Para setenta, terra tem 6 mil anos!

terraJoão R. Grahl é um dos novos setentas autoridades de área chamados na última Conferência Geral. Professor universitário de administração, Élder Grahl afirma que o planeta terra tem 6000 anos de idade. Não, isso não é uma piada. É sério.

Vejamos um trecho de seu livro A Origem da Vida. Após refutar a teoria do Big Bang, Grahl escreve sobre a idade da terra:

Outras declarações de estudiosos e cientistas que passam desapercebidas para leigos e são ouvidas por muitos sem questionamentos é sobre a idade da terra. Frequentemente ouvimos que a terra tem milhões ou bilhões de anos. A terra só tem seis mil anos. Todos os cálculos que têm sido apresentados estão errados. (p.08)

É muito curioso que o Élder Grahl pense dessa forma, após “meio século de experiência” no mormonismo. Curioso ele nunca ter lido nada que o fizesse questionar sua afirmação tosca sobre a idade da terra. E não estou falando de geologia ou biologia, mas de doutrina mórmon. Ele poderia estar familiarizado, por exemplo, com as afirmações de que não devemos temer a ciência.

A pergunta que surge para o Élder Grahl é: se a terra tem 6000 anos, em quanto tempo foi criada? Seis dias de… 24 horas? A gente queremos coerência, pô!

João Roberto Grahl

João Roberto Grahl

Brincadeiras à parte, eu acredito que todos já dissemos idiotices e aprendemos mais ao longo da jornada.
Torço para que ele leia este texto. Ou que um de seus amigos leia. E quem sabe – sutilmente – leia para ele esta citação de David O. McKay, falando aos alunos da BYU:

as oportunidades são dadas para orientar os alunos nesta maior qualidade de vida, esta guia, esta âncora, este cordão levando para as profundezas da floresta. Seja qual for a disciplina, os princípios do evangelho de Jesus Cristo podem ser elaborados sem medo de que alguém recusá-lo, e o professor pode ser livre para expressar a sua convicção honesta sobre isso, se esse disciplina for a geologia, a história do mundo, os milhões de anos que foram necessários para preparar o mundo físico, seja na engenharia, literatura, arte (…) (Presidente David O. McKay,  30 de outubro de 1956, citado por Steven Jones em “How Old Is the Earth?“)

Por fim, é mais do que nunca atual a observação de Brigham Young:

Não me surpreende a infidelidade que permeia a maioria dos habitantes da Terra, pois os professores religiosos dos povos pregam ideias e noções da verdade que estão em oposição e contradição aos fatos demonstrados pela Ciência. (Journal of Discourses 14:117)

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69 comentários sobre “Para setenta, terra tem 6 mil anos!

  1. Antônio,

    acredito que muitos membros da IJCSUD também pensem como o élder João R. Grahl. Muitos, creio eu, porque desconhecem os ensinamentos de alguns líderes da igreja em relação à Ciência e outros porque foram ensinados em aulas do Seminário, Instituto e da Escola Dominical, que somente o evangelho tem todas as respostas, e que a Ciência não deve ser levada em consideração. Em outras palavras, quando existe um conflito entre o conhecimento científico e o conhecimento religioso, temos que dar preferência a este último, pois a Ciência em nada pode contribuir para chegarmos ao conhecimento das “verdades do evangelho”.

    Também há aqueles, entre nós, que não têm o menor interesse em estudar o evangelho, estudar a doutrina e a história da IJCSUD, que dirá sobre o surgimento do planeta em que vivemos.

    • Concordo, Jamil. Um dos aspectos que mais chama a minha atenção nesse episódio – e que serve de pano de fundo para nossa discussão – é justamente a falta de interesse pelo ensino e aprendizado de doutrinas. Será que o Élder Grahl crês ser essa a posição oficial da Igreja? Será que considera uma doutrina profunda, esotérica, que não é pública mas é a verdade?

      • Só podia ser coisa de brasileiro ! Nem sei o que dizer! Pra começar, é preciso entender que houve um criação e que ela não está integralmente descrita em todos os detalhes na “bíblia” em segundo, o que homem está aprendendo e descobrindo é a própria criação… -“E produza a água répties….” etc…. pensem nesta ordem “e produza” e por ai segue o resto, apenas o homem é colocado aqui e isto se dá pela ciência mais ou menos 7 milhões de anos depois de todo o resto, o homem que conhecemos foi o último a surgir pensem nisto…

    • A terra não foi criada em sete dias, ou sete mil anos, os dias descrito nas escrituras não quer necessariamente dizer dias (como contado pelo homens) mas períodos, foram sete períodos, agora estes períodos, não se sabe a quantidade de tempo entre eles, não adianta ficar especulando,se isso vai te tornar santo, vai fundo, eu ainda estou engatinhando nos princípios básicos do Cristianismo, pois em Coríntios 13:2, diz …que ainda que conhecesse todos mistérios e toda a ciência…e não tivesse amor, nada seria.
      leia Morôni 7:30.

  2. Não é só o David O. McKay som ensinou isso. As palavras de W. W. Phelps sobre a idade da terra foram publicadas com a aprovação do profeta Joseph Smith. Ele alegou que o universo, inclusa a terra, tinham 2,555,000,000 anos:

    http://bycommonconsent.com/2007/08/27/2555000000/

    Élder Grahl está especialmente atrasado comparado com outras autoridades gerais nesse assunto. Alguém deve falar com ele. Tenho uma teoria que tais coisas acontecem com maior freqüência no Brasil porque o ensino do inglês é tão péssimo que é mais fácil apreender num vácuo relativo e não estar tão ciente da inovação que já aconteceu no mundo afora, onde a maioria das publicações acadêmicas são feitas em inglês.

    • Obrigado pela referência, Carl. Por pura preguiça, não desenvolvi um apanhado das diferentes ideias sobre a idade da terra dentro do mormonismo. Mas também porque para membros que tendem a ser mais “ortodoxos”, essa tradição especulativa/metafísica do séc. XIX não tem muito valor.

      A deficiência com a língua inglesa impede muitos sud de ter acesso a recursos importantes para o estudo da sua história, etc. Mas isso não é verdade em relação ao conhecimento científico disponível para o público em geral e/ou no sistema educacional. Sim, há sérios problemas com a educação no Brasil também. Mas a atitude do Élder Grahl não difere daquela de norte-americanos com ensino superior que acreditam numa leitura literal de Gênesis. É motivada por (1) uma falsa dicotomia religião versus ciência e (2) pela ideia de que a religião possui as respostas para tudo..

      • E, como observo no debate sobre o casamento gay, essa falta de recursos culturais no mormonismo brasileiro faz com que muitos membros busquem no discurso evangélico radical uma identidade mais completa.

      • Acho que há poucas autoridades gerais americanos que publicariam algo tão ignorante hoje em dia. A maioria pelo menos sabem que a BYU tem as faculdades de biologia e de geologia que absolutamente dependem do princípio da terra velha para fazerem suas pesquisas científicas. Possam até acreditar numa terra jovem, mas raramente iriam exprimir algo assim em público.

      • Bem falado. Esse clichê me fez dar um facepalm na hora. Um momento galileano na história Mórmon :-)

      • Acredito que o Big Bang é um explicação para surgimento deste universo e não para a criação da terra exactamente. Quando estudados como surgiu isto ou aquilo estamos estudando a “criação”. Porque não existe um relato completo da criação e detalhadamente o que existe é um resumo dos resumos para um leigo entender. Diria que foi escrito para um “primata”.

  3. Aproveito para deixar esse link onde o líder dos setenta, se assim desejar, poderá ver como, quando e de que forma nosso planeta veio à existência. Os Deuses somente apareceria nesse cenário a apenas 12 mil anos atrás, quando eles ‘criaram os céus e a terra’, que não significou a ‘criação do universo e do planeta terra’ como todos eles, os componentes do bíblico “homem do pecado”, pensam e ensinam. (2Te 2:3-10) Caso todos vocês queiram. poderão entender como foi que ‘os céus e a terra’ foram criados e o que isso significou realmente

    link aqui: http://estudopessoal.blogspot.com.br/2013/04/depois-de-um-acidente-sorte-grande.html

    Apóstolo TDS

  4. Aproveito para deixar este link onde o líder dos setenta, se assim desejar, poderá ver como, quando e de que forma nosso planeta veio à existência. Os Deuses somente apareceria nesse cenário a apenas 12 mil anos atrás, quando eles ‘criaram os céus e a terra’, que não significou a ‘criação do universo e do planeta terra’ como todos eles, os componentes do bíblico “homem do pecado”, pensam e ensinam. (2Te 2:3-10) Caso todos vocês queiram. poderão entender como foi que ‘os céus e a terra’ foram criados e o que isso significou realmente

    link aqui: http://estudopessoal.blogspot.com.br/2013/04/depois-de-um-acidente-sorte-grande.html

    Apóstolo TDS

  5. Curioso, isso. Eu servi com um membro da família Grahl, e me pareceu que a tradição na Igreja dessa família faz um certo orgulho surgir. Espero que ele não sustente essa opinião por muito tempo, porque ela será derrubada logo, creio eu.

