Igreja reconhece ordenação de negros no séc. XIX mas insiste em “nós não sabemos”

O novo cabeçalho da Declaração Oficial 2

Elijah Abel (1808 -1884)

Elijah Abel (1808 -1884)

Recentemente, a Igreja SUD lançou em formato digital os novos cabeçalhos para suas obras-padrão. Entre as mudanças mais significativas, está a nova introdução para a Declaração Oficial 2, documento que encerrou, em 1978, um longo período de exclusão de membros negros da ordenação ao sacerdócio, investidura e selamentos.

O texto, disponível apenas em inglês até o momento, diz

Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio. No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana. Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática. Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação.

O novo cabeçalho presta um grande serviço à história ao reconhecer a ordenação de homens negros como Elijah Abel e Walker Lewis. Creio que isso seja fato desconhecido da imensa maioria de membros sud.

Por outro lado, o novo texto acaba por reforçar a ideia de que não sabemos por que os negros acabaram por ser excluídos do sacerdócio. Claro que poderia ser pior: poderia-se afirmar que a exclusão foi baseada em uma revelação divina. Nesse ponto, o cabeçalho apresenta até certa ambiguidade ao afirmar que “líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática”.

A lacuna mantida no novo cabeçalho diz respeito às mulheres negras: a proibição de ordenar homens negros ao sacerdócio, aliada à proibição de selamentos inter-raciais, também impedia até 1978 o acesso dessas mulheres às ordenanças maiores do templo.

45 comentários sobre “Igreja reconhece ordenação de negros no séc. XIX mas insiste em “nós não sabemos”

  1. na minha opinião, aos poucos, homens inteligentes e tementes a Deus, irão se subjugar e ter posição mais humilde e não descontextualizada, não arraigando em seus pensamentos como se fosse o de Deus, como ocorreu, disseminando o preconceito em todas suas formas…para uma vontade única , à de Deus…fazendo com que todos os seres humanos, possam usufruir da s bênçãos que Deus pode proporcionar a seus filhos nesta terra, permitindo com que todos eles possam desenvolver todos seus dons e talentos na obra de Deus, coisa não permitida até os anos de 1978, pelo preconceito e interpretação equivocada das escrituras naquela época ao racismo, e até os dias de hoje, nas questões sexuais, hoje já com ampla notoriedade mas infelizmente ainda não temos líderes corajosos, como vemos neste caso, não reconhecendo o um dos grandes erros de Brigham Young, um dia creio eu teremos líderes inspirados para um pensamento moderno e mais justo.

  2. Brigham Young sabia muito bem porque os negros não podiam receber o sacerdócio (ainda mais quando ele mesmo deu inicio a esta prática), e a igreja (hoje) também sabe, só que ela prefere mentir e omitir muita coisa ao dizer: “Nós Não Sabemos”. Complicado!

    • Parece que membros do site mormonsnegros.com não concordam com você, eis o que eles dizem:
      “Como não sabemos a origem da proibição ao sacerdócio, podemos então categorizar a proibição como sendo uma lei mortal estabelecida para o ambiente social no qual A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se encontrava cerca de 150 anos atrás. Pode ter sido o que os líderes da Igreja no final do século dezenove e na maior parte do século vinte acharam que era o melhor para a época, assim sendo eles usaram as chaves do sacerdócio que possuíam para enfatizar seu ponto de vista e perspectiva que tinham sobre a situação vigente no mundo naquela época. Por causa de Seus propósitos, que não são por nós compreendidos a maioria das vezes, o Senhor permaneceu em silêncio sobre o assunto até o ano de 1978.”

      E eles também afimam:

      “Ninguém perdeu nada em se tornar um membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias antes de 1978, sem poder portar o sacerdócio. Uma pessoa podia gozar da maioria das bênçãos como membro da Igreja, incluindo o batismo, o Dom do Espírito Santo e as promessas de vida eterna. Mas aqui estamos hoje, e as boas novas é que isto é passado, e hoje todos podemos gozar TODAS as bênçãos do evangelho restaurado de Jesus Cristo.”

      Como podemos ver, eles estudam e debatem o passado, mas não guardam mágoas dos líderes do passado e também são da mesma opinião dos líderes atuais, ou seja, o “Nós não sabemos”. E, por fim, nos passam a impressão de que são muitos felizes por serem membros da Igreja hoje.

      • Marcos, o que você intende por essa declaração de Brigham Young:

        “Qualquer homem que tenha uma gota da semente de [Caim]… não podem possuir o sacerdócio, e se, nenhum outro profeta nunca falou isso antes, eu digo agora, em nome de Jesus Cristo eu sei que é verdade, e que todos saibam disso.” (Address to the territorial legislature, 16 January, 1852, recorded in Wilford Woodruff s journal of that date).

        Pra mim, está bem claro a autoria [e origem] da restrição do sacerdócio aos negros, ou seja, na administração de Brigham Young! Fique a seu critério [e de cada um] entender o que quiser. Eu só acho desonesto e covarde (principalmente por parte da igreja) dizer que “não sabe” o motivo: (porque, como, quando, onde, etc.), se documentos históricos demonstram o oposto e desmentem essa postura.

        Haviam pelo menos cinco negros que receberam o sacerdócio na presidência de Joseph Smith (inclusive um pelas próprias mãos dele) e no inicio da administração de Young também, porém, alguma coisa aconteceu a posterior, que Young passou a restringir o sacerdócio aos negros.

        Agora fica a pergunta: Se a igreja sabe o porque, como, onde e quando a proibição se originou, porque ela ainda insiste em dizer que não sabe?

        Pensa aí amigo!

      • num livro de romance esta um texto sobre os mormons e a maçonaria e algumas regras sobre o mesmo gostava de tirar minhas duvidas ok

      • - concordo com o Marcos,
        “não sabemos” e os tempos eram outros,
        antes de se imaginar em racismo tem que pensar como era aquele tempo,
        a igreja já era perseguida pq o Profeta Joseph ter tido a 1ª Visão agora junte
        ele conferindo o sacerdócio a todos os negros que eram da igreja,pode imaginar?
        – só para lembrar aquele tempo era de pura escravidão e a igreja era contra isso,
        e como foi comentado aqui e nas escrituras,que todos negros tem tds as bençãos do
        Evangelho.O pq não se conferiu não se sabe mas como a gente sabe o mundo evoluiu e
        tem coisas que o Senhor precisava fazer para que Sua igreja pudesse progredir sem precisar passar por cima da leis dos homens.

  3. De todas as inúmeras questões terríveis que há no evangelho, por que escolher justamente uma que pouco acresce para o nosso desenvolvimento moral, intelectual e espiritual e nela permanecer? Há certos momentos durante uma pesquisa científica onde o pesquisador percebe que, em virtude da falta de ferramentas e cabedal tecnológico é o momento de se partir para uma outra direção. Creio ser o mesmo verdade para o caso deste e de alguns outros assuntos. Não contaminemos coisas de caráter tão sagrado com nossas idiossincrasias limitadas. Tratemos das coisas como elas nos são dadas – sei que haverá momento onde nosso conhecimento nos permitirá delas melhor falar e compreender.

    • Ricardo Prins – (1) De todas as inúmeras questões terríveis que há no evangelho, por que escolher justamente uma que pouco acresce para o nosso desenvolvimento moral, intelectual e espiritual e nela permanecer?

      De quem você está falando? Da igreja, por ter mudado o cabeçalho da DO2? Do autor do artigo (Antonio), por trazer este assunto à tona? Ou de mim?

      Ricardo Prins – (2) Há certos momentos durante uma pesquisa científica onde o pesquisador percebe que, em virtude da falta de ferramentas e cabedal tecnológico é o momento de se partir para uma outra direção. Creio ser o mesmo verdade para o caso deste e de alguns outros assuntos.

      Cientifico pode até ser, espiritual não! Pois o que as escrituras nos ensinam é que; quando uma pessoa tem falta de sabedoria [ferramenta e cabedal tecnológico] é nos orientado a buscar à Deus, tanto pela fé, quanto pelo estudo (e Ele nos revelará, até mesmo coisas ocultas), e é exatamente o que estamos fazendo aqui.

      Ricardo Prins – (3) Não contaminemos coisas de caráter tão sagrado com nossas idiossincrasias limitadas. Tratemos das coisas como elas nos são dadas – sei que haverá momento onde nosso conhecimento nos permitirá delas melhor falar e compreender.

