Alguém acredita que, em pleno século 21, e mais de 3 décadas após o fim da segregação racial na Igreja SUD, racismo ainda seja um problema na Universidade Mórmon?

Os comentários de um Professor de Religião na Universidade de Brigham Young (BYU), em Provo, Utah, publicados ontem no The Washington Post causaram desconforto — e furor — por seu conteúdo racista.
Randy Bott expressou sua opinião que a Proibição ao Sacerdócio não se iniciou com Brigham Young, mas com Caim que, por haver matado seu irmão Abel, foi amaldiçoado com a cor-de-pele Negra e sem acesso ao Sacerdócio.
“Deus sempre foi descriminador” no que diz respeito a quem Ele outorga a autoridade do Sacerdócio, diz Bott, o teólogo da BYU. Ele cita escrituras Mórmon que diz que Deus dá a Seu povo “como lhe prouver.” Bott compara Negros com crianças que prematuramente pedem as chaves do carro do pai, e explica que da mesma maneira antes de 1978, o Senhor havia determinado que os Negros ainda não estavam prontos para receber o Sacerdócio.
“O que é discriminação?” pergunta Bott. “Eu acho que é proibir acesso de algo para alguém que lhe poderia trazer benefícios, certo? Mas e se não lhes fosse trazer benefícios?” Bott diz que ao negar o Sacerdócio aos Negros – na Terra, mas não após a morte – os protegeu dos níveis mais profundos do Inferno reservados para as pessoas que abusam do poder do Sacerdócio. “Você não pode cair do topo da escada se não primeiro chegar ao topo da escada. Então, na realidade para os Negros não poder receber o Sacerdócio foi a maior benção que Deus lhes poderia oferecer.”
Esse tipo de opinião ainda é defensável? Alguém ainda acha isso normal e não racista? Será que jamais conseguiremos desvincular o Mormonismo com o racismo anti-negro?

E desde quando é que a opinião de um ou outro membro da Igreja, seja ele professor da BYU ou de qualquer outra instancia vincula a minha opinião e da igreja em geral? Racismo houve, há e haverá sempre, porém o Mormonismo não se encontra vinculado ao mesmo.
Caro Rui,
Obrigado pelas suas indagações. Permita-me lhe oferecer algumas sugestões:
1) Leia o texto com um pouco mais de cuidado antes de postar um comentário. Onde nele você lê alguma sugestão de que a opinião do professor da BYU mencionado reflete a opinião de *todos* os membros da Igreja ou mesmo a posição *oficial* da Igreja?
2) Familiarize-se com os fatos um pouco melhor antes de postar afirmações positivas. Mormonismo não se encontra vinculado a racismo?
- Por 130 anos, não houve segregação racial na Igreja?
- Não se ensinou, por esse tempo, na Igreja, que a cor-de-pele de Negros e Ameríndios fora consequência de maldições divinas?
- O Presidente Brigham Young (2o) não apoiou a escravidão Negra, não legalizou escravidão em Utah?
- Brigham Young não ensinou que o casamento interracial era um pecado — passível de punição capital?
- Brigham Young não chamou a escravidão Negra de “instituição divina” e profetizou que ela não seria abolida até depois da “remoção da maldição”?
- Brigham Young não descreveu essa maldição como “nariz achatado e a pele negra”?
- O Apóstolo Charles C. Rich não foi dono de escravos Negros?
- Brigham Young não aceitou escravos Negros como dízimo, que tiveram que trabalhar por anos para “comprar” sua liberdade da Igreja?
- O Presidente Joseph F. Smith (6o) não selou Jane Manning James como uma escrava (“servente”) a Joseph Smith para o tempo e para eternidade?
- O Apóstolo Joseph Fielding Smith (10o presidente) não escreveu que Negros são uma “raça inferior”?
- O Apóstolo Bruce R. McConkie não disse que Negros foram “menos valentes na pre-existência”?
- O Presidente J. Reuben Clark não explicou a prática cara e laboriosa de excluir o Hospital SUD do banco de sangue da Cruz Vermelha Americana para não incluir bolsas de sangues de doadores Negros dizendo “queremos manter a pureza da corrente sangüínea do povo desta Igreja”?
- O Apóstolo Mark E. Petersen não se opôs publicamente a dessegregação de escolas?
- O Apóstolo Ezra Taft Benson (13o presidente) não se opôs ao movimento de direitos civis para Negros?
- Não temos até hoje em manuais da Igreja a injunção contra casamentos interraciais?
3) Tente levar em consideração que existe uma distinção entre o que se considera ideal (não deve haver racismo na Igreja!) e o que se encontra em realidade (há racismo na Igreja?). Igualmente importante, leve em consideração que há um passado racista indiscutível no Mormonismo, e junte-se a outros na discussão de como podemos superar esse passado de modo que ele não influencie o presente ou o futuro.
Essa é uma discussão importante, difícil, complexa, e dolorosa. Mas vendar os olhos, ou fingir uma realidade alternativa, ou alterar os fatos, ou mesmo reclamar do não-dito ou da verdade não ajudará em nada o debate e impede o progresso ético e espiritual.
Esse tal de Bott fala muita Bostta e se leu não entendeu a declaração oficial 2.
Dizer que o mormonismo não esteve vinculado ao racismo é muito pra cabeça!
Não nos espanta em nada vindo do mormonismo!
Júlio,
Eu imagino que você tenha consciência que *todos* os argumentos usados pelos líderes Mórmons para justificar a sua política oficial de segregação racial vieram, originalmente, das congregações evangélicas do Sul dos Estados Unidos, certo? E que os evangélicos do Sul dos EUA pregaram essas “doutrinas” até meados do século 20? E que ainda há muitas igrejas evangélicas que ainda pregam essas “doutrinas” raciais? E que usam/usaram a Bíblia para justifica-las?
Com relação a escravidão, eu suponho que você saiba que a Bíblia (tanto VT como NT) completamente apoia a instituição da escravidão? (e.g., Gn 9, 17, 27; Ex 21; Lv 19, 24; Is 14; Jr 27; Lc 12; I Co 7; Ef 6; Cl 3; I Tm 6, Tt 2, I Pe 2)
E, suponho ainda, que você conheça o ditado do “telhado de vidro”? Ou talvez a parábola da “primeira pedra”? (Pericope Adulterae em Jo 7:53-8:11)
vejo uma falta grande de assuntos e mentes fechadas em relação ao racismo! o que define-se por racismo? Os brancos tb moram em favelas e tb sofre os preconceitos , os albinos tb e mais ainda do que os nossos irmãos negros, este é um contesto geral.
Agora, na igreja nunca ouve racismo! Analizemos a historia religiosa e da humanidade… os samaritanos eram discriminados por sua cultura e praticas, os filisteus, cananeus, judeus e inumeros assim como os pagões ou gentios, os povos de sodoma e gomora etc, etc, assim como os proprios nefitas branquelos e caim e acima destes Lucifer como o anjo de luz ( branquelo) que possuia autoridade acima de todos nos, e qual a relação entre todos esses, iniquidades, quebra das leis universal, os proprios hebreus eram escravos e viveram na escravidão por milhares de anos e era o povo de Deus e isso mostra que ñ há distinção entre uns e outros; o proprio povo de moises foram privados de receber o sacerdocio de melquisedeque que o proprio moises possuia… Seria melhor julgar Deus por suas atitudes de tanto racismo ao longo da historia da humanidade?? Ou queremos nos colocar acima de Deus para determinar como deve ser as leis universais??
se tiver duvidas só me questionar! Ou só queremos tumutuar as situações com ideias fantasmas e infundadas.
Caro Demetrius,
O que se define por racismo? Seguem duas definições:
“Racismo | s. m. – Sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre os outros, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria (racismo anti-semita dos nazis).”
“O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, atribuindo superioridade a alguns de acordo com a matriz racial.”
Baseado nesse conceito bem-definido do que seja racismo, e na resposta que eu postei acima ao colega Rui, diga-me você se houve ou não racismo? Se há ou não racismo? Se é ou não imoral e anti-ético?
Caro Macelo, assim foi sua declaração e definição : O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, atribuindo superioridade a alguns de acordo com a matriz racial.”
De que linhagem CRISTO pertencia? Da casa de davi, de reis e principes assim como josé e maria e com isso CRISTO sofreu com a ditadura do preconceito e racismo,pois o podereil tava na mão do imperio romano; apessar de possuir um sangue puro passou pelos preconteitos e racismo por onde tinha nascido em nazaré, uma das cidade mais despreziveis, numa manjedora junto com animais e além do que ñ frequentou as escolas dos escribas e farizeus como os intelectuais da sua epóca…
Ai tá sua definição vinculado ao que CRISTO passou: O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais.