  6. Por muito tempo eu acreditei que a terra teria em torno de 6 á 13 mil anos(risos) e apenas isso,em grande parte está crença foi embasada pelas aulas do seminário,Instituto,além de outras obras como Doutrinas de Salvação V-2 e claro minhas próprias conclusões(risos),mas não me sentia confortável ao ouvir a ciência afirmar o contrário,decidi então buscar algumas explicações ou revelações que corroborassem a ciência e foram citadas pelo Antonio e Carl(até gostaria de saber se há outras?)que afirmam os milhões de anos que a terra tem.Hoje diminui muito o nível de resistência que tinha para aceitar o que a ciência afirma sobre este assunto.

    Diversas vezes fiz e faço reflexões com esta: Os materiais que foram usados na criação da terra, já existia, podemos entender que estes materiais que compõem o nosso planeta possuem milhares de anos,logo a ciência estuda estes materiais que ainda estão presentes para datar uma idade aproximada para o nosso planeta. Continuando esta linha de raciocínio, eles estudam os materiais que já existiam e estavam lá por milhares de anos,e não a criação(formação) da terra como a conhecemos hoje e lemos no livro de Gênesis, nos seis dias(mil anos para cada dia) que Deus levou para termina-la.

    Espero que o raciocínio tenha ficado claro(risos)

    • Também compartilho desse entendimento Alexandre;
      Após muito pensar sobre o assunto e pesquisar as escrituras e teorias cientificas, percebi que ambos podem estar certos, pedi uma orientação do Espírito, e veio a minha mente esta mesma conclusão junto com uma testificação do Espiritual.
      Obrigado irmão Alexandre, você me confirmou com um 2º testemunho o entendimento recebido. Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra.

      • Fico muito feliz que partimos do mesmo raciocínio lógico irmão Acir,hoje acredito em ambos os relatos científicos e criacionistas,mas confesso que ainda não cheguei a uma conclusão definitiva ou tenha recebido uma confirmação espiritual sobre, ainda me incomoda alguns estudos científicos,principalmente sobre a evolução das espécies,não acredito que a humanidade evoluiu de um coacervado(risos)*(hipótese de Oparinhttp://www.sobiologia.com.br/conteudos/Evolucao/evolucao4.php) por outro lado sei que o espírito confirmará aquilo que preciso aprender no seu próprio tempo. Abraços

    • A terra parece velha aos cientistas não porque foi feito de materiais mais antigos, mas porque as formações geológicas observadas na terra, que agora são bem entendidas, provam que o mundo levou bilhões de anos para estar do jeito que está hoje. Além disso, a datação radiométrica prova isso. Um curso de ciência física em qualquer universidade boa te dará o suficiente para entender isso melhor.

      Conforme somos ensinados em Doutrina e Convênios, é o nosso dever aprender todo tipo de assunto, “Tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro; as guerras e complexidades das nações e os julgamentos que estão sobre a terra; e também um conhecimento de países e reinos—Para que estejais preparados em todas as coisas.” (D&C 88:79-80) Portanto é importante que aprendamos sobre a ciência além de aprender somente sobre o espiritual.

      Henry Eyring (pai do primeiro conselheiro do profeta) disse “Nesta igreja, não se precisa acreditar em nada que não seja verdadeiro.” Para mim isso significa que, quando algo é constatado por um número suficiente de cientistas, se parece contradizer algo que aprendemos na Igreja, não é necessário rejeitar a ciência. Em vez disso, devemos humildemente reconhecer que nem tudo que aprendemos na Igreja tenha acontecido exatamente do jeito imaginado nem deve ser interpretado sempre literalmente.

      • Obrigado Carl pelo comentário,é verdade que precisamos tomar cuidado para não ser “xiitas”(nada contra a quem é) a ponto de interpretar tudo aquilo que está presente nas escrituras de forma literal, e também cuidado de ,não considerar ,aquilo que de fato é literal, estou mais aberto para explicações cientificas sobre algumas coisas mas faço a mesma critica de que a ciência pode ser entendida como não-literal ou tão exata ás vezes. Abraços!

      • É também importante, acho eu, reconhecer que o significado literal nunca é suficiente. Mesmo as coisas que podem ser aceitas literalmente não devem ser constrangidas apenas ao que é literal. Como Néfi disse que ele traduziu as palavras de Isaías para seu povo, aplicando-as a suas vidas, se nos limitamos apenas ao significado literal, deixamos de tirar o proveito máximo das escrituras, e também quanto mais nos distanciamos do contexto original, mais somos expostos à possibilidade dessas histórias ficarem irrelevantes no futuro, ao passo que se buscamos sempre novas interpretações que são mais relevantes aos nossos desafios atuais, as escrituras continuam sendo proveitosas.

    • Tenho que discordar que os elementos já existiam aqui, porque o estudo científico comprova como foi a formação das rochas, águas, etc… e tudo a começar testifica que era tudo água e existia uma porção seca, vá na bíblia e lei, verá que todo relato da evolução está completamente de acordo com a narrativa da bíblia embora seja muito abastrata, la diz que havia muitas aguas e Deus fez surgir uma porção seca etc…. sem comentários, com certeza quem afirmou que tudo já exitia não tinha conhecimento da biblia. lamento a sinceridade.

      • Rasta o que posso afirmar com base no que compreendi sobre o que disse é: Que eu não disse quais materiais ou elementos estavam presentes e se eram estes que existiam ou que foram usados por Deus na criação(você citou rochas,água,etc,não eu).

        Eu não sei o que foi usado(moléculas de água ou terra,prótons,quark,bóson,etc)posso até especular,achar e até ser tentado a afirmar com toda a certeza que eram estes os elementos,moléculas ou materiais envolvidos.Quanto ao relato da evolução estar ‘completamente de acordo’ com a narrativa da Bíblia,isso eu também não sei(risos) e ainda não tenho tanta fé quanto a sua para crer nisso.

        O que eu quis dizer foi: A ciência hoje pode estudar ou afirmar o processo que envolveu cada etapa da formação dos elementos tais como o surgimento das águas,terra,oxigênio, a formação da atmosfera e as moléculas que compõem os materiais, e é este material, a meu ver, que está composto por moléculas que possuem bilhões e milhões de anos e a ciência estuda,moléculas que já existem desde a origem do universo,umas mais novas outras mais velhas.

        Para mim Quando ela afirma que a terra possui 4,6 bilhões de anos aproximadamente, eu entendo que eles chegaram a este data aproximada estudando estas moléculas e materiais formados por elas, não o tempo que Deus levou para dar forma a terra.Datar quanto tempo exatamente ‘ELE’ levou para que a terra tornar-se habitável e terminasse o seu trabalho e transformar isso em tempo não creio ser possível ainda para ciência.

        Creio no relato da Bíblia que Deus levou seis dias, porém na sua esfera de tempo,o que também abre precedente para que eu creia na ciência mas infelizmente nem eu ou a ciência sabemos com certeza quanto tempo levou.Confuso não?(risos)

        conclusão: Creio assim como você que ambas as vertentes estão corretas, até que possamos receber mais luz e verdade sobre o assunto.Abraços

    • Alexandre,

      Achei interessante (e coincidência) como no livro “A Origem da Vida”, Grahl compartilha do mesmo raciocínio que você exprimiu ao dizer “Os materiais que foram usados na criação da terra, já existia,(…)”, veja:

      “Esses estudiosos e cientistas cometem um erro primário. Eles confundem a idade da terra, a sua existência, a sua formação, com a existência do material com a qual ela foi formada.
      A matéria utilizada por Deus para criar a terra seis mil anos atrás é que têm os tais milhões e bilhões de anos citados.” GRAHL, João Roberto (2011), “Como Tudo Começou” – A Origem da Vida, p.8.

      É só um comentário, eu mesmo não pendo a crer assim.

      • Obrigado Giovanni pelo comentário,meu ajudou a entender o que a princípio o Antônio postou, sobre o setenta afirmar que “a terra têm 6 mil anos”,realmente eu,ele e talvez muitos Sud´s partimos desse mesmo raciocínio,interessante,então concluo que também penso de forma parecida que a do Élder Grahl. ;)

  7. Esta é uma das questões mais difíceis de se responder; eu penso que é difícil usar apenas a ciência física/geologica para precisar a idade da terra, pois partindo da premissa de que a queda de Adão ocorreu a 6000 anos atrás, como você dataria uma época anterior a queda, se no jardim do Éden não havia morte e , portanto, decaimento radioativo (2 Nefi 2: 22)? É confiável usar um conjunto de leis (ciência) de um reino telestial (a presente terra) para obter-se conclusões a respeito de um reino terrestrial (a terra no seu estado edênico)? As leis daqui seriam válidas lá? Eu já ponderei bastante sobre o assunto e a unica coisa que penso é que as escrituras não acharam necessário dar muitas explicações sobre os detalhes que envolveram a criação e nós teremos que usar nosso melhor conhecimento para apenas conjecturar hipóteses. Para aqueles que querem reforçar ou mesmo alterar seu paradigma sobre o tema, eu recomendaria a leitura do livro Earth: In the Beginning, escrito pelo geólogo sud Erik Skousen; ele é um defensor de uma terra com milhões de anos e faz uma bela reflexão sobre o tema.

    P.S: Esse livro também tem edição em português brasileiro, no formato digital.(http://www.amazon.com/Terra-Princ%C3%ADpio-Portuguese-Edition-ebook/dp/B00AKGX8P8/ref=sr_1_sc_7?ie=UTF8&qid=1366757218&sr=8-7-spell&keywords=erik+skousen)

    • As premissas das quais vc partiu não necessariamente são válidas. A primeira presidência já disse sobre isso: “Quanto se os corpos mortais do homem evoluíram em processos naturais até a presente perfeição, através da direção e poder de Deus, se os primeiros pais de nossas gerações, Adão e Eva, foram transportados de uma outra esfera, com tabernáculos imortais, que se tornaram corruptos através do pecado de participarem de alimentos naturais, ao longo do tempo, ou se nasceram aqui na mortalidade, como outros mortais têm nascido, são questões não completamente respondidas na palavra de Deus revelada.”

      Isto indica que muitas narrativas de nosso passado não necessariamente devem ser tomadas literalmente, mesmo a narração da queda, do jardim do Êden e de Adão e Eva. Apesar de que a maioria tomam estas histórias literalmente, mesmo as nossas escrituras deixam a possibilidade de outras interpretações. Por exemplo:

      “E mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito. E ao primeiro homem de todos os homens chamei Adão, isto é, muitos.” (Moisés 1:33-34)

      Esta passagen de escritura já nos deixa uma alternativa para a história literal–a possibilidade de que Adão tenha sido um apelido que se referia aos primeiros da espécie e não a uma pessoa específica. Isto em conjunto com a possibilidade já dada pela Primeira Presidência de que “os corpos mortais do homem [tenham evoluído] em processos naturais” já nos parece uma opção mais sensata, quando se considera as pesquisas que estão sendo realizadas pela ciência, inclusive o departamento de biologia da BYU, que absolutamente dependem da teoria da descendência comum (a teoria de que o homem surgiu de espécies mais simples). A análise da DNA que já virou uma necessidade no dia-a-dia de tantos setores, não seria possível se essa teoria não fosse válida, e muitas outras coisas além disso.

      E se a descendência comum é um fato comprovado, aí precisamos reanalisar as histórias das escrituras e interpretá-las segundo a luz da verdade revelada de hoje. Isso talvez pareça uma coisa ameaçadora, mas eu dou boas vindas para tais revelações, porque elas nos ajudam a eliminar a idolatria.

      Eu gostei muito desse crítico literário que deixou alguns pensamentos muito sábios sobre a teologia:

      “Santo Agostinho definiu a teologia como ‘raciocínio ou discussão a respeito da Divindade.’ Agostinho também disse: ‘Quando alguém acha que entende Deus, não é Deus.’ Tomadas em conjunto, as duas citações revelam por que a teologia é ao mesmo tempo a mais exaltada e a mais condenada de disciplinas. Quando Charles Darwin publicou ‘A Origem das Espécies’ em 1859, era como um ácido que comia lentamente milhares de anos do pensamento religioso. Algumas pessoas entenderam imediatamente o que tinha acontecido. (‘Como é extremamente estúpido não ter pensado nisso!’, Lamentou Thomas Huxley). Alguns fundamentalistas ainda estão obstinadamente se recusando a evoluir. A verdade é que todo o esforço honesto para definir a realidade nos leva mais perto de Deus, enquanto que todo o esforço honesto para definir Deus culmina em destruí-lo. Em outras palavras, Deus é revelada pela realidade, mas não se esgota por ela. Darwin foi uma das melhores coisas que já aconteceu com a teologia, porque ele limpou um ídolo, um Deus que há 6.000 anos formou o homem da matéria e, em seguida, rigorosamente o separou dela, um Deus cuja bondade pode ser transparentemente lido no livro da natureza; um Deus que pode ser confinado a qualquer religião particular, ou até mesmo dentro da própria religião.”

      Não devemos tentar acomodar a ciência a nossas premissas, mas questionar nossas premissas. Não esqueça que “jamais somos obrigados a acreditar em nada que não seja verdadeira.”

    • Muito Interessante o seu comentário, Thiago,vou adquirir o livro do geólogo Sud e ler mais sobre o assunto, obrigado pela referência.Quando concluir a leitura farei alguns comentários sobre o que li no livro e aquilo que aprendemos na igreja ou com as autoridades gerais. #embuscadoconhecimento

  8. Percebo que há muita ignorância quanto à idade de nosso planeta aqui. Primeiro o irmão Teixeira menciona o caso em pauta, a do professor universitário(?), Élder grahl, que acha que a idade de nosso planeta é de 6 mil anos. Daí, li que José Smith, o profeta, dizia – sob inspiração, claro – 2 bilhões e 555 milhões de anos – este pelo menos chutou bem. Mais leitura e me deparo com outro, o irmão alexandrebezerril que, a princípio cria que a idade certa era também de ‘6 a 13 mil anos’, mas que agora, após muito estudar no seminário, acredita ser agora não mais de apenas na casa do milhar, mas dos ‘milhões’. Meu Deus, quanta ‘sabedoria’!

    Logo em seguida vem o irmão Acir que, após consultar o ‘espírito santo’, foi informado por ele que o que o irmão Alexandre concluíra é mesma a verdade! Segundo o espírito, pois, a idade da Terra está mesmo na casa dos ‘milhões’! Desta sorte nem podemos duvidar mais, pois foi o espírito quem falou isso e, sendo assim, não há mais o que refutar – ou será que o espírito errou dessa vez!?

    Ainda bem que a ajuda vem de fora, do irmão Carl! Segundo esse irmão, que estuda todas as coisas – logo podemos dizer que ele ‘tem uma mentalidade mais nobre’ (Atos 17:11) – a idade da terra chega à casa dos “bilhões de anos”. Parabéns irmão Carl. Fico aqui pensando qual seria a quantidade de anos que o irmão Teixeira, que em hipótese alguma arriscou um chute, teria para a idade de nossa Casa. Será que ele sabe? Ou melhor: será que ele aceita que a Terra tem 4,5 bilhões de anos de idade?

    Uma outra pergunta intrigante é: O que diz realmente a Palavra dos Deuses a respeito?

    Gostaria de compartilhar aqui dois link. Um deles vai expor a verdade sobre a idade da terra de um modo muito abrangente. Já o outro, explicará uma das particularidades das Escrituras nunca antes pensada ou estudada pelos mais sábios religionistas deste mundo. Eis os links:

    http://estudopessoal.blogspot.com.br/2013/04/depois-de-um-acidente-sorte-grande.html

    • Ao Tds Apóstolo dos Deuses Santos “o irmão alexandrebezerril que, a princípio cria que a idade certa era também de ’6 a 13 mil anos’, mas que agora, após muito estudar no seminário, acredita ser agora não mais de apenas na casa do milhar, mas dos ‘milhões’.” Amigo eu não disse que aprendi no seminário que a terra tinha milhares de anos ou que acreditava ter a terra milhões de anos, você poderia ler melhor meus comentários e verificar no que creio.

      Eu abri os link´s que você deixou para consulta, incluindo o blog, confesso que já havia assistido a matéria do natgeo, fenomenal o que eles demonstram, encontro muitas verdades nas quais creio lá, achei muito interessante também o que dizia o blog e até encontrei verdades que creio, mas para melhor entender e me aproximar, aprofundar do pensamento iluminado e esclarecido dos ‘deuses’, eu me preparei, assistindo estes filmes: Jurassic Park, Planeta Dos Macacos, Prometheus e reli a trilogia O senhor dos anéis, afinal quem sabe, talvez, Elfos, Hobbit´s, Orc´s, Nazghul´s, Troll´s, entre outros tenham realmente existido numa dessas ‘eternidades’’ ,por fim consegui “abrir” a mente ao nível de entendimento dos ‘deuses’.

      Brincadeira Tds Apóstolo Dos Deuses Santos. vamos primeiro Ler direito e depois comentar, fala sério! *não têm problema mas acho que esse comentário ou parte dele não será publicado.(kkkkkkkk)

    • Tds Apóstolo Dos Deuses Santos, só quero falar sobre sua abordagem aqui, não sobre o conteúdo. Acho absurdo e na verdade um pouco deprimente que você está tão enrolado em sua crença que tenha chegado ao ponto de achar que vai convencer alguém zombando dos outros desse jeito sarcastico. Você só acaba deixando a impressão de que se importa mais com o estar certo do que com o bem-estar alheio.

  9. As premissas das quais vc partiu não necessariamente são válidas. A primeira presidência já disse sobre isso: “Quanto se os corpos mortais do homem evoluíram em processos naturais até a presente perfeição, através da direção e poder de Deus, se os primeiros pais de nossas gerações, Adão e Eva, foram transportados de uma outra esfera, com tabernáculos imortais, que se tornaram corruptos através do pecado de participarem de alimentos naturais, ao longo do tempo, ou se nasceram aqui na mortalidade, como outros mortais têm nascido, são questões não completamente respondidas na palavra de Deus revelada.”

    Isto indica que muitas narrativas de nosso passado não necessariamente devem ser tomadas literalmente, mesmo a narração da queda, do jardim do Êden e de Adão e Eva. Apesar de que a maioria tomam estas histórias literalmente, mesmo as nossas escrituras deixam a possibilidade de outras interpretações. Por exemplo:

    “E mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito. E ao primeiro homem de todos os homens chamei Adão, isto é, muitos.” (Moisés 1:33-34)

    Esta passagen de escritura já nos deixa uma alternativa para a história literal–a possibilidade de que Adão tenha sido um apelido que se referia aos primeiros da espécie e não a uma pessoa específica. Isto em conjunto com a possibilidade já dada pela Primeira Presidência de que “os corpos mortais do homem [tenham evoluído] em processos naturais” já nos parece uma opção mais sensata, quando se considera as pesquisas que estão sendo realizadas pela ciência, inclusive o departamento de biologia da BYU, que absolutamente dependem da teoria da descendência comum (a teoria de que o homem surgiu de espécies mais simples). A análise da DNA que já virou uma necessidade no dia-a-dia de tantos setores, não seria possível se essa teoria não fosse válida, e muitas outras coisas além disso.

    E se a descendência comum é um fato comprovado, aí precisamos reanalisar as histórias das escrituras e interpretá-las segundo a luz da verdade revelada de hoje. Isso talvez pareça uma coisa ameaçadora, mas não é uma ameaça à existência de Deus e sim a um ídolo.

    Eu gostei muito desse crítico literário que deixou alguns pensamentos muito sábios sobre a teologia:

    “Santo Agostinho definiu a teologia como ‘raciocínio ou discussão a respeito da Divindade.’ Agostinho também disse: ‘Quando alguém acha que entende Deus, não é Deus.’ Tomadas em conjunto, as duas citações revelam por que a teologia é ao mesmo tempo a mais exaltada e a mais condenada de disciplinas. Quando Charles Darwin publicou ‘A Origem das Espécies’ em 1859, era como um ácido que comia lentamente milhares de anos do pensamento religioso. Algumas pessoas entenderam imediatamente o que tinha acontecido. (‘Como é extremamente estúpido não ter pensado nisso!’, Lamentou Thomas Huxley). Alguns fundamentalistas ainda estão obstinadamente se recusando a evoluir. A verdade é que todo o esforço honesto para definir a realidade nos leva mais perto de Deus, enquanto que todo o esforço honesto para definir Deus culmina em destruí-lo. Em outras palavras, Deus é revelada pela realidade, mas não se esgota por ela. Darwin foi uma das melhores coisas que já aconteceu com a teologia, porque ele limpou um ídolo, um Deus que há 6.000 anos formou o homem da matéria e, em seguida, rigorosamente o separou dela, um Deus cuja bondade pode ser transparentemente lido no livro da natureza; um Deus que pode ser confinado a qualquer religião particular, ou até mesmo dentro da própria religião.” (http://online.wsj.com/article/SB10001424127887323419104578374232183585830.html)

    Não devemos tentar acomodar a ciência a nossas premissas, mas questionar nossas premissas quando não combinam com um fato bem comprovado. Não esqueça que “jamais somos obrigados a acreditar em nada que não seja verdadeira nesta Igreja.”

    Além disso, acreditar que a terra tenha existido em outro estado antes dos mais de quatro bilhões de história que observamos na natureza terrestre não teria sentido na economia de Deus, pois isso significaria que Deus havia colocado as coisas do jeito que estão agora só para dar uma impressão errada–contradiria toda a evidência que observamos de que a terra ficou desse jeito por um processo muito gradual. Também isto não daria conto do meio tempo entre a formação do planeta e o surgimento do homem que claramente observamos no registro natural.

    Qualquer outra teoria que se propusesse teria que explicar todas as observações que temos acumulado até agora melhor que as teorias que já foram desenvolvidas. E se não conseguimos fazer isso, somos moralmente obrigados a aceitar o sangue, suor e lágrimas sacrificados por aqueles que labutaram para chegar a um endendimento melhor da natureza e assim aliviar o sofrimento humano.

    • Duas excelentes colocações do Carl:

      “E se a descendência comum é um fato comprovado, aí precisamos reanalisar as histórias das escrituras e interpretá-las segundo a luz da verdade revelada de hoje. Isso talvez pareça uma coisa ameaçadora, mas não é uma ameaça à existência de Deus e sim a um ídolo.”

      “A verdade é que todo o esforço honesto para definir a realidade nos leva mais perto de Deus, enquanto que todo o esforço honesto para definir Deus culmina em destruí-lo.”

  10. Olá amigos gostaria de contar com a ajuda de vocês com uma questão, que tem a ver com o assunto do artigo.
    Tenho alguns amigos adventistas e eles acreditam que os 7 dias da criação são 7 dias literais de 24 horas. Sei que doutrina da igreja entende diferente porém não sei como demostrar para eles através das escrituras que esses 7 dias da criação não foram 7 dias de 24 horas.
    Alguém poderia me ajudar apresentando uma argumentação convincente que refute essa teoria da criação em 7 dias de 24 horas?
    Agradeço desde já.

    • Rafael,

      Os textos bíblicos hebraicos clara e inequivocadamente estabelecem os “dias” da Criação como sendo “períodos” de 24 horas.

      Qualquer outra interpretação diferente é moderna e manipula (desrespeitosamente deturpa) os textos originais.

      Tentar montar um “argumento convincente” por outro conceito, exclusivamente através das escrituras” hebraicas, exige uma dose não pequena de ignorância (histórica e literária) e/ou desonestidade (intelectual).

      Eu sugiro buscar outra abordagem. O Carl ofereceu algumas boas sugestões.

      • “Qualquer outra interpretação diferente é moderna e manipula (desrespeitosamente deturpa) os textos originais.”
        Com isso, você quer dizer que o ensinamento do templo é falso ou entendi errado?

      • Com isso eu quis dizer que os textos hebraicos clara e inequivocadamente delineam uma (ou duas) estória(s) de Criação em seis dias.

        Se você (ou um profeta) quiser delinear uma estória diferente dentro do Templo, você (ou o profeta) é inteiramente livre para faze-lo. Você (ou o profeta) pode até estabelecer que a nova narrativa é a correta e a(s) narrativa(s) hebraica(s) são falsas. Agora, você (ou qualquer profeta) não pode delinear uma estória diferente e fingir que essa estória é a mesma que os textos hebraicos relatam. Não sem 1) ignorar os textos hebraicos, ou 2) mentir.

        Posto de maneira mais clara: em nenhum momento eu me referi à validade do “ensinamento do templo”. Simplesmente comentei sobre o fato estabelecido da(s) narrativa(s) bíblica(s) hebraica(s).

      • Mesmo assim, Marcello, eu diria que focar no fato de que um dia tinha 24 horas para os autores da Bíblia seria colocar demasiada ênfase num especto da história que é a final de contas incidental. Seria presumir que o mito religioso faz alegações sobre questões de fato que são as mesmas que as alegações da ciência moderna, o que é patentemente o contrário do que sabemos sobre o texto. Isto, a meu ver, seria tentar enfrentar o fundamentalista no próprio campo de batalha dele, que na verdade é completamente ilusório.

      • Obrigado Marcello pelas informações.
        Porém não entendi bem o seu primeiro parágrafo, você quis dizer que a criação foi feita em “períodos de 24 horas”? Se assim for, ficaria praticamente igual aos “dias de 24 horas” não?
        Ou você quis dizer que os textos hebraicos não estabelecem “dias” e sim “períodos” não necessariamente de 24 horas?

    • Rafaelmf, a meu ver o problema principal de tais apologéticas é que elas empregam uma precisão científica que os escritores originais não possuíam. Ironicamente, o fundamentalismo erra porque enxerga a Bíblia pela lente do secularismo.

      • Realmente Carl é necessário considerar a conjuntura em que ocorreu a revelação para chegar mais perto da mensagem real que a escritura pretende transmitir.

      • Rafael eu acredito que o seguinte pode ajudar, ou talvez não(risos), a explicar para os adventistas ou qualquer pessoa, a questão tempo na criação, podemos pensar em Paradigmas,Prismas,Ponto de Vista etc e ter a certeza que mesmo a ciência não é uma exata(na minha opinião).
        Para a academia científica levaram “bilhões de anos”,para Deus na contagem de tempo que ele usa dias e para a contagem de tempo de alguns Sud´s “milênios”,usando estas escrituras como base, “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.” – Salmos 90:4,”Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” – 2 Pedro 3:8

        Encontramos o elemento ‘Tempo’ em todas as narrativas ou estudos, embora a escala ou uso deste tempo difira dependendo da esfera que o ser esteja fazendo o cálculo.

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