      Se você estiver falando de mim (aguardo resposta), eu posso dizer sem titubear, e repito, a igreja está MENTINDO, pois ela sabe muito bem o MOTIVO da proibição. Ela só não quer assumir o erro, publicamente! Outra, como nós vamos tratar de certas coisas, CALADO, quando sabemos que estas coisas nos são dadas pela metade, distorcidas e equivocadas?

      Ps.: Se você não estiver falando de mim Ricardo Prins, desconsidere!
      Porém, eu não volto atras do que disse antes.

      • Não, não estava falando pra você. Respeito seu direito de dizer o que bem entende, de achar o que bem entende. Essa liberdade de opinião seguramente conduz à descoberta da verdade, mesmo que conduza por caminhos que não necessariamente sejam corretos ou coerentes.

  4. Eu achei muito oportuna a prepositura de tal texto, no atual momento de reformulação geral, no caso da igreja SUD, de forma lenta e vindo através de pressões externas e outras desconhecidas e pelo que sei esse site está aqui para um debate democrático, de FATOS, .. idiossincrasias , é algo subjetivo, para uns eleva a fé, para outros faz a mesma sumir, depende onde estamos centrados e o quando cada indivíduo é inflexível a mudanças e em que embasa os critérios de pensamento para satisfazer o que se crê ser verdade. Na minha opinião, a igreja sabe o motivo, até por que desde o tempo de Joseph Smith, a liderança em geral mantinha diários sobre os fatos e doutrinas, devido a forte influência contemporânea na época, contra a libertação dos escravos, e doutrina expressada de forma equivocada dos filhos Canaã (Gênesis 9:25). Enfim, não existe nenhuma revelação em D&C proibindo o sacerdócio ou limitando direitos (leitura taxativa) de diversos grupos, tais assertivas se fizeram por mera influência contemporânea, tendo em vista que a opinião da igreja no tempo de JS, era contra a escravidão, fato até bem evidenciado em filmes como Joseph Smith, 200 anos de seu aniversário, e o Legado, motivo de muita e muita perseguição. Em verdade fico muito feliz quando instituições religiosas Católica, SUD, reconhecem seus erros(direta ou indiretamente), pois um Líder é humano, sujeito a falhas, e nos estudos dos temas aqui no site e em diversos lugares, se vê a opinião de líderes serem dadas,(necessariamente não precisa ser a mais correta,ou a verdade, mas uma interpretação pessoal… o grande problema seria se estivesse como revelação falada como doutrina no nome do Senhor..onde na minha opinião se verifica os falsos profetas, líderes…etc, tais reconhecimentos me mostra que Deus e seu filho se importam conosco e em algum momento quando necessário corrige os caminhos de sua igreja.

  5. Olá, Antônio.

    Considero muito importante você ter trazido a tona este assunto. Até pouco tempo atrás eu também não sabia da ordenação de negros ao sacerdócio antes de 1978 na história da IJCSUD.

    Penso da mesma forma que você, pois também acredito que grande parte dos membros da Igreja desconhecem essas ordenações. Ano passado, convivi com um missionário africano, de Cabo Verde. Fiquei sabendo que ele desconhecia até mesmo a proibição da ordenação ao Sacedócio para os negros até 1978. Acredito até mesmo que muitos conterrâneos dele e entre os demais membros negros ao longo do mundo, existem aqueles que também desconhecem tal fato. Até porque, este tema não é muito comum de ser tratado em nossas aulas, quóruns, organizações ou em discursos sacramentais ou de conferência de estaca.

    Só espero que em breve este novo cabeçalho esteja disponível online em outras línguas, além do inglês, e que também seja impresso nas versões escritas da tríplice. Já seria um excelente serviço à História, como você bem expressou, Antônio.

    Só uma pergunta, Antônio: você sabe dizer se Elijah Abel e Walker Lewis chegaram a receber também suas investiduras?

    Um abraço.

      • Na minha opinião é lamentável que um racista, entre outras coisas, liderou a igreja algum tempo…Graças damos a Deus , que no seu devido tempo corrige as injustiças…pena que demorou tanto tempo para que Deus corrigisse tal atrocidade, assim como ainda tantas outras limitam os filhos de Deus, para que atinjam seu potencial divino…Não sei por que Deus permite que isso aconteça…ou seja homens que falam em nome de Deus e para o povo de Deus, tantos erros, o notório é que ele permite, e serve a nós termos a mente e o coração voltados a Deus para lutarmos pelo que temos convicção ser o correto….aos poucos a restauração vai a diante…

      • Olá, Giovanni.

        Obrigado pela informação e pelo link enviado.

        Um abraço.

  6. Senhores! Obrigado pelo sadio debate e isso é maravilhoso ao expressar nossas opiniões.
    Logo esse fato na minha opinião não muda a verdade da Igreja e do Evangelho de Jesus Cristo. Na Última Conferência Elder Andersen falou sobre declarações de lideres antigos que são levados a tona e causam tantos mal entendidos. Se foi errado ou não o importante é que agora esta certo e que se erraram nós também erramos. Deixemos com o Senhor que a seu tempo ou para seu grande propósito resolverá todas as coisas. Mais uma vez agradeço. Abraço a todos.

    • Olá, Everton.

      “Se foi errado ou não o importante é que agora esta certo e que se erraram nós também erramos. Deixemos com o Senhor que a seu tempo ou para seu grande propósito resolverá todas as coisas.”

      Se o erro foi dos líderes da Igreja, como deixar para o Senhor resolver o assunto?

      Considero este assunto muito importante. Quando servi uma missão de tempo integral, logo em minha primeira área fui indagado juntamente com meu companheiro (negro), porque a IJCSUD não aceitava negros. Não foi difícil responder, porque ali ao meu lado estava uma prova viva de que a igreja não era racista, o meu próprio companheiro de missão. Porém, tenho certeza que aquela pessoa que nos fez aquela pergunta, estava querendo se referir à proibição da ordenação ao Sacerdócio aos negros até 1978.

      Portanto, o tema é sim muito relevante. Até que a Igreja não explique o que de fato estava por trás desta proibição, ainda terão muitos membros utilizando escrituras e palavras de líderes antigos para justificar a exclusão de membros negros até 1978 das bençãos d0 sacedórcio, da investidura e do casamento no templo, enfim, da exaltação! E mais ainda, enquanto a Igreja continuar dizendo “não sabemos”, este assunto continuará a ser um dos empecilhos ao “crescimento real” da Igreja.

  7. Olá Jamil!

    Não tiro a sua razão e se soubessemos seria realmente muito importante para o crescimento Real da Igreja; É um assunto de grande relevância porém em minha opinião a Igreja não é Racista, muito pelo Contrário! Pedro quando recebeu a revelação de levar o evangelho ao Gentil não entendeu o porque eles o consideravam imundos … ( Atos ) no entanto ele reconheceu que chegara o tempo de levar o evangelho aos gentil e que o Senhor não fazia acepção de pessoas… Quem sabe não foi assim também em nossos dias e quando chegou o tempo realmente aconteceu … Se eles erraram agora não esta certo … Se realmente foi um erro isso então não custa nada adimitir certo ??? Passei por isso na missão também e meu testemunho se fortaleceu e o Senhor concedeu-me um testemunho da veracidade … É verdade não é ??? Então nada mais importa!!!!

  8. Gostaria de comentar alguns pontos do novo cabeçalho, enumerando-os abaixo:

    (1)Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio.

    Esta parte do texto não diz o porque poucos negros foram ordenados ao sacerdócio!? Dando crédito por exemplo, à teoria da EXCEÇÃO, onde Joseph privilegiou alguns poucos negros livres, que foram valentes e fiéis ao evangelho restaurado, portanto, merecedores do sacerdócio (autorizados por Deus). Então, esta parte acaba por reforçar ainda mais a crença em tal teoria, em vez de ajudar.

    (2) No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana.

    Esta parte não deixa claro qual líder parou de conferir o sacerdócio aos negros (Joseph? Young?) e porque os de origem africana! Novamente, dando margem à varias interpretações e falta de transparência, sendo que, a igreja sabe o motivo da proibição e quem proibiu. Explico a seguir.

    (3) Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática.

    Oferecem sim, pois os registros mostram claramente que esta prática se deu inicio com Brigham Young. Ou seja, a igreja não quer assumir o erro e ainda por cima faz suspense, dando aos membros margem para várias interpretações. Ex: Se deu inicio à proibição em: (a) Pré-mortalidade/menos valente? (b) Egyptus?, (c) Caim?, (d) Cam?, (e) Canaã?, (f) Joseph Smith? (com a teoria da exceção como explicado no item 1), e (g) Brigham Young. Sendo este último, mais certo, por sabermos o motivo teológico da proibição por intermédio dele – que por sinal, infundada. Há alguns registros (de muito crédito) que dão a entender que o motivo da proibição foi por motivos pessoais de Young, onde ele aproveitou da situação (do orgulho e da vaidade) para amputar aos negros esta sentença, e pior, usando das próprias escrituras sagradas e de sua autoridade como profeta para tal atrocidade.

    (4) Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação.

    Eis a parte mais ambígua do texto, pois da-se a entender que a proibição foi autorizada por Deus e que somente Ele poderia anulá-la (no seu devido tempo). Ou seja, os lideres não tem coragem de assumir o erro e tentam consertá-lo (com o tempo), dissimuladamente. Preferindo assim, o sigilo e proteção da instituição, em vez da verdade.

    • Então devemos supor que Brigham Young perdeu sua exaltação por tal “atrocidade”.
      É por esses tipos de “mimimis” que a igreja não manifesta de fato os pormenores da questão. Considero mais um teste à fé dos Santos.

      • >Então devemos supor que Brigham Young perdeu sua exaltação por tal “atrocidade”.
        Cadê? Onde eu falei isto?

        >É por esses tipos de “mimimis” que a igreja não manifesta de fato os pormenores da questão.
        Não é “mimimis” não meu amigo, são fatos! Prova-me o contrário!

        >Considero mais um teste à fé dos Santos.
        Considero mais como uma forma de blindagem e proteção aos Santos [muito covarde por sinal, já que protege alguns (ativos) em detrimentos de outros (inativos e demais)], para que não percam a fé. E o seu primeiro argumento corrobora isso. Portanto, é melhor – para a corporação – não perder fiéis à falar a verdade, porém com isso ela cai no desagrado e num dos maiores conceitos ensinados pelo mormonismo: “a verdade abraça a verdade” D&C 88:41.

        E: “…[Deus] não faz coisa alguma que não seja clara para os filhos dos homens…” 2 Né. 26: 33. (grifo meu)
        Cadê nas escrituras DEUS ordenando proibição do sacerdócio à africanos e afrodescendentes? Esse fato histórico (proibição) é uma das “doutrinas” mais confusas e a que mais carece de clareza dentro do mormonismo, portanto, não a considero vinda de Deus, e sim do homem.

        “…e convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, NEGRO e branco, ESCRAVO e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e TODOS SÃO IGUAIS PERANTE DEUS, tanto judeus como gentios.2 Né. 26: 33.

        Com essas escrituras eu não preciso dizer mais nada, por intermédio delas eu posso provar que Brigham Young (e a igreja mórmon) errou (e grave) com os negros.

  9. Giovanni,

    Achei interessante sua citação sobre os motivos pessoais de Brigham Young em relação aos negros na época, sei também que ele quando chegou a Utah realizou rebatismos, batizando novamente membros já batizados. Você poderia explicar mais sobre o que levou Brigham Young a tomar tais decisões.

    • Pedro,
      Segundo o historiador Connell O´Donovan, há 3 possíveis motivos e personagens negros que influenciaram Brigham Young à restringir o sacerdócio aos negros: (1) Élder William McCary, (2) Élder Walker Lewis, e (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis).

      (1) Élder William McCary
      William McCary chegou em Nauvoo no ano de 1845 dizendo que era meio negro-meio indio. Ele foi batizado e ordenado pelo apóstolo Orson Hyde em 1846. Neste mesmo ano ele casou-se com uma mulher branca chamada Lucy Stanton. Um ano depois, entretanto, ele foi excomungado da igreja por alegar ser um profeta. Ele ficou conhecido como Profeta Índio, ou Profeta Negro.
      Não fosse pela excomunhão, William McCary fundou sua própria religião mórmon, onde praticou sua versão de casamento plural com várias mulheres brancas. Este evento deixou Brigham Young furioso, e a partir daí (1847), Young passou a restringir o sacerdócio aos negros e privá-los de entrar no templo.

      (2) Élder Walker Lewis
      Walker Lewis, bem antes de conhecer o mormonismo, era um cidadão excepcional, culto, e maçom! A posterior – quando batizado na igreja em 1843 e ordenado élder em 1844 por Willian Smith, irmão de Joseph, – ele passou a ser o maçom mais proeminente na hierarquia mórmon. Este fato (junto ao engodo caso William McCary) podem ter causado a ira, a inveja e o desconforto em Young, e contribuído e muito na proibição do sacerdócio.

      (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis)
      Não fosse pela notável posição maçônica de Walker Lewis na igreja, ele também tinha um filho, Enoch Lovejoy Lewis, casado com uma mulher branca, Mary Matilda Webster Lewis, ambos membros da igreja. Mais um motivo que, junto os dois acima, alimentaria a ânsia de Brigham Young de restringir o sacerdócio aos negros.

      Este é só um esboço. Para ter acesso a um estudo mais detalhado, com notas e referências, segue abaixo os links das páginas do historiador Connell O´Donovan:

      http://connellodonovan.com/black_white_marriage.html

      http://people.ucsc.edu/~odonovan/elder_walker_lewis.html

      • A história deve ser sempre estudada e debatida, mas será que os membros devem ficar “ruminando” essa questão do não sacerdócio aos negros todos os dias? Isso já não foi resolvido? Amar e perdoar não é melhor?

      • Amar e perdoar é sempre melhor, Marcos. Mas não significa empurrar fatos históricos menos edificantes para debaixo do tapete. A Igreja deu um importante passo nessa reformulação do cabeçalho da DO2, reconhecendo homens negros, contemporâneos de Joseph Smith, que foram ordenados ao sacerdócio. Por que a Igreja teria feito isso s então houvesse a necessidade desse capítulo de nossa história ser retomado?

        Um abraço!

  10. Pedro,

    Segundo o historiador mórmon Connell O´Donovan, há 3 prováveis motivos e personagens negros que influenciaram Brigham Young à restringir o sacerdócio aos negros: (1) Élder William McCary, (2) Élder Walker Lewis, e (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis).

    (1) Élder William McCary
    William McCary chegou em Nauvoo no ano de 1845 dizendo que era meio negro-meio índio. Ele foi batizado e ordenado pelo apóstolo Orson Hyde em 1846. Neste mesmo ano ele casou-se com uma mulher branca chamada Lucy Stanton. Um ano depois, entretanto, ele foi excomungado da igreja por alegar ser um profeta. Ele ficou conhecido como Profeta Índio, ou Profeta Negro.
    Não fosse pela excomunhão, William McCary fundou sua própria religião mórmon, onde praticou sua versão de casamento plural com várias mulheres brancas. Este evento deixou Brigham Young furioso, e a partir daí (1847), Young passou a restringir o sacerdócio aos negros e privá-los de entrar no templo.

    (2) Élder Walker Lewis
    Walker Lewis, bem antes de conhecer o mormonismo, era um cidadão excepcional, culto, e maçom! A posterior – quando batizado na igreja em 1843 e ordenado élder em 1844 por Willian Smith, irmão de Joseph, – ele passou a ser o maçom mais proeminente na hierarquia mórmon. Este fato (junto ao engodo caso William McCary) podem ter causado a ira, a inveja e o desconforto em Young, e contribuído e muito para a proibição do sacerdócio.

    (3) Enoch Lovejoy Lewis (filho de Walker Lewis)
    Não fosse pela notável posição maçônica de Walker Lewis na igreja, ele também tinha um filho, Enoch Lovejoy Lewis, casado com uma mulher branca, Mary Matilda Webster Lewis, ambos membros da igreja. Mais um motivo que, junto os dois acima, alimentaria a ânsia de Brigham Young de restringir o sacerdócio aos negros.

    Para ter acesso a um estudo mais detalhado, com notas e referências, segue abaixo os links da página do historiador Connell O´Donovan:

    http://connellodonovan.com/black_white_marriage.html

    http://people.ucsc.edu/~odonovan/elder_walker_lewis.html

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