companheiro de missão. Porém, tenho certeza que aquela pessoa que nos fez aquela pergunta, estava querendo se referir à proibição da ordenação ao Sacerdócio aos negros até 1978.

      Portanto, o tema é sim muito relevante. Até que a Igreja não explique o que de fato estava por trás desta proibição, ainda terão muitos membros utilizando escrituras e palavras de líderes antigos para justificar a exclusão de membros negros até 1978 das bençãos d0 sacedórcio, da investidura e do casamento no templo, enfim, da exaltação! E mais ainda, enquanto a Igreja continuar dizendo “não sabemos”, este assunto continuará a ser um dos empecilhos ao “crescimento real” da Igreja.

  7. Everton Figueiredo disse:

    Olá Jamil!

    Não tiro a sua razão e se soubessemos seria realmente muito importante para o crescimento Real da Igreja; É um assunto de grande relevância porém em minha opinião a Igreja não é Racista, muito pelo Contrário! Pedro quando recebeu a revelação de levar o evangelho ao Gentil não entendeu o porque eles o consideravam imundos … ( Atos ) no entanto ele reconheceu que chegara o tempo de levar o evangelho aos gentil e que o Senhor não fazia acepção de pessoas… Quem sabe não foi assim também em nossos dias e quando chegou o tempo realmente aconteceu … Se eles erraram agora não esta certo … Se realmente foi um erro isso então não custa nada adimitir certo ??? Passei por isso na missão também e meu testemunho se fortaleceu e o Senhor concedeu-me um testemunho da veracidade … É verdade não é ??? Então nada mais importa!!!!

  8. Gostaria de comentar alguns pontos do novo cabeçalho, enumerando-os abaixo:

    (1)Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio.

    Esta parte do texto não diz o porque poucos negros foram ordenados ao sacerdócio!? Dando crédito por exemplo, à teoria da EXCEÇÃO, onde Joseph privilegiou alguns poucos negros livres, que foram valentes e fiéis ao evangelho restaurado, portanto, merecedores do sacerdócio (autorizados por Deus). Então, esta parte acaba por reforçar ainda mais a crença em tal teoria, em vez de ajudar.

    (2) No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana.

    Esta parte não deixa claro qual líder parou de conferir o sacerdócio aos negros (Joseph? Young?) e porque os de origem africana! Novamente, dando margem à varias interpretações e falta de transparência, sendo que, a igreja sabe o motivo da proibição e quem proibiu. Explico a seguir.

    (3) Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática.

    Oferecem sim, pois os registros mostram claramente que esta prática se deu inicio com Brigham Young. Ou seja, a igreja não quer assumir o erro e ainda por cima faz suspense, dando aos membros margem para várias interpretações. Ex: Se deu inicio à proibição em: (a) Pré-mortalidade/menos valente? (b) Egyptus?, (c) Caim?, (d) Cam?, (e) Canaã?, (f) Joseph Smith? (com a teoria da exceção como explicado no item 1), e (g) Brigham Young. Sendo este último, mais certo, por sabermos o motivo teológico da proibição por intermédio dele – que por sinal, infundada. Há alguns registros (de muito crédito) que dão a entender que o motivo da proibição foi por motivos pessoais de Young, onde ele aproveitou da situação (do orgulho e da vaidade) para amputar aos negros esta sentença, e pior, usando das próprias escrituras sagradas e de sua autoridade como profeta para tal atrocidade.

    (4) Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação.

    Eis a parte mais ambígua do texto, pois da-se a entender que a proibição foi autorizada por Deus e que somente Ele poderia anulá-la (no seu devido tempo). Ou seja, os lideres não tem coragem de assumir o erro e tentam consertá-lo (com o tempo), dissimuladamente. Preferindo assim, o sigilo e proteção da instituição, em vez da verdade.

    • Então devemos supor que Brigham Young perdeu sua exaltação por tal “atrocidade”.
      É por esses tipos de “mimimis” que a igreja não manifesta de fato os pormenores da questão. Considero mais um teste à fé dos Santos.

      • >Então devemos supor que Brigham Young perdeu sua exaltação por tal “atrocidade”.
        Cadê? Onde eu falei isto?

        >É por esses tipos de “mimimis” que a igreja não manifesta de fato os pormenores da questão.
        Não é “mimimis” não meu amigo, são fatos! Prova-me o contrário!

        >Considero mais um teste à fé dos Santos.
        Considero mais como uma forma de blindagem e proteção aos Santos [muito covarde por sinal, já que protege alguns (ativos) em detrimentos de outros (inativos e demais)], para que não percam a fé. E o seu primeiro argumento corrobora isso. Portanto, é melhor – para a corporação – não perder fiéis à falar a verdade, porém com isso ela cai no desagrado e num dos maiores conceitos ensinados pelo mormonismo: “a verdade abraça a verdade” D&C 88:41.

        E: “…[Deus] não faz coisa alguma que não seja clara para os filhos dos homens…” 2 Né. 26: 33. (grifo meu)
        Cadê nas escrituras DEUS ordenando proibição do sacerdócio à africanos e afrodescendentes? Esse fato histórico (proibição) é uma das “doutrinas” mais confusas e a que mais carece de clareza dentro do mormonismo, portanto, não a considero vinda de Deus, e sim do homem.

        “…e convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, NEGRO e branco, ESCRAVO e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e TODOS SÃO IGUAIS PERANTE DEUS, tanto judeus como gentios.2 Né. 26: 33.

        Com essas escrituras eu não preciso dizer mais nada, por intermédio delas eu posso provar que Brigham Young (e a igreja mórmon) errou (e grave) com os negros.

  9. Pedro disse:

    Giovanni,

    Achei interessante sua citação sobre os motivos pessoais de Brigham Young em relação aos negros na época, sei também que ele quando chegou a Utah realizou rebatismos, batizando novamente membros já batizados. Você poderia explicar mais sobre o que levou Brigham Young a tomar tais decisões.

    • Pedro,
      Segundo o historiador Connell O´Donovan, há 3 possíveis motivos e personagens negros que influenciaram Brigham Young à restringir o sacerdócio aos negros: (1) Élder William McCary, (2) Élder Walker Lewis, e (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis).

      (1) Élder William McCary
      William McCary chegou em Nauvoo no ano de 1845 dizendo que era meio negro-meio indio. Ele foi batizado e ordenado pelo apóstolo Orson Hyde em 1846. Neste mesmo ano ele casou-se com uma mulher branca chamada Lucy Stanton. Um ano depois, entretanto, ele foi excomungado da igreja por alegar ser um profeta. Ele ficou conhecido como Profeta Índio, ou Profeta Negro.
      Não fosse pela excomunhão, William McCary fundou sua própria religião mórmon, onde praticou sua versão de casamento plural com várias mulheres brancas. Este evento deixou Brigham Young furioso, e a partir daí (1847), Young passou a restringir o sacerdócio aos negros e privá-los de entrar no templo.

      (2) Élder Walker Lewis
      Walker Lewis, bem antes de conhecer o mormonismo, era um cidadão excepcional, culto, e maçom! A posterior – quando batizado na igreja em 1843 e ordenado élder em 1844 por Willian Smith, irmão de Joseph, – ele passou a ser o maçom mais proeminente na hierarquia mórmon. Este fato (junto ao engodo caso William McCary) podem ter causado a ira, a inveja e o desconforto em Young, e contribuído e muito na proibição do sacerdócio.

      (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis)
      Não fosse pela notável posição maçônica de Walker Lewis na igreja, ele também tinha um filho, Enoch Lovejoy Lewis, casado com uma mulher branca, Mary Matilda Webster Lewis, ambos membros da igreja. Mais um motivo que, junto os dois acima, alimentaria a ânsia de Brigham Young de restringir o sacerdócio aos negros.

      Este é só um esboço. Para ter acesso a um estudo mais detalhado, com notas e referências, segue abaixo os links das páginas do historiador Connell O´Donovan:

      http://connellodonovan.com/black_white_marriage.html
      http://people.ucsc.edu/~odonovan/elder_walker_lewis.html

      • marcos disse:

        A história deve ser sempre estudada e debatida, mas será que os membros devem ficar “ruminando” essa questão do não sacerdócio aos negros todos os dias? Isso já não foi resolvido? Amar e perdoar não é melhor?

        • Amar e perdoar é sempre melhor, Marcos. Mas não significa empurrar fatos históricos menos edificantes para debaixo do tapete. A Igreja deu um importante passo nessa reformulação do cabeçalho da DO2, reconhecendo homens negros, contemporâneos de Joseph Smith, que foram ordenados ao sacerdócio. Por que a Igreja teria feito isso s então houvesse a necessidade desse capítulo de nossa história ser retomado?

          Um abraço!

  10. Pedro,

    Segundo o historiador mórmon Connell O´Donovan, há 3 prováveis motivos e personagens negros que influenciaram Brigham Young à restringir o sacerdócio aos negros: (1) Élder William McCary, (2) Élder Walker Lewis, e (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis).

    (1) Élder William McCary
    William McCary chegou em Nauvoo no ano de 1845 dizendo que era meio negro-meio índio. Ele foi batizado e ordenado pelo apóstolo Orson Hyde em 1846. Neste mesmo ano ele casou-se com uma mulher branca chamada Lucy Stanton. Um ano depois, entretanto, ele foi excomungado da igreja por alegar ser um profeta. Ele ficou conhecido como Profeta Índio, ou Profeta Negro.
    Não fosse pela excomunhão, William McCary fundou sua própria religião mórmon, onde praticou sua versão de casamento plural com várias mulheres brancas. Este evento deixou Brigham Young furioso, e a partir daí (1847), Young passou a restringir o sacerdócio aos negros e privá-los de entrar no templo.

    (2) Élder Walker Lewis
    Walker Lewis, bem antes de conhecer o mormonismo, era um cidadão excepcional, culto, e maçom! A posterior – quando batizado na igreja em 1843 e ordenado élder em 1844 por Willian Smith, irmão de Joseph, – ele passou a ser o maçom mais proeminente na hierarquia mórmon. Este fato (junto ao engodo caso William McCary) podem ter causado a ira, a inveja e o desconforto em Young, e contribuído e muito para a proibição do sacerdócio.

    (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis)
    Não fosse pela notável posição maçônica de Walker Lewis na igreja, ele também tinha um filho, Enoch Lovejoy Lewis, casado com uma mulher branca, Mary Matilda Webster Lewis, ambos membros da igreja. Mais um motivo que, junto os dois acima, alimentaria a ânsia de Brigham Young de restringir o sacerdócio aos negros.

    Para ter acesso a um estudo mais detalhado, com notas e referências, segue abaixo os links da página do historiador Connell O´Donovan:

    http://connellodonovan.com/black_white_marriage.html
    http://people.ucsc.edu/~odonovan/elder_walker_lewis.html

  11. roberto disse:

    Eu li a tradução de uma entrevista do Presidente Hinckley a um programa amarciano de tv 60 minutes, se nao me engano, e o apresentador embora tenha elogiado a igreja e a comunidade sud ou mormon, entrou em varios temas polemicos coma a poligamia e o sacerdócio aos negros, e fiquei intrigado com as resposta do presidente Hinckley, “Naõ sei” e “Deixa isso pra lá”, eu sou membro da igreja ativo a 18 anos, mas tem varios aspectos da doutrina da Igreja que eu respondeira igualmente ao presidente Hinckley, “não sei” ou “deixa isso pra lá” gosto muito da igreja de sua doutrina, tenho um testemunho do evangelho, mas venho percebendo que ao longo dos anos muitas criticas a igreja e seus procedimentos realmente nao eram “infundadas” como eu imaginava que fossem. Por exemplo um mebro da igreja , companheir meu de missão e filho de um patricarca me disse que a anos atras as investiduras do templo era diferentes de hoje, eram muito demoradas e as pessoas faziam juramentos bem mais severos e muitos desistiam duarante as sessoes de investidura. Até entao achava uma calunia quando o filme “fazedores de deuses” mostrava que nos templos a investidura era feita sob juramento de morte, bom, resumindo. Não sei qual o veradeiro motivo de os negros nao terem o sacerdocio no inicio. Mas sei que hoje a igreja tem sido muito importante na minha vida e na minah familia, e sou grato por isso.

  12. evandronat disse:

    Em seu título de tópico, Antônio Trevisan inteligentemente observa: “Igreja reconhece ordenação de negros no séc. XIX, mas insiste em “nós não sabemos”.

    Conforme o texto compartilhado por Antônio Trevisan Teixeira, segundo ele disponível apenas em inglês até o momento, diz
    “Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio. No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana. Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática. Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação.”

    Desejo fazer algumas considerações, vejamos, “Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática.” Como não? Poderia mencionar algumas citações ou várias, de lideranças máximas da igreja concordando e reafirmando a doutrina relacionada aos negros como amaldiçoados ou excluídos por sua pele negra, de bênçãos maiores concedidas aos membros da igreja. No entanto prefiro nesse momento citar apenas, se é que posso definir como apenas, os princípios doutrinários que amparam tais atitudes.
    “Os registros … não oferecem uma compreensão clara …”. Pergunto se os textos canônicos ou obras padrão são registros ou não? Penso que sim. E cito capítulos e versículos que ainda hoje, pois estão lá, apoiam e não apenas isso, explicam a base ou o princípio doutrinário da prática que durou aproximadamente 150 anos.

    Pérola de Grande Valor – Livro de Abraão 1:21-27;

    Em Seleções do Livro de Moisés, observamos que Enoque, naquela época, não chamou ao arrependimento o povo de Canaã (povo de cor negra). Pérola de Grande Valor – Seleções do Livro de Moisés 5:40,41; 7:6-12 e 7:21,22.

    Interessante notar que o Livro de Mórmon, também uma das obras padrão, replica o preconceito racial, agora não contra os negros e sim contra os ameríndios. Não com a maldição da pele negra e sim com a maldição da pele escura – O Livro de Mórmon – 2 Néfi 5:20-23; Alma 3:6-10.

    Como os registros da igreja (e não abordei os aspectos históricos, “apenas” os aspectos doutrinários constantes dos sagrados textos do cânone da igreja) não oferecem uma compreensão clara sobre as origens dessa prática?

    Com relação ao item “Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação.”. Em primeiro lugar, a meu ver, demorou muito a revelação. Em segundo lugar, me parece muito mais, mais uma vez, uma busca por adaptação a nova realidade social. Agora convido para uma pequena e simples análise, os amigos do site, especialmente Ricardo Prins.

    As mudanças sociais e em vários outros aspectos, ocorrem de forma dinâmica na existência humana. Penso que no século XX, a igreja em sua prática eugênica (e não estou falando da doutrina, pois esta continua existindo) se viu em dificuldades com a expansão da igreja na América latina. Construíram o 17º templo da igreja e primeiro na América Latina. Os dezesseis anteriores foram construídos em sua maioria nos EUA, com exceção do 11º templo Hamilton New Zealand (Oceania), dedicado em 20 de abril de 1958 e do 12º templo London England (Inglaterra), dedicado em 07 de setembro de 1958).

    Templos:
    Kirtland (No longer owned by the Church) 27 March 1836
    Nauvoo (Rededicated in June 2002) 30 April 1846
    1 St George Utah Dedicação: 06 April 1877
    2 Logan Utah Dedicação: 17 May 1884
    3 Manti Utah Dedicação: 21 May 1888
    4 Salt Lake Dedicação: 06 April 1893
    5 Laie Hawaii Dedicação: 27 November 1919
    6 Cardston Alberta Dedicação: 26 August 1923
    7 Mesa Arizona Dedicação: 23 October 1927
    8 Idaho Falls Idaho Dedicação: 23 September 1945
    9 Bern Switzerland Dedicação: 11 September 1955
    10 Los Angeles California Dedicação:11 March 1956
    11 Hamilton New Zealand Dedicação: 20 April 1958
    12 London England Dedicação: 07 September 1958
    13 Oakland California Dedicação: 18 November 1964
    14 Ogden Utah Dedicação: 18 January 1972
    15 Provo Utah Dedicação: 09 February 1972
    16 Washington D.C. Dedicação: 19 November 1974
    Referência: http://www.lds.org/temples/chronological/0,11206,1900-1,00.html

    O 17º templo da igreja construído no estado de São Paulo, Brasil, foi anunciado em 1 de março de 1975, com abertura de terra em 20 de março de 1976 e dedicado em 30 de outubro de 1978.

    País de grande religiosidade e tradição Judaico/cristã (portanto com grande potencial SUD) o Brasil, segundo estatística oficial da igreja do ano de 2008 (isso em 2008). Estava na condição de terceiro pais em numero de membros SUD, depois dos EUA e México.

    Número de membros: Brasil 1.060.556, México 1.158.236, USA 5.974.041 – Estatística Oficial da igreja – ano 2008.

    Referência:http://newsroom.lds.org/ldsnewsroom/v/index.jsp?
    vgnextoid=d10511154963d010VgnVCM1000004e94610aRCRD

    O Brasil possui também uma das maiores miscigenações entre “raças” do planeta, com grande diversidade racial, podemos deduzir, portanto que, a maioria dos membros brasileiros da igreja possui sangue negro.

    Os geneticistas Sérgio Danilo Junho Pena (UFMG) e Maria Catira Bortolini (UFRS) pesquisaram a contribuição africana no genoma dos brasileiros. Segundo eles, 30% dos brasileiros autoclassificados como brancos e 80% dos negros apresentam linhagens maternas características da África subsaariana. Em razão disso, estimam que pelo menos 89 milhões de brasileiros são afro-descendentes. Números mais expressivos surgem ao serem utilizadas determinadas técnicas de pesquisa genética: cerca de 146 milhões de brasileiros (86% da população) apresentam mais de 10% de contribuição africana em seu genoma.

    Referência: LESSA, Ricardo – Brasil e Estados Unidos: o que faz a diferença, Editora Civilização Brasileira.

    Agora vejamos alguns aspectos jurídicos. Apesar do código de 1940 não prever nenhum dispositivo a respeito do racismo ou de preconceito, devido não existir a respectiva lei naquela época. Mesmo assim o Brasil saiu na frente dos Estados Unidos que, atrasados neste aspecto, só proibiram a discriminação racial quando aprovaram uma lei relacionada ao assunto em 1964, tendo o Brasil no entanto, aprovado a sua primeira legislação a respeito do tema, proibindo a discriminação racial no país em lei que, foi proposta por Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990), aprovada em 3 de julho de 1951. (LEI AFONSO ARINOS LEI Nº 1.390, DE 3 DE JULHO DE 1951) (Lei das Contravenções Penais – Decreto-Lei nº 3.688, 3 de outubro de 1941); que evoluindo posteriormente para a Lei Nº 7.437, de 20 de dezembro de 1985 Incluiu, entre as contravenções penais, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, dando nova redação à Lei nº 1.390, de 3 de julho de 1951 – Lei Afonso Arinos. (Lei das Contravenções Penais – Decreto-Lei nº 3.688, de 3.10.1941); e finalmente se torna crime com a LEI 7.716 DE 05/01/1989 – DOU 06/01/1989 que Define os Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor, em seu ART. 20 – Praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional – Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, esta seria a última lei a respeito do assunto, porém a Lei Nº 9.459, de 13 de maio de 1997 Altera os arts. 1º e 20 da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e acrescenta parágrafo ao art. 140 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940.

    Era preciso no meu entender, encontrar uma solução mesmo que alguns membros mais radicais deixassem a igreja. É certo que, com a expansão da igreja o número de membros e lideranças aumentaria e muito com o “sangue negro”. A solução estava em conferir o sacerdócio aos negros e ascendência, o que foi feito por Spencer W. Kimball, N. Eldon Tanner e Marion G. Romney, primeira presidência da igreja na época, tal decisão foi comunicada em 08 de junho de 1978 através de uma carta aos oficiais do sacerdócio em todo mundo e apoiada durante a 148º Conferência Geral Semestral em 30 de setembro de 1978.

    Agora vamos analisar algumas datas. Podemos estabelecer uma comparação entre datas, em ordem crescente, a respeito do primeiro templo na América Latina. Percebemos de imediato a dificuldade que os líderes da igreja enfrentaram em relação à doutrina da maldição da cor de pele negra.

    O problema não se restringia apenas aos negros, mas também aos ameríndios, pois compondo o sangue do povo brasileiro em sua maioria, observamos que o templo atrasou sua finalização, e muito, só se completando de fato, quando foi dedicado. Vejamos, o templo foi anunciado em 1 de março de 1975, com abertura de terra em 20 de março de 1976, tendo a decisão de estender o sacerdócio a raça negra sido comunicada em 08 de junho de 1978, através de uma carta aos oficiais do sacerdócio em todo mundo e, apoiada durante a 148º Conferência Geral Semestral em 30 de setembro de 1978. Considerando que o templo foi dedicado em 30 de outubro de 1978, chegamos a conclusão que: do anuncio (1 de março de 1975), até a dedicação (30 de outubro de 1978) se passaram três anos, sete meses e vinte nove dias. Observamos claramente um longo período em sua finalização, o que demonstra problemas, que a meu ver, não foram de ordem financeira.

    Por fim concluo que, às datas aproximadas entre o apoio em Conferência Geral Semestral da decisão de estender o sacerdócio aos negros e dedicação do templo foi de um período muito curto, de apenas um mês. Em minha opinião, isso não foi pura coincidência, algo muito sério ocorreu que julgo estar relacionado com a doutrina da maldição da pele negra. Situação que, penso ter protelado a dedicação do templo de São Paulo, Brasil e o primeiro da América Latina.

    Mas a culpa por tudo isso foi de Deus? Só revelaria sua vontade a Spencer Woolley Kimball, em 1978, o 12° Presidente da Igreja, após a busca por orientação através de oração? Após aproximadamente um século e meio de prática doutrinária segundo sua vontade, onde todos os presidentes anteriores deveriam apenas obedecer? Orando e pedindo orientações, mas por outros motivos? É complicado!

    • Marcos disse:

      Se você for membro da Igreja me responda:

      - Você acredita que somente pressões externas influenciaram nas mudanças que aconteceram ao longo da história da Igreja? Para você a revelação de 1978 foi uma farsa? Ninguém recebeu revelação nenhuma?

      • Marcos disse:

        Eu acredito pessoalmente que pressões diversas influenciaram os líderes a repensarem determinadas posições, mas acredito também, após repensarem, consultaram Deus e receberam revelações quanto à atitude que deveriam tomar.

  13. Evandro disse:

    Marcos,

    Sim, é exatamente isso que penso em relação ao tema tratado. E penso assim não só em relação ao sacerdócio e os negros, bem como, em relação ao casamento plural que gerou a DECLARAÇÃO OFICIAL 1, assinada pelo presidente Wilford Woodruff, mas esse não é o tema do tópico.

    Não sei há quanto tempo você é membro da igreja. Existem algumas frases ditas na igreja, e já ouvi inúmeras vezes e creio que, se você não ouviu ouvira um dia. São frases ditas pelos membros, geralmente em uma Ala ou Ramo, em uma clara demonstração de que compreendem e enxergam algumas falhas existentes na igreja, ou seja, nos membros da igreja. Vamos às frases: “a igreja é verdadeira, mas os membros…”, ou uma derivação da anterior “mas a igreja é verdadeira!”, e ainda “alguns chamados são por inspiração (revelação) e outros são por transpiração”. Essas frases são ditas quando algum membro ou líder, geralmente da unidade ou estaca que o membro pertence, age de forma inadequada em relação aos procedimentos administrativos e por vezes até doutrinários. Penso que o mesmo vale para autoridades gerais, também cedem a pressões externas de ordem social, política e até mesmo econômica. Entendo não ser difícil analisar criteriosamente as circunstâncias em que algumas revelações ocorrem. Porém, a meu ver, o foco da questão não é uma “revelação” motivada por pressão externa pondo fim a uma prática de décadas na igreja (práticas que não afirmo serem corretas), e sim o fato inconteste de que o princípio doutrinário continua a existir nas escrituras da igreja. Mais uma vez em uma clara evidência de que a “revelação” ou decisão, foi de fora para dentro e não de dentro da igreja para fora, não foi gerada em seu interior e sim motivada por pressões externas. Considerando tal entendimento concluo que, se possível, a igreja teria mantido não só o princípio que sustenta a prática, mas também a própria prática ainda nos dias de hoje, na mortalidade.

    Dito isso, afirmo com toda minha convicção pessoal, que existe entre o Brasil e os Estados Unidos da América uma diferença fundamental, basta examinar a história dos dois países, especialmente a religiosa, apesar de ambos os países serem cristãos. Por questões “culturais” somos, aqui no Brasil, propensos a idolatrar pessoas, homens, lideranças eclesiásticas profissionais ou leigas.

    Marcos, eu não entendi muito bem sua posição em seu segundo comentário. Afinal, você diz acreditar que “pressões diversas influenciaram os líderes a repensarem determinadas posições”, e logo após diz acreditar também que “após pensarem (pensar em que?), consultaram Deus e receberam revelações quanto à atitude que deveriam tomar”. Fica a dúvida, e então pergunto: e se após essas pressões que você diz serem diversas (eu prefiro definir como externas, pois as internas as autoridades gerais sabem como administrar e muito bem), que os influenciaram a repensarem posições, não tivessem obtido êxito? Se após consultarem Deus, a atitude fosse em sentido contrário, ou seja, Deus resolvesse manter as revelações anteriores e a atitude que os líderes deveriam tomar seria simplesmente obedecer? Como ficaria a situação?

    Sugiro, e apenas isso, sugiro que examine as circunstâncias em que se deram tais “revelações” e poderá ver por si mesmo que a igreja teria muitos problemas com o primeiro templo na América Latina, em São Paulo – Brasil. Sim, pois enquanto não havia templo no Brasil, como disse em meu comentário anterior, país extremamente miscigenado, o problema da prática não estava tão próximo de nós brasileiros, de nossas leis, de nossa constituição.

    Para terminar, aproveito para dizer que situação semelhante (pressão externa), se deu com o casamento plural. As propriedades da igreja estavam sendo confiscadas pelo governo dos EUA, as autoridades gerais (lideranças máximas da igreja) estavam sendo presas e o terceiro presidente da igreja, John Taylor, teve que praticamente durante toda a sua presidência, presidir a igreja escondendo-se da justiça americana que queria prende-lo pela prática da poligamia. Não é difícil perceber que, diante de tamanho golpe do governo estadunidense, a igreja não teria chegado como chegou aos dias de hoje. Talvez existisse hoje, em uma condição semelhante à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Fundamentalista, presidida por Warren Jeffs (que se encontra preso pelas autoridades americanas pela prática da poligamia, etc.), em uma luta ou rebelião contra as leis dos Estados Unidos da América. Às vezes fico pensando, o que Deus teria dito as autoridades gerais dessa igreja SUD fundamentalista.

    • Marcos disse:

      Respeito sua opinião, mas ao contrário de você, para mim as revelações aconteceram e não foram uma farsa. Eu já trabalhei em lugares em que sofri pressões e pensei que deveria tomar determinada atitude, porém eu orei ao Senhor para saber se era o certo a fazer e Ele confirmou com um sentimento de paz ou através de minha esposa em algo que ela disse que tocou de maneira forte em meu coração. Claro que o Senhor poderia ter me mostrado que a atitude deveria ser outra se fosse o caso. Acredito portanto, que deve ter passado o mesmo com os líderes da Igreja. Se eu, como membro, começar a duvidar da maneira que você duvida, será melhor então abandonar a Igreja do que ficar frequentando com desconfiança o tempo todo.

      Você afirmou:
      “Se após consultarem Deus, a atitude fosse em sentido contrário, ou seja, Deus resolvesse manter as revelações anteriores e a atitude que os líderes deveriam tomar seria simplesmente obedecer? Como ficaria a situação?”

      Sim, se Deus ordenasse que mantivessem as revelações anteriores deveriam obedecer sim, pois Ele é quem manda. Não sei como ficaria a situação, mas os discípulos de Cristo sempre enfrentaram “grandes tempestades”, não seria a primeira vez.

  14. Marcos disse:

    Antonio, eu gostaria de saber sua opinião a respeito das perguntas que fiz ao Evandro:
    “- Você acredita que somente pressões externas influenciaram nas mudanças que aconteceram ao longo da história da Igreja? Para você a revelação de 1978 foi uma farsa? Ninguém recebeu revelação nenhuma?”. Se você achar que não vale a pena responder vou respeitar sua decisão.

  15. Evandro disse:

    Marcos,

    Certa ocasião em que eu estava sendo confrontado por um colega de trabalho em relação à igreja, um membro da igreja aconselhou: “presta o testemunho para ele”.

    Agora vejamos, argumento precisa ser contraditado com argumentos e não, a meu ver, com sentimentos. É complicado eu alegar sentimento de paz e confirmação em meu interior para uma pessoa que apresenta fatos históricos, administrativos e mesmo doutrinário que desabonam a igreja em alguns aspectos. Entendo que o contexto histórico e as circunstâncias que envolvem uma decisão da cúpula da igreja, precisam ser examinados a luz da razão e não apenas pela fé.

    Os sentimentos são muito pessoais e de foro íntimo de cada pessoa. Observe comigo, se eu falar de meus sentimentos de paz, etc. para uma pessoa de outra denominação cristã ou mesmo de religião não cristã, provavelmente constataremos que ela também nutre em seu interior sentimentos muito semelhantes, com a diferença que não é em relação A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e sim em relação a religião dela própria. Ai está à dificuldade dos sentimentos ou mesmo de confronta-los. O mesmo não se dá em relação aos fatos históricos, administrativos e doutrinários. É possível confronta-los, examina-los a luz da razão e inteligência.

  16. Olá Antônio,
    Somente comentando o tópico.
    Realmente a prática do banimento do sacerdócio ao negros não foi fruto de uma revelação.
    Pelo que li da História da Igreja, tal banimento parece ter surgido de uma interpretação dada por Brigham Young (BY) para uma orientação de Joseph Smith para que escravos negros (sob o domínio de seus senhores) não recebessem ainda o sacerdócio (receava-se-se uma usurpação do sacerdócio por seus senhores); BY acabou extendendo tal alijamento para todos os negros (livres ou escravos).
    Esta extensão começou com Brigham Young e vigoraria na Igreja até a revelação de Spencer W. Kimball em 1978.
    Antes disto, vários líderes tentaram mudar a prática. John Andreas Widstoe, durante seu chamado na 1ª Presidência da Igreja tentou mudar a prática (fim dos anos 40 e começo da década de 50), sua lógica era de que “se não havia uma revelação para a introdução da prática, a mesma poderia ser retirada também sem uma revelação”. Entretanto seu voto foi vencido, a maioria dos outros apóstolos achava que somente uma nova revelação poderia suspender a prática. David O. Mckay, durante sua presidência da Igreja (1951-1970) buscou tal revelação. Orou quase 2 décadas por ela, mas ele acabaria confessado que tal revelação nunca lhe sobreveio, e a Igreja teve de enfrentar forte oposição nos USA durante este período (movimentos civis dos negros).
    Creio que se fosse por simples “conveniência” a Igreja teria já alterado a prática durante a presidência de David O. Mckay.
    .

    • Pois é, Marcelo. Só nos resta saber como Brigham Young processava o fato de Joseph Smith ter permitido a ordenação de homens negros ao sacerdócio. Pelo jeito, nunca saberemos!

      Se por um lado, o novo cabeçalho da DO2 não responde o que motivou a exclusão, tem o grande mérito – reconheço – de disponibilizar ao conhecimento comum dos membros o fato de que houve negros ordenados ao sacerdócio nos primórdios da Igreja.

      Um abraço!

    • Giovanni Israel Machado disse:

      “Realmente a prática do banimento do sacerdócio ao negros não foi fruto de uma revelação.”

      Ótimo Marcelo, ótimo!

  17. Victor Amaral disse:

    Na verdade acredito piamente na revelação de Deus corcenete a esse assunto, senão todo o resto é mentira e estamos todos perdidos na grande apostasia, pois Deus não se deixa escarner e tambem não permitiria um homem a frente de sua Igreja por mais de 40 anos, se sua vida fora baseada em uma mentira e preconecito racial, onde o mesmo Deus diz para amar-mos uns ao outros, eu só fico preocupado que alguns membros estudem tanto, conheçam tanto, debatam tanto e que se tornem mais filosofos e historiadores, do que cristãos cheios de fé e de testemunho vivo e eficaz!

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