Assim como os Hebreus passaram maior parte de suas vidas sendo escravos e sofrendo com o racismo e a ditadura do preconceito.
Até em nome da sociologia ou sociopolitica existe a mascara de gesso da ditadura do preconceitos e racismo,pois os preconceitos é o termometro que mede em maior ou menor grau algum tipo de racismo ,e vinculo isto a sua propria definição acima em seu texto: O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar. Quando algo ñ atende as nossas ansiedades da vida e espectativas ou quando somos frustados,criamos pensamentos e ideias preconceituosas e criamos oposição á algum sistema querendo chamar a atênção pra gente…
A opinião e ponto de vista é particular de cada um e cada um responderá individualmente no dia do julgamento final,e essas opiniões particulares ñ faz parte oficial da igreja. Pedro que tormou-se profeta, tinha uma visão preconceituosa ou racista em relação aos gentios e resistiu diante o Senhor e entrou em conflito temporario com o apostolo Paulo e nem por isso foi destituido como profeta e nen por isso a igreja deixou de ser verdadeira… Talvés seu problema seja particular com a igreja que ficou mal resolvido, abraço meeu irmão.
Demétrius, eu acho que eu não lhe entendi muito bem, e não sei se o seu argumento ficou claro pra mim. Para esclarecer melhor os seus pontos acima, por favor, responda-me:
1) Jesus nasceu em Nazaré?
2) O fato de Jesus ser pobre, não ter acesso a educação formal, e vir de um vilarejo sem importância cultural ou econômica, significa que ele sofreu preconceito racial? Onde, nos textos do Novo Testamento, você lê que Jesus sofreu preconceito racial?
3) O fato dos Hebreus sofrerem preconceito racial no passado, e o fato do Novo Testamento pintar Pedro como tendo preconceitos raciais contra não-Judeus, justificam o preconceito racial contra Negros na atualidade?
4) Você leu aqui, em algum lugar, que eu havia dito que o preconceito racial exposto por Randy Bott é a postura oficial da Igreja hoje? Onde?
5) Você acha que o preconceito racial oficial e institucional da Igreja entre os anos 1852 e 1978 é uma invenção minha (i.e., meu “problema particular com a Igreja que ficou mal resolvido”)?
6) Você acha que 120+ anos de preconceito racial oficial e institucional na Igreja não tem nada a ver com o preconceito racial exibido pelo Professor Titular de Religião da BYU (Universidade oficial da Igreja) mencionado acima?
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Nossa, acho que os irmãos já esqueceram que a política da igreja sobre o sacerdócio é um dos assuntos definitivos na história da Igreja no Brasil!!
Por causa desta política, os presidentes das missões no Brasil decidiram não abrir certas cidades porque seria mais difícil achar homens não descendentes de negros.
A possibilidade de ter sangue “negro” também foi uma consideração frequente quando se escolheram líderes de ramos, alas, distritos e estacas. Creio que às vezes homens que pareciam bastante “escuro” tiveram que esclarecer sua genealogia para receber o sacerdócio.
Mesmo, se houve uma área na Igreja que influenciou mais a revelação de 1978, é o Brasil. Antes disso, as decisões da Igreja no Brasil foram altamente influenciadas por questões raciais.
Bem sei que fizeram essas decisões por entender que essa política foi mandamento do Senhor. Mas mesmo assim, é racismo, não é? Talvez essa política seja uma boa desculpa por ser racista, mas ainda assim agira assim é racismo.
Quando Nefi matou à Labão por causa do mandamento do senhor, ainda foi assassínio, não foi?
Randy Bott? Não foi Randy Marsh?
Então, Emanuel, este vídeo mostra como talvez um dos Randies pode estar se sentindo: http://www.southparkstudios.com/clips/104296/birth-of-n-word-guy
Pessoas de tal projeção e renome acabam – perante a opinião pública – por representar a igreja de modo informal. A Igreja já tratou de rapidamente se opôr ao que disse Bott, mas o impacto criado por declarações desse tipo é muito grande. E não se trata de alarmismo ou preconceito contra a Igreja sud.
Eu não me identifico com as opiniões de Bott e não tenho ideia de que percentual de membros pensam como ele, embora acredite serem uma minoria. Afinal, o discurso oficial dede 1978 te sido “não sabemos” por que motivo o sacerdócio foi negado aos negros até 1978. Seria interessante discutir até que ponto esse vazio criado pela política do “não sabemos” não abre espaço para e mesmo justifica explicações como as de Bott. Afinal, indivíduos com a mesma autoridade eclesiástica dos que hoje “não sabem” disseram antes saber detalhes do motivo.
Bott é considerado um dos professores mais populares da BYU e famoso pelo seu curso de Preparação Missionária. São “centenas de estudantes a cada ano”, diz o Deseret News em um artigo de 2011 entitulado “Professor inspirador: irmão Bott” http://www.deseretnews.com/article/705387468/Inspiring-Teacher-Brother-Bott.html
Imaginemos então quantos missionários já foram formados por ele e nutridos com a mesma doutrina a respeito dos negros, indo pregar o evangelho em áreas onde há população negra; e quantos professores de seminário e instituto, bispos, presidentes de estaca, de missão, da sociedade de socorro, quem sabe até algum setenta ou apóstolo, estão sendo formados por um docente como Bott. Ou seja, a opinião dele pode ter um profundo impacto em gerações de líderes. E, baseado em muito do que se conhece sobre a história mórmon, não será espantoso que algum aluno(a) pense que o que se fala em público não é exatamente a verdade, ou que Bott tenha ensinado a “carne” em contraste com o “leite”.
E as coisas não se limitam à esfera devocional, ao mundo de crenças religiosa, até pelo embate que se vislumbra nas eleições presidenciais norte-americanas entre um político negro de religião protestante e um político branco santo dos últimos dias. (Mesmo que o Romney tenha um álibi contra acusações de racismo, pelo papel progressivo que seu pai teve na década de 60. Se ele se lixa para os mais pobres, pelo menos seu pai se importava com os negros:).
Acho que esse professor da BYU foi apenas sincero; a doutrina da Igreja era essa mesma, foi assim que aprendi desde pequeno. Agora a doutrina é ‘não sabemos’ porque parece ser algo inexplicável. Mais inexplicável ainda é o ano de 1978; porque o Senhor não escolheu o ano de 1830?
Dan,
não tenho a menor dúvida de que o Bott foi sincero em relação ao que ele acredita ser verdade. A atitude dele ao falar ao Washington Post e mesmo seu comentário acima apontam para o fato de que houve uma mudança de política (prática) mas não uma mudança substancial correspondente na doutrina da igreja. A “doutrina sobre o negro” parou de ser ensinada oficialmente na Igreja, sem ser substituída por outro conhecimento, por outra explicação.
Acho que ano de 1978 é muito “explicável” pelo que estava ocorrendo fora dos EUA, incluindo a construção do primeiro templo da América do Sul, num país onde a miscigenação e o conceito de raça já tinha tirado de órbita o controle de quem era elegível ou não ao sacerdócio. Sim, o Brasil estava no centro das atenções, empurrando a hierarquia da Igreja numa direção que nem o movimento pelos direitos civis foi capaz de fazer. A nova política sobre ordenações ao sacerdócio foi anunciada em conferência geral em 30 de setembro e o templo de São Paulo foi dedicado um mês depois, em 30 outubro de 1978. O apóstolo LeGrand Richards em agosto daquele ano já admitia que a construção do templo no Brasil era um problema central para a Igreja.
Por que não em 1830? A pergunta pressupõe que houve uma continuidade de pensamento sobre o sacerdócio desde Joseph Smith até antes de 1978, o que não se confirma pela história. Joseph acreditava em linhagens e na visão tradicional das 3 grandes linhagens vindas de Cão, Sem e Jafé. Mas em sua plataforma como candidato á presidência, ele propõe o fim da escravatura. Joseph também convivia afetuosamente – ao que tudo indica – com membros negros como Jane Elizabeth Manning James, que após a migração ao oeste por diversas vezes requisitou ser selada ele como filha. E, mais importante, havia pelo menos dois negros ordenados ao sacerdócio durante a sua vida – Elijah Abel e Walker Lewis. Elijah Abel já na década de 1880 é listado como um setenta em Utah(!).
O que gostaria de enfatizar, Dan, e propôr como pontos para nossa discussão é o seguinte:
- muito pouco do que se disse a partir de Brigham Young sobre linhagens e sacerdócio pode ser atribuído a Joseph Smith; e o banimento do sacerdócio não começa com Joseph Smith, mas Brigham Young;
- a “doutrina sobre o negro” desenvolvida posteriormente, a qual você conheceu quando criança e que ganhou os holofotes de novo com esse professor da BYU é uma amálgama, uma grande mistura, de diversos ensinamentos, opiniões diversas; por exemplo, Brigham Young se opunha à ideia de que algum grupo de pessoas tivesse permanecido neutro na guerra dos céus; no entanto, essa ideia da neutralidade na pré-existência se tornou um dos alicerces principais da doutrina sobre o negro e uma das melhores justificativas doutrinárias para o banimento ou exclusão do sacerdócio.
Obrigado pela resposta, tenho algumas observações a fazer:
Acho que a declaração ocorreu somente em 1978 por razões jurídicas. A Constituição dos EUA tem como característica vincular apenas o Estado, não os particulares; até a década de 60 a Suprema Corte dizia que o Estado não poderia agir com racismo, mas os particulares sim poderiam. No final da década de 60, em novo julgamento a Corte mudou de orientação (a proibição ao racismo é o único direito previsto na Constituição americana que também vincula os particulares). Processos judiciais demoram algum tempo para serem ajuizados e depois julgados; neste contexto dez anos não é muito. Ainda, os direitos humanos (que a igualdade entre as raças é um exemplo), são frutos de conquistas que evoluem depois de muitos anos. No Brasil, a igualdade ficou mais explícita na Constituição de 1988; na África do Sul, o fim do Aparthaid foi em 1985. Hoje, imagine um processo no STF em que se discute os princípios da liberdade religiosa x igualdade racial? Possivelmente a Igreja teria que fechar as suas portas no país.
Outro ponto que tenho a observar: No Livro de Mormon há uma revelação explícita dizendo que o Senhor considera todas as pessoas iguais, independentemente de raça; em 1978 houve uma revelação explícita dizendo que o Sacerdócio deve ser conferido independentemente de raça. No entanto, que revelação existia antes para restringir o Sacerdócio para alguns? Se não houve revelação, mas simples ‘achismo’ de algumas autoridades, como ganhou status de doutrina para que viesse, posteriormente, outra revelação para dizer que todos tem direito ao Sacerdócio?
Carta da Primeira Presidência, em 17 de Agosto de 1949:
“A atitude da Igreja com referência aos Negros permanece como sempre esteve. Não é uma questão de declaração de política mas sim de mandamento direto do Senhor, sobre a qual esta fundamentada a doutrina da Igreja desde os dias de sua organização, resultando que Negros podem se tornar membros da Igreja mas que não tem o direito ao Sacerdócio no presente momento.”
Até aqui, não surgiu nenhuma revelação que sugerisse a Proibição. É possível que exista, mas não se sabe onde ou por quem. Entre os Apóstolos e a Primeira Presidência, houve inúmeras discussões justamente sobre isso durante boa parte do século XX.
Você pergunta como esse conceito migrou de uma opinião para uma doutrina. Se olharmos com cuidado, veremos que esse processo de evolução de pensamento religioso ocorre com frequência no Cristianismo, desde o século I: uma ideia vaga, uma opinião, ou um conceito novo ganha corpo com tempo, popularidade, e tradição, aumentando em complexidade, intensidade, e até específicos. Pelo registro histórico, parece ser um processo natural.
Infelizmente, estes sentimentos são compartilhados por muitos de meus irmãos SUD aqui nos Estados Unidos, especialmente entre aqueles que são o produto de muitas gerações de famílias SUD. Sei que durante a minha missão em Manaus, fiquei muito frustrado que não existiam mais livros SUD em português, livros de história da igreja, de doutrina, e outros livros publicados pelas Autoridades Gerais, pois existem tantos que são publicados em inglês nos Estados Unidos, pelo Deseret Book, Signature Book, e tantos outros. Mas eu acho uma das benções irónicos dessa falta de literatura SUD é que as idéias erradas sobre a segregação racial imposta pela Igreja até 1978 que eram tão comuns nos EUA (mesmo entre as Autoridades Gerais) não se espalharam tanto no resto do mundo. Claro, estas idéias ainda foram compartilhados por missionários, presidentes de missão, e outros, mas pelo menos não tinha também a autoridade de livros escritos por apóstolos e presidentes da igreja espalhando os mesmos preconceitos (Mormon Doctrine, Doctrines of Salvation, Journal of Discourses, etc.).
Por outro lado, isso resulta em outros problemas, como o choque que membros novos sentem quando encontram estes ensinamentos no internet e perguntam porque não tinham ouvido estas coisas na igreja. Ainda bem que agora tem comunidades virtuais como Mormon Stories Brasil aonde pessoas podem achar solidariedade quando encontram estes problemas.
Puro racismo. Lamentável tal postura. Somos todos filhos de Deus ou não? Opinões como do deste professor é que formenta o preconceito e a intolerância.
Hugh Nibley fez essa interessante observação:
“O forte preconceito foi há muito estendido aos índios por mórmons em altas posições, ainda que os mórmons sejam os únicos no mundo a acreditar que os índios são nada menos que do puro sangue de Israel.
Tais atitudes são fortalecidas pelo esnobismo da classe média americana; os mórmons gostam de se ver como WASPs – no entanto, foram os americanos cristãos, protestantes, brancos, rurais, que o Senhor com seus próprios lábios desaprovou, falando ao jovem profeta, como hipócritas; disse Ele: “estão todos errados… seus credos são uma abominação à sua vista… esses mestres são todos corruptos: eles se aproximam de mim com seus lábios, mas seus corações estão longe de mim, tendo aparência de religiosidade, mas negam o seu poder” (Joseph Smith- História 1:19).”
Não sei qual era exatamente a posição de Nibley a respeito da exclusão de negros do sacerdócio, mas me chamaa atenção que ele fala de um preconceito estendido aos ameríndios.
Chieko Okazaki também falou de limitações impostas aos membros asiáticos, que eram proibidos, por ex., de serem selados a indivíduos que não fossem igualmente asiáticos. http://vozesmormons.com.br/2011/08/05/morre-chieko-okazaki/
Isso nos lembra que o racismo anti-negro foi o mais “elaborado” doutrinariamente e provavelmente o que mais impactou o mundo, mas não foi o único.
Antônio, Hugh Nibley escreveu um pouco diretamente sobre a exclusão de negros em “The Best Possible Test,” um ensaio incluído em seu livro Temple and Cosmos (disponível nesta página: http://maxwellinstitute.byu.edu/publications/books/?bookid=103&chapid=1159). Mesmo que eu gosta muito do trabalho de Hugh Nibley em outros aspectos, neste ensaio ele reflete muito a geração dele e a época quando foi escrito (antes de Declaração Oficial 2), ao ver a exclusão de negros como uma benção para membros (brancos) da igreja, pois (ao ver dele) eles têm que aceitar a exclusão na base de fé, e este exercício de fé vai fortalecê-los. Claro, este argumento nem pensa no efeito que a exclusão teve (e ainda tem) no pensar de membros negros da Igreja. Não foi o melhor momento da carreira do Nibley, pelo menos ao meu ver.
Obrigado pela referência, Rolf. É interessante como Hugh Nibley era capaz tanto de fazer apologética quanto de chamar ao arrependimento a igreja, falando por ex. da falta revelação nos dias atuais, etc.
A escravidão foi um erro cometido pela humanidade como um todo e uma questão social e cultural em muitos paízes, a Igreja ( muito perseguida em 1830 ) não poderia ainda que quisesse libertar os negros que viviam no território. A Igreja sempre foi e sempre será perseguida por qualquer ponto de doutrina por seus inimigos quando estão enjoados de falar sobre a poligamia e as esposas de Joseph falam sobre o pretenso racismo da Igreja por negar o sacerdócio aos negros por um breve periodo de sua história em que os negros já eram escravos eles não tinham vida social é só refletir um pouco como um homem sem seus direitos civis e sua liberdade poderia frequentar a Igreja a reuniões eles não podiam mesmo entrar em um estabelecimento comercial, que todos os “brancos” se retiravam, trabalhavam durante o dia e iam para as senzalas durante a noite era uma vida dura e cruel mas a verdade é que os decendentes dos negros que sobreviveram tem seus direitos e sua liberdade nesta terra os que ficaram lá ainda sofrem, estamos bem aquem do que poderiamos ter isso siginifica que por mais que ainda temos recismo ainda sim temos liberdade temos até um presidente Americano negro não é mesmo?
Mas porque o sacerdócio só foi dado em 1978? Porque foi quando um lider da Igreja Inquiriu a Deus sobre o assunto e ponto, isso poderia ter acontecido antes? sim como tambem poderia não ter acontecido em 1978 e sim em 1990 ou outra data qualquer, o racismo que deve ser combatido e estirpado de nosso meio não seria o que está berrando nas nossas Tvs diariamente? nos Jornais, na internete, no nosso bairro, na escola, engraçado ninguem se escandaliza com os casos absurdos de escravidão no Brasil HoJe, isso mesmo Hoje, tem escravidão no Brasil e parece que ninguém faz nada a respeito. quando formos falar racismo e realmente quisermos fazer algo a respeito é só ler os jornais e ajudar a combater a discriminação, e não atacar uma decisão de um lider religioso incerido em uma sociedade cultural completamente diferente, com problemas e situações que desconhecemos em 1830 a 182 anos atras.
Rondinelle,
1) Nós conhecemos razoavelmente bem os problemas e as situações em 1830 há 182 anos atrás. Para isso estudamos a disciplina de História.
2) A Igreja poderia, sim, proibir a escravidão Negra no Território de Utah. Ela escolheu (via Brigham Young) legaliza-la. Inclusive, a Igreja poderia ter escolhido ajudar a eliminar a leis de segregação racial durante o século 20, mas escolheu (via alguns Apóstolos e alguns Profetas) apoia-las, décadas a fio.
3) Eu concordo plenamente com você que devemos “combater a discriminação” que ocorre hoje em dia. Por isso estamos discutindo os comentários racistas e preconceituosos de um dos professores mais populares de religião na Brigham Young University! Feitos há menos de uma semana atrás, e não há 182 anos!
Sr. Macelo jum,
1 ) Não demonstrou seus “conhecimentos” da diciplina História, e pelos seus artigos eles não são nem bons nem razoaveis o suficientes para serem citados. Recomendo também checar a autenticidade de suas fontes, mesmo antes de publica-las. Os anti-mormons já existiam desde a fundação da Igreja, e os documentos anti-mornons da época mesmo antigos são tão inverídicos quanto os de hoje, procure fontes neutras para que sua pesquisa tenha valor.
2 ) A Igreja poderia proibir a escravidão? Novamente sua falta de razão surpreende, vamos elucidarum pouco os fatos. Isso era função do Estado Maior, A Igreja ´não vai contra o estado, Dê a César o que é de Sésar. E se a Igreja deveria ter proibido a escravidão, também não o deveria ter feito as outras seitas e credos da época? Quais foram as iniciativas deles?
3) Chama o qua faz de “combater a discriminação”? Devo dise-lhe que está muito equivocado sobre o que vem a ser combater a discriminação, sua real intenção sempre foi desde a primeira linha escrita a de atacar a Igreja Mormon não é mesmo? Ou dos grandes problemas de racismo no mundo por um acaso você escolheu as declarações pessoais de um professor Mormon de uma universidade ligada a Igreja por acaso? Macelo, aceditar em você seria um conto da carochinha.
Rondinelle,
1) Você acha? Qual? Por que? Seja específico.
2) Quando a constituição do Estado de Deseret, e posteriormente o Território de Utah, foi redigido, quem controlava a Assembleia Constituinte? Não era a Igreja? Brigham Young não era o Governador? Ele não controlava a Assembleia Constituinte? Não eram todos os membros da Assembleia Constituinte também membros da Igreja, e mais, do Conselho dos Cinquenta? Eles não se haviam reunido como Conselho dos Cinquenta pare decidir na constituição *antes* da AC reunir-se oficialmente? A introdução pública da Proibição não foi apresentada pela primeira vez por Brigham Young? Durante a AC? Enquanto ele defendia a legalização da escravidão em Utah?
Referente a segunda parte: o movimento abolicionista nos EUA não nasceu nas igrejas protestantes do Norte? Em algum momento, depois da morte de Joseph Smith (em 1844), e a abolição (Proclamação de Emancipação assinada por Abraham Lincoln em 1863), defendeu a Igreja SUD o conceito de abolição da escravidão?
3) Sim, acho. Nós “combatemos a discriminação” toda vez que demonstramos desgosto e rejeição quando a vemos em nossos “quintais”, seja entre familiares, amigos, colegas de trabalho, correligionários, etc. O único jeito de afastar de Mórmons o opróbrio do passado racista é se opor publicamente ao racismo em geral, e ao racismo entre Mórmons. Inclusive, a própria Igreja publicamente denunciou os comentários racistas do professor da BYU Randy Bott, e indiretamente, de todos os Profetas e Apóstolos do passado que também deram voz a opiniões racistas no passado.
De um modo geral (com poucas exceções), as opiniões postadas aqui parecem um FESTIVAL DE PEDANTISMO, principalmente as do sr. Marcello Jun. Isso que o sr. Marcello está fazendo não é exatamente o que ele diz estar fazendo , ou seja, “estimulando a reflexão e debate” (conforme afirmou a respeito de um outro artigo). O que o sr. Marcello está fazendo não é estimular o exercício intelectual, do qual advém o debate. O que está a fazer é estimular a percepção negativa (puramente temporal) de uma doutrina que muito pouco – mas muito pouco mesmo – conhecemos. Quando alguns se manifestaram apresentando pontos específicos da doutrina, apontando principalmente suas “incoerências”, o fizeram de forma puramente racional. Creio ser necessária uma ponderação de fato, analisando os pesos e as medidas aplicadas. Parece-me que alguns pensam que as autoridades gerais são um tanto bestas, simplesmente escondendo ou não se manifestando sobre a doutrina apresentada por Bott (penso que este sr. não caiu no erro da falsidade, pois o que falou representa, dentro de um contexto, parte verdadeira de uma doutrina verdadeira, mas errou – e isso é muito comum àqueles que “se pensam” os possuidores e perpetuadores dos maiores conhecimentos do evangelho e, por conseguinte, sentem-se no direito ou obrigação de expor suas percepções – na forma como expôs, isto é, falou a coisa certa no local e hora errados. Em linguagem mais popular, o camarada “mijou fora do penico”). As autoridades gerais (e não atribuo a eles TODO o conhecimento) não expõem frequentemente tal doutrina por entenderem que ainda há muitas coisas a serem reveladas sobre isso. Quando alguém diz que pertenço a uma instituição racista, convido-o a visitar, na própria instituição, todos os amigos tão “coloridos” quanto eu e com os mesmos direitos que eu, tanto civis quanto religiosos. Arremato utilizando um dos pontos que o Elder Costa citou em uma conferência geral: “o profeta vivo é mais importante que um profeta morto”. O que o presidente Monson expõe sobre nossas relações com o próximo? Sr. Marcello, não creio que o sr. seja, pessoalmente, isso que o sr. representa ser através de sua escrita (agressiva, por ser escassa e limitada). Mas se for, será necessário repensar seus modos de exposição antitética, de embate e contraposição, procurando aprender mais com as colocações e até mesmo dúvidas alheias.
Apoiado companheiro.
Alex,
Como seu comentário foi breve, minha resposta será breve!
Ver abaixo (i.e. ao companheiro William).
William,
1) Eu fico feliz que você participe e comente os artigos desse site. Ele foi criado com a missão de servir como um fórum aberto para discussões variadas e debates francos sobre opiniões diversas a respeito do Mormonismo, e todas as vozes são bem-vindas.
O que não será bem-vindo, nunca, é desrespeito e falta de civilidade. Sendo assim, peço-lhe a gentileza, em futuras participações, de omitir quaisquer animosidades pessoais e impulsos para difamar, caluniar, ou mesmo criticar outras pessoas.
Com relação às ideias ou opiniões ou conclusões expressas aqui, fique à vontade para discordar, desmontar, destruir, descreditar, ou criticar qualquer uma delas.
2) Eu gostaria muito que, se possível, você re-formulasse seu comentário de uma maneira estruturalmente mais compreensível. Eu li e re-li o que você escreveu, mas tive dificuldades para compreender o que você estava realmente tentando dizer, mas por simples falta de uma redação coesa (ao invés de um conjunto de frases soltas e não concatenadas). Eis o que eu *acho* que você tentou dizer:
- A Igreja não é racista porque não há segregação racial hoje;
- Randy Bott falou a verdade, mas em lugar e em tempo e em fórum impróprio;
- Autoridades Gerais da Igreja não explicam os motivos da segregação racial do passado porque a) não sabem e esperam mais revelações, e/ou b) sabem mas não acham que os demais membros devam saber;
- O que importa não é o que os profetas disseram no passado, mas o que dizem hoje;
- Eu sou pedante, agressivo, racionalista, negativo, anti-debate, anti-intelectual, etc.
3) Se eu lhe entendi corretamente, permita-me algumas considerações. Caso o tenho compreendido errado, desculpe-me, e aguardarei elucidações para poder lhe responder adequadamente.
- Você leu no meu texto original acima que eu acho que a Igreja é racista hoje? Onde?
- Você acha que os comentários de Randy Bott, como citados acima, não são racista?
- Você tem alguma evidência que sugira que as Autoridades Gerais sabem hoje (ou souberam no passado) algo mais sobre a segregação racial (que nós hoje chamamos de Proibição ao Sacerdócio) do que já se discutiu em público? Qual? De onde?
- Você propõe que o passado seja irrelevante? Você acha que ele não afeta o presente? Você acha que o Randy Bott — na questão da Proibição — esta “em linha” com os líderes da Igreja do presente? Ou apenas com os líderes do passado? Ou com ambos?
- Você achou que o meu texto original acima não é próprio para incitar um debate a respeito do assunto. Por que? Que parte do texto lhe faz pensar que ele é pedante?
Admito que eu tenho um forte viés contra preconceitos e racismo, e isso claramente ficou óbvio no texto, mas eu achei que em nenhum momento fui derrogatório a pessoas ou instituições, mas sim ao problema em si (i.e. racismo).
Essas não são perguntas retóricas. Eu espero que tenha interesse em responde-las (ou corrigir a minha impressão inicial do seu comentário), e espero que tenho interesse em debater esse assunto que é, ainda, muito importante.
Sr.Marcelo vc pode me responder uma pergunta?O senhor acredita ainda na igreja,no Livro de Mormón ou em Joseph Smith?Tenho lutado com a minha fé desde que descobri muitas coisas desagradavéis sobre a igreja.
Eu gosto de ser mormón,mas tem sido tão díficil pra mim lutar com essas questões.O racismo me deixa triste,e ao saber que vários homens da igreja pregaram a sua opinião pessoal,e influenciaram o pensamento de várias pessoas.Eu só sinto que a igreja atual não é governada por Jesus Cristo,e que os homens que a dirigem não são profetas.Creio que eles são bons homens.
Idealizadores do site vocês podem me contar como foi a reação de vocês,ao descobrirem essas coisas horríveis na história da igreja e se vocês ainda conseguem acreditar na mesma e como vocês resolveram essas questões?Eu acredito que Joseph foi um profeta e no Livro de Mormón.
Espero que se possível vocês possam me ajudar nessas questões.Não tenho com quem conversar.
Mari,
vou tomar a liberdade de responder seu comentário. Esta é minha resposta e não estou falando em nome do Marcello ou nenhuma outra pessoa, que deve ter um entendimento diferente do meu, pelas suas experiências e crenças.
Há coisas erradas na Igreja sud? Na minha opinião, sim. E muitas. Dentre essas, eu destacaria o seguinte:
- muitas vezes opiniões são expressas na igreja como se fossem a verdade do evangelho. Por exemplo, um líder fala algo sobre política eleitoral e aquela opinião dele é tomada como doutrina;
- muitas vezes a tradição e influências culturais são tomadas como mandamentos. Por exemplo, usar camisa branca e gravata aos domingos é um mandamento;
- muitas vezes o conceito de livre-arbítrio é relativizado e se propõe uma fé cega, uma obediência cega, que prejudica tanto líderes quanto liderados.
Eu entendo tudo isso acima como erros, como distorções. Ao falar de distorções, estou querendo dizer que a coisa original não é desse jeito. Essa coisa original eu chamo de evangelho.
Distinguir a igreja (instituição com uma estrutura organizativa, líderes, chamados, procedimentos administrativos, orçamento) do evangelho (princípios, mandamentos, rituais) é importante para mim. Se eu não fizesse tal distinção, eu teria largado tudo o que acredito ao descobrir coisas feias na igreja.
Imagine um círculo grande com um círculo menor no centro. O círculo maior representa o evangelho; o menor , a igreja. A igreja é uma parte do evangelho. O evangelho é eterno, somos ensinados. Ou seja, ele existia antes de haver uma igreja. A igreja reúne em si elementos divinos e mortais, porque ela é de Jesus Cristo e dos santos dos últimos dias. Cristo é perfeito; mas os santos dos últimos dias são muito, muito imperfeitos, como acredito que já sabemos!
Eu acho a história mórmon fascinante. Algumas coisas que certas pessoas acham chocante ou prejudicial ao testemunho, eu acho belíssimo (por exemplo, “Joseph Smith era polígamo”). O racismo em particular foi a unica coisa que realmente achei feia, de inicio, e tive que pesquisar, elaborar opiniões. Muitas das opiniões que eu tive, hoje não me servem mais, foram descartadas. Esse, acredito, é outro “segredo” para progredirmos: seguir aprendendo, seguir em busca de conhecimento. E não apenas no sentido intelectual, mas também e especialmente espiritual.
O conselho de ler, ponderar, orar é tão válido a mim ou a você quanto é a um não-membro lendo passagens do Livro de Mórmon com os missionários. Quem sabe assim podemos descobrir por conta própria como é o verdadeiro evangelho e o que Joseph Smith tinha em mente com a Igreja? Quem sabe podemos descobrir como vencer essas frustrações e seguir um caminho que seja condizente com nossas crenças e “agradável aos olhos do Senhor”?
Muito obrigada pela sua resposta Antonio.Tenho tentado conciliar meu testemunho com essas coisas desagradavéis.Mas eu mesmo tempo que soube dessas coisas,aprendi algumas coisas que fortalecem a minha crença e vi várias coisas erradas,que antes eu não percebia.Em parte esse choque em descobrir certas coisas é em boa parte da igreja,nela você é ensinado de que um líder nunca vai te levar ao erro,a verdade é bem diferente. Aprendi realmente a buscar a verdade por mim mesma.
Tenho tentado compreender que esses líderes são humanos,e se eles erraram,basta a nós perdoar e seguir em frente.
Mari,
Assim como Antônio, só posso falar da minha experiência própria, mas eu gostaria também tomar a liberdade de responder a suas perguntas. Eu acredito que a igreja é inspirada e divina, mas ao mesmo tempo muito, muito humana–mas para mim, a humanidade da igreja e seus líderes fortalece o meu testemunho. Sei que na igreja a maioria falam de Joseph Smith e os seus sucessores como se fossem quase perfeitos, mas isso é uma parte tóxica da cultura, não da doutrina–é como o velho ditado, “O Vaticano ensina que o Papa é infalível, mas católicos não acreditam. A igreja SUD ensina que seus líderes não são infalíveis, mas os mórmons não acreditam.” Para mim, Joseph Smith realmente foi um profeta, mas um profeta muito, muito falível–e se Deus consegue agir através de Joseph Smith mesmo com a poliandria, ou Brigham Young mesmo com o racismo e as suas crenças “interessantes” sobre Adão e Deus, ou Bruce R. McConkie mesmo com sua atitude estrita e falta de empatia, isso quer dizer que os nossos Pais Celestiais talvez têm algum uso para um ser quebrantado como eu, também. Quero ser claro–eu não digo estas coisas para desculpar os líderes da igreja para seus erros que realmente tiveram consequências reais (no caso desta postagem, na vida dos membros negros da igreja). Acredito que eles vão ter que responder por estas consequências, assim como eu vou ter que responder para meus erros–mas a Expiação é suficientemente grande para incluir a eles, assim como a todos nós.
Mari,
Eu não tenho mais nada a acrescentar aos excelentes comentários do Antônio e do Rolf. Gostaria apenas de dizer duas coisas:
1) Religião, ao meu ver, é como relacionamentos amorosos. Ninguém além de nós mesmo pode saber se estamos apaixonados ou felizes, e o que é melhor para nós mesmos. Eu não gosto de me meter na vida sentimental dos outros, e acho que ninguém deveria…
2) Eu fico muito feliz de saber que você se sentiu bem por aqui. Eu gostaria que você soubesse que aqui no Vozes Mórmons, nunca nenhuma pergunta ou dúvida ou mesmo opinião divergente jamais será considerada inapropriada. O que você quiser discutir, estaremos abertos para discutir, e nos esforçaremos para responder com ponderação e ouvir todas as opiniões possíveis da nossa comunidade. Podemos não chegar a um consenso, mas haverá boas discussões e cada um tira para si o que quiser.
O evangelho de Jesus Cristo, é um evangelho de amor, liberdade, tolerância e sacrifícios. Não acredito serem verdadeiras, todas alegações citadas acima. Por vários motivos simples. É inconcebível ! Que pessoas como Joseph, Brigan young e outros… fossem tolerantes ao racismo, pois isso desqualificaria a igreja Mormom como verdadeira de imediato e destruiria toda crença. Como semi-antimormon que sempre fui! Pesquisei muito, e nunca encontrei uma contradição na telogia mormom que fosse em desacordo com a doutrina ensinada por Cristo. Sendo assim, eu fiz uma oração ao SENHOR e perguntei a verdade sobre essas coisas, senti uma resposta e irei compartilhar:
-”É verdade que a igreja (cristo) assumiu escravos. Pois, pense, seria uma forma de protege-los. Se você vivesse no mundo antigo, vamos supor na alemanhã nazista e você fosse um pastor de uma igreja e pessoas ricas do mundo te oferecerem escravos judeus, você por inteligência não os aceitaria para poder mante-los em segurança? Foi exatamente isso que a igreja (cristo) e alguns de seus lideres o fizeram”.
-”Nem toda a carta, livro, discurso que foi escrito, so porque o foi no passado justifica ser verdadeiro. Existiam pessoas falando demais e persguindo a igreja Mormon nunca esqueça disso!”.
-”Se você não sabe a verdade de alguma coisa, não cite a mentira ou a dúvida”.
Sinto que é demasiado tarde avisar… mas este blog está levando pessoas simples e humildes a abandonarem a igreja! AFASTAREN-SE DA VERDADE!
Isto só está servindo como instrumento de dúvida e destruição!
Por favor irmãos tomem um pingo de decência se ainda lhes resta… e acabem com isso…
Quantas irmãos teremos que perder mais? somente para satisfazer nosso EGO?
Não posso falar mais porque as lagrimas não me deixam …. sei o que é sofrimento! Ah disto sei… e não desejo perder os irmãos para não os telo na exaltação.
Rogo por vocês! PAREM COM ISSO!
Anon,
eu não sei exatamente o que o leva a imaginar que ” este blog está levando pessoas simples e humildes a abandonarem a igreja” e que ele “está servindo como instrumento de dúvida e destruição”. Acredito que há um público que se beneficia deste conteúdo e que deseja discutir a cultura e religiosidade sud de forma aberta e franca.
Este blog não é contra a fé de ninguém, sud ou não. Ao tratar de um tema como racismo, por ex., estamos na verdade fazendo um grande bem, acredito, aos membros da Igreja.
É muito forte o mito de que as pessoas se afastam da Igreja por algo que leram na internet. Esse mito também se relaciona ao sentimento paternalista e censor de querer “proteger” as pessoas de certas informações.
Em primeiro lugar, devemos reconhecer que a grande maioria de membros que usam a internet não tem o menor interesse no conteúdo deste blog, já que não temos aqui nenhum joguinho online. Em segundo lugar, dado o conteúdo deste site, para considerá-lo nocivo, há que considerar a informação histórica, a existência de diferentes opiniões como algo nocivo. Bom, nesse caso, estamos nos opondo ao conhecimento e ao exercício do livre-arbítrio.
“Não acredito serem verdadeiras, todas alegações citadas acima. Por vários motivos simples. É inconcebível ! Que pessoas como Joseph, Brigan young e outros… fossem tolerantes ao racismo”
Joseph Smith era ambíguo, ora com comentários racistas, ora progressistas. Brigham Young me parece haver sido bem mais claro na questão racial:
“O primeiro homem a cometer o crime hediondo de matar um de seus irmãos seria amaldiçoado por mais tempo que qualquer dos filhos de Adão. Caim matou seu irmão. Caim poderia ter sido assassinado, e isso haveria terminado com essa linhagem de seres humanos. Não era pra acontecer, e o Senhor pos uma marca nele, que fora o nariz achatado e a pele negra. Rastreie a humanidade após o Dilúvio, e outra maldição é imposta à esta mesma raça – que serão escravos dos escravos; e assim serão até que a maldição seja removida; e os abolicionistas não podem ajudar, e nem seque alterar esse Decreto. Quanto tempo deverá essa raça aturar essa horrível maldição? A maldição perdurará sobre eles, e eles nunca poderão receber o Sacerdócio ou compartilhar dele até que todos os outros descendentes de Adão tenham recebido as promessas e gozado das bençãos do Sacerdócio, e de suas chaves. Até que o último dos últimos dos filhos de Adão seja exaltado à esta posição favorável, os filhos de Caim não poderão receber nem as primeiras ordenanças do Sacerdócio. Eles foram os primeiros a serem amaldiçoados, e eles serão os últimos de quem a maldição será removida. Quanto o resto da família de Adão subir e receber suas bençãos, então a maldição será removida da semente de Caim, e então receberão suas bençãos proporcionalmente.” — Brigham Young, em Conferência Geral, 09 de Outubro de 1859 (Journal of Discourses 7:290-291).
E não esqueçamos que foi Brigham Young quem introduziu a legalização de escravidão na constituição do Território de Utah:
“É uma grande benção para a semente de Adão poder ter a semente de Caim como escravos, porém os seus mestres devem usa-los com coração e sentimento, assim como usariam seus filhos, … e trata-los bem e com um sentimento humanitário como para qualquer outro ser mortal da espécie humana. Nestas circunstâncias , as bençãos [dos escravos] é maior, proporcionalmente, do que daqueles que lhes devem proporcionar pão e jantar.” — Brigham Young, em Assembleia Legislativa de Utah, 5 de Fevereiro de 1852 (Brigham Young Addresses, Msd1234, B48, F3).
Agora, o argumento que Deus deixou alguns povos escravizar outros povos para a protege-los é simplesmente repugnante. Escravidão é imoral. Ponto.
Marcelo, realmente a escravidão é imoral. Mas lembro que a moral é relativa, varia de lugar e de época. Porém, acredito numa lei dos céus que é imutável.
Quanto ao suposto racismo, acredito que negar o sacerdócio aos negros, em certa época, é apenas a expressão da justiça substantiva, ou seja, tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual. Esta desigualdade não é apenas contra os negros, mas também contra os brancos, vejamos: Foi negado o sacerdócio para os homens brancos na idade média e moderna; acho (não tenho conhecimento doutrinário suficiente) que foi negado o sacerdócio a todos os homens da idade antiga que não fossem descendentes de Jacó. O próprio Cristo disse que veio para os israelitas e que os demais povos deveriam se contentar com as migalhas (parece que não estou enganado).
Hoje se trata os afrodescendentes de forma desigual, com o sistema de quotas, e isso não é racismo. Por isso negar o sacerdócio a um grupo de pessoas em certa época não acho que é expressão de racismo, mas expressão de justiça que reconhece fatos da pré-existência ainda desconhecidos para nós.
“Mas lembro que a moral é relativa, varia de lugar e de época. Porém, acredito numa lei dos céus que é imutável.”
Dan, afinal, moral é “relativa” ou é “imutåvel”?
A moral é relativa, é criada pelos homens e depende da cultura do lugar; geralmente é uma norma não escrita e sem poder de coação; não há consequências para o seu descumprimento. Os homens ficam sujeito a esta lei apenas em sua própria consciência. Essa definição de moral não é minha; Hans Kelsen e outros escreveram a respeito deste tema.
Acredito que existe uma lei nos céus, provavelmente escrita, que possui existência eterna antes mesmo de Deus (o Senhor se sujeitou a esta lei para se tornar perfeito). Esta lei tem poder coercitivo no sentido de que há consequências pelo seu cumprimento ou descumprimento. Às vezes denominamos esta lei de ‘Justiça’, às vezes de ‘Evangelho’.
Desculpe, Dan, mas eu acho que eu não fui claro na minha pergunta.
Você diz que “moral é relativa” e, logo em seguida, diz que “existe uma lei nos céus… que possui existência eterna”. Você não vê isso como contraditório?
Essa “lei eterna” não estabelece princípios de certo e errado? O que é permitido e que não é? Ela não estabelece o que é moral e o que é imoral? Se ela estabelece certo e errado, permissível e não permissível, moral e imoral, e ela é eterna e imutável, então não há como dizer que moral é relativa, finita, e mutável. Se ela não estabelece esses parâmetros, e moral é realmente relativa, então pra que existe tal “lei eterna”?
Marcelo, para deixar mais claro vou te dar alguns exemplos. No Brasil há cem anos era imoral o uso de biquini, hoje não. Na Índia é moral a sociedade ser dividida em castas, no mundo ocidental é imoral. A moral tem por base a cultura, os costumes do lugar, o senso comum. Tudo isso nada tem haver com a lei dos céus.
O certo e o errado também é relativo; depende de que lei tu quer viver. O que é certo na lei teleste pode não ser certo na lei celeste.
Na Igreja se explica parte da lei do reino celeste, mas o Senhor permite tu escolher a lei de outro reino, é bem democrático.
Não sei todas as razões porque existe leis nos céus, mas com certeza elas não são um fim em si mesmas; elas nos ensinam sobre a natureza do lugar de onde elas vigoram.
No meu entender, palavras escritas geralmente podem ser entendidas de forma equivocadas, ainrda mais se forem colocadas fora do contexto verdadeiro, que por fim pode acabar virando um pretexto, (mal intencionado).
Eu pessoalemnte, sempre ouvi ataques à Igreja, mas nunca tomei como verdade as bobagens que falam.
Confesso que me incomoda duas coisas:
!- Quem ouve uma difamação, seja ela uma ataque às doutrinas da igreja, ao profeta, seja la o que for, deveria buscar investigar e saber e tirar suas conclusões, e como o irmão acima disse, acima de tudo, buscar orientação do alto.
2- Por outro lado, sempre me incomodou também, do porque não há na Igreja uma “preocupação” em esclarecer principalmente os neófitos sobre eventuais distorções de fatos, ensinos de doutrina da Igreja, e por ai vai..?
Convem dizer, que muita gente simples, ouve bobagens que fulano, cicrano disse (de mal) sobre a Igreja, e por conta de sua simplicidade e ingenuidade acaba acreditando e por fim, se afastando.
Sinceramente, eu só queria neste momento depois de ler tudo isso, ter uma máquina do tempo para voltar e conhecer pessoalmente que tipo de homem era Joseph Smith, Brigham Young e outros, para ver o que realmente passaram e como eles agiram diante de certas situações e o real motivo que tomaram certas decisões sem que alguém tentasse me dizer eles fizeram isso ou aquilo.Esse é o meu primeiro pensamento, um impulso. Mas me permito querer ser como Néfi quando quis por ele próprio conhecer as coisas que seu pai Leí conhecia (viu),então lhe foi permitido conhecer condescendência de Deus, para mim responde muitas perguntas alivia minha alma, acredito que cada pessoa deve ter sua escritura, pensamento que lhe responde as dúvidas, sei que jamais terei conhecimento completo das coisas que acontecem nesse mundo ( não estou dizendo para não procurar conhecimento), mas sei que o mais importante para mim é:
1º Saber quem eu sou.
2º Saber quem é Deus.
3º Conhecer a Cristo, meu Salvador.
Sei que isso não diz muito a respeito de racismo na BYU, mas foi o que eu senti que deveria expressar depois de ler tudo o que eu li.
Agradeço o seu belo comentário, Adriana, e concordo com suas palavras. Também em muitos momentos queria ter essa máquina e visitar o passado. Alguns de nós acreditam que a revelação também pode nos dar conhecimento sobre as coisas passadas. Eu me pergunto se não poderíamos confiar mais na revelação e na nossa capacidade de obtê-la.
Abraço!
Eu creio que é saudavel debater esses temas espinhosos na internet.Principalmente por um site de pessoas que são membros da igreja.O comentário da Adriana realmente explana o que eu sinto apesar de algumas dúvidas.Tenho certeza da resposta que recebi,sobre Livro de Mormón e sobre Joseph Smith.E isso já basta.
Quanto aos membros que se afastam por esses motivos como por exemplo racismo,maçonaria etc.Deveriam buscar conhecimento de todas as formas possíveis,mas muitos deles se conformam com a versão antimormón dos fatos.O que é triste porque na igreja Sud nós aprendemos a ter um relacionamento pessoal com Deus e muitas dessas pessoas são tão felizes em ser da igreja,e simplesmente ficam sem nenhuma esperança.
Mari,
Obrigado pelo seu comentário. Eu gostaria de lhe fazer duas perguntas, sim?
1) “Deveriam buscar conhecimento de todas as formas possíveis, mas muitos deles se conformam com a versão antimormón dos fatos.”
Do que você esta falando, exatamente? Quais são os fatos que incomodam alguns membros que são apenas “versão anti-mórmon dos fatos”? Eu pergunto por que eu realmente não conheço nenhum desses, e gostaria de escrever um post dedicado a qualquer um deles, do tipo “mythbuster”!
2) “O que é triste porque na igreja Sud nós aprendemos a ter um relacionamento pessoal com Deus e muitas dessas pessoas são tão felizes em ser da igreja, e simplesmente ficam sem nenhuma esperança.”
Eu concordo com você plenamente: se alguém esta feliz em ser da Igreja, não vejo motivo pra sairem.
Dito isso, eu pessoalmente não conheço ninguém que saia da Igreja e fique “sem nenhuma esperança”, assim como não conheço ninguém que saia da Igreja sem sentir algum tipo de tensão psicológica (e.g. dissonância cognitiva) antes, e tampouco conheço alguma outra igreja Cristã (hoje-em-dia) que *não* ensine seus congregantes a buscar “um relacionamento pessoal com Deus”. Você poderia especificar ou exemplificar do que você estava falando aqui?
Aliás, essa estória de “relacionamento pessoal” me lembrou uma estória interessante do Bruce McConkie que ilustra bem como isso é um conceito razoavelmente novo, mas ficará para um post mais longo…
O que eu vejo pela leitura que eu já fiz de alguns sites anti mormóns é que eles contam meias verdades.Sim algumas coisas que eles dizem são verdadeiras,mas eles não contam tudo, não colocam em consideração o contexto histórico.Por exemplo eles dizem Joseph Smith foi um pedófilo,mas naquela época era normal se casar com meninas adolescentes,hoje não é.Sobre o Oliver Cowdery que disse em uma ocasião que estava envergonhado com a sua ligação com o mormonismo,ele nunca falou que o Livro de Mormón era falso,mas os antimormóns usam isso para provar que Oliver negou o testemunho dele.Dizem que Martins Harris participou de várias religiões depois de sair do mormonismo,mas não contam que ele continou pregando a divindade do Livro de Mormón nessas outras religiões.
E sobre o relacionamento pessoal com Deus,é o ensinamento de revelação pessoal sobre o Livro de Mormón e outras doutrinas.Não vejo nenhuma outra igreja ensinando isso.
Digo sem esperança porque a pessoa via acreditava que a igreja era verdadeira,e ela ensina três coisas. De onde eu vim?Pra onde eu vou? E o que eu estou fazendo aqui?
Se uma pessoa perde o testemunho eu creio que sim por um momento ela fica sem esperança,e algumas perdem a fé em Deus.Mas claro que isso é temporário e depois elas conseguem viver de uma maneira que as agrada.
Mari,
Eu achei que você estaria errada com relação a questão de casamento com adolescentes, mas eu fiz um levantamento (rápido e superficial), e encontrei evidências preliminares que sugerem que você esta correta nessa asserção. Dê uma olhada no post: http://vozesmormons.com.br/2012/03/18/mitos-populares-mormons/ (Vá ao #6!)
Abraços.
Obrigado pela resposta, Mari. Muito interessante, a sua lista.
“sites anti mormóns é que eles contam meias verdades.”
Hmmm. Eu concordo que meia-verdades são sempre perigosas, e por isso eu sempre gosto de abordar todos os assuntos por vários lados diferentes. Nesses casos aqui, o que você pensaria se descobrisse:
1) “naquela época era normal se casar com meninas adolescentes,hoje não é.”
Que naquela época, nos Estados Unidos, a idade de casamento para mulheres era mais ou menos similar a hoje, e que casar-se com meninas de 14, 15, 16, ou mesmo 17 anos era tão escandaloso como hoje?
2) “os antimormóns usam isso para provar que Oliver negou o testemunho dele. Dizem que Martins Harris participou de várias religiões depois de sair do mormonismo,mas não contam que ele continou pregando a divindade do Livro de Mormón nessas outras religiões.”
Que Cowdery e Harris ambos negaram o Livro de Mórmon, depois voltaram a abraça-lo, e tiveram várias idas-e-vindas durante suas vidas?
3) “E sobre o relacionamento pessoal com Deus, é o ensinamento de revelação pessoal sobre o Livro de Mormón e outras doutrinas. Não vejo nenhuma outra igreja ensinando isso.”
Que praticamente todas as Cristãs ensinam isso, que a Igreja SUD ensinava isso mas depois passou uma época desincentivando isso, e só mais tarde voltou a incentivar isso?
4) “De onde eu vim? Pra onde eu vou? E o que eu estou fazendo aqui?”
Que quase todas as religiões, e certamente todas as Cristãs, e ainda a maioria das filosofias seculares, abordam essas perguntas e tem suas próprias respostas para elas?
5) “Se uma pessoa perde o testemunho eu creio que sim por um momento ela fica sem esperança,e algumas perdem a fé em Deus. Mas claro que isso é temporário e depois elas conseguem viver de uma maneira que as agrada.”
Que a maioria dos ex-Mórmons vive mais feliz que quando eram Mórmons? Pelo o que se vê na vida, e o que se lê na literatura, as pessoas saem por que não estão felizes dentro da Igreja, e vão buscar os rumos-de-vida que lhes melhor serve, e por isso ficam mais felizes e centrados? [Tenha em mente que essa não é uma comparação entre Mórmons e ex-Mórmons, mas sim entre as pessoas que deixam a Igreja antes e depois de deixa-la.]
Certamente há muito o que se discutir com esses assuntos, que são bem mais complexos e nuanceados que exposto em uma ou duas frases. Há algum desses temas que você gostaria de ler com maior detalhe e debater mais afundo? Há algum outro específico que preferiria ver abordado antes?
Não possuo muitos preconceitos, mas contra burrice pseudo-intelectual eu tenho ao extremo (entender que o preconceito não é contra o burro, mas a ação da burrice). ONDE ESTÁ EXPLANADO NA TEOLOGIA MÓRMON QUE HÁ INFERNO PARA OS SERES HUMANOS POSSUIDORES DE CORPOS FÍSICO? (ainda vai aparecer alguém aqui comentado, se não foi para o reino celestial, foi condenado, e logo é comparável ao inferno. E esse mesmo que distorce a doutrina esquece que o REINO TELESTIAL É UM ESTADO DE SALVAÇÃO!)
Sou negro, mórmon, e pouco me importo para a questão do sacerdócio ser dada a um e negada a outro devido os erros de seus pais. Quem vai ter que explicar isso direitinho é Deus, vamos estar frente a frente um dia.
Fabiano,
Obrigado pelo seu comentário. Considere, por favor, algumas colocações:
1) Da próxima vez que postar um comentário, por favor pense antes em Mateus 5:22 que (ironicamente pra nós aqui) diz: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão… Tolo, será réu do fogo do inferno.”
Nós queremos ouvir as vozes e as opiniões de todos aqui, mas este não é um lugar para insultos pessoais e falta de respeito com outros, mesmo que estejam errados, e mesmo que sejam racistas.
Pode até ser que, em conversa informal numa pizzaria, eu concordasse com a sua colocação de “burrice”, mas num fórum de debate aberto epítetos assim não tem lugar.
2) Da próxima vez que postar um comentário, por favor leia antes os textos com cuidado. Se você prestar melhor atenção, verá que o Randy Bott esta fazendo uma alusão aos Filhos da Perdição. Corretamente ou não para o seu argumento — e que fique registrado que eu acho que o seu argumento esta completamente errado — ele parece estar dizendo que os Negros não estavam prontos para receber o Sacerdócio e por isso poderiam se expor a tornar-se “filhos da perdição”.
Se você esta familiarizado com o conceito teológico acima, e principalmente a história de sua evolução, saberá que é um têrmo com várias iterações e definições com o passar do tempo, mas usualmente associado ao inferno (i.e. nenhum estado salvífico), a pessoas ressurretas (i.e. com corpos físicos), e para alguns Apóstolos, Profetas, e teólogos, restrito a portadores do Sacerdócio (em maior ou menor grau). O que completamente contradiz a sua reclamação acima.
E, caso não tenho ficado claro o suficiente no texto original e na resposta acima, que se registre que esta é a opinião do Randy Bott, e não minha ou de qualquer outro moderador do blog.
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Somente um comentário…
Marcelo Jun, concordo com tudo que falou, exceto por um ponto:
“A Igreja poderia, sim, proibir a escravidão Negra no Território de Utah. Ela escolheu (via Brigham Young) legaliza-la. Inclusive, a Igreja poderia ter escolhido ajudar a eliminar a leis de segregação racial durante o século 20, mas escolheu (via alguns Apóstolos e alguns Profetas) apoia-las, décadas a fio”.
Utah era um território na época de Brigham Young. A grande diferença entre um território e um estado é que aquele não possui autonomia política, somente administrativa. A escravidão em Utah era regida por leis federais, não poderia ser suplantadas por leis estaduais, uma vez que Utah não possuía esta autonomia.
Att.
Marcelo, obrigado pelo comentário. Mas, infelizmente, você esta errado.
O Compromisso de 1850, passado pelo Congresso Federal para evitar a secessão dos estados do Sul, autorizou novos estados e territórios acima do paralelo 35 decidir por si se iriam legalizar ou não Escravidão Negra.
A Assembleia Constituinte do estado de Deseret, e depois que o pedido de Estado foi negado, a Assembleia Constituinte do Território de Utah, decidiram por si, sob instruções explícitas de Brigham Young, legalizar a Escravidão.
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ai, pessoal – todos os argumentos historicos estão corretos. não biblicos.
temos um religião mais próxima de Deus do que a Sud?
O que eu sei que esta e a Igreja de Cristo na terra e que se nao orar perguntando a Deus o porque deste fatos que aconteceram esse conversa vai continuar a crescer a nao vai levar em nada, pois eu orei a Deus e perguntei e se no comeco da igreja ouve um fato deste foi por um proposito do Senhor que nos ainda nao entendemos, mas logo teremos mais luz para entender os principios e doutrinas que muita das vezes nos deixa confusso. Sei que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias e a igreja de Cristo restaurada na terra e que podemos saber desta verdade, basta perguntar a Deus e ele ira responder! Meu testemunho deixo pra voces!
Ulisses, eu tenho uma pergunta pra você.
O seu raciocínio segue, resumidamente, essa linha:
1) “Se nao orar perguntando a Deus o porque deste fatos que aconteceram…”
2) “…essa conversa vai continuar a crescer a nao vai levar em nada…”
3) “…pois eu orei a Deus e perguntei…”
4) “…foi por um proposito do Senhor que nos ainda nao entendemos…”
Em outras palavras:
1) Se você não orar pra saber sobre esses fatos…
2) … você nunca vai entender;
3) Eu orei e perguntei…
4) … eu não entendi, mas por que Deus não quer que eu entenda agora.
Então, a minha pergunta: você não vê circularidade ou inutilidade nesse raciocínio?
Missão, temos uma Política de Comentários que governa quando um comentário é moderado. Segue a política, e seu comentário será aceito.
Mas devo lhe dizer que quando você diz “o lado covarde desses falsos religiosos” ´você não respeita os outros e seu comentário pode ser tirado. Respeita os outros e nós aceitaremos seus comentários.
O racismo sempre esteve presente na doutrina mórmon, já escrevi em outros fóruns sobre o assunto,sei que esse assunto é como uma espinha de peixe na garganta de um mórmon,pois não tem como apagar o que foi dito e escritos pelos “profetas” dessa organização. O tempo passou,a senzala espiritual do mormonismo foi aberta,mas nada do que foi dito em relação aos negros foi jamais negado,muito peloa contrário a doutrina racista contunua bem viva do seio do clero mórmon.
Missão
Esse professor não é o único que pensa assim. Me perdoem qualquer coisa, mas eu preciso contar uma história que aconteceu comigo recentemente:
Recentemente eu fui expulso de um grupo fechado de mórmons no Facebook, por ir contra à argumentos parecidos com os desse professor. Confesso que fiquei indignado com tudo aquilo, mas não desrespeitei ninguém, eu somente estava expressando minha opinião (um pouco agressiva para eles por opinar que a igreja e o profeta Brhigam Young errou gravemente contra os negros), e quando eu mal percebi, fui excomungado do grupo. Me senti desolado. Disseram-me que eu estava indo contra os ensinamentos da igreja e que isso me levaria à apostasia. Na verdade eu estava indo contra: (1) a proibição do sacerdócio, (2) a proibição do casamento inter-racial, (3) o sofrimento do povo africano ser devido a fraqueza espiritual dos mesmos na vida pré-mortal, (4) a marca de Caim ser a pele negra (5) a maldição de Caim e Cam ter caído sobre os negros e tudo mais. Fiquei muito chateado ao ouvir tudo isso e principalmente por pessoas que comungam da mesma fé.
Infelizmente eles não perceberam que aquelas palavras me ofendiam pessoalmente e que eu não poderia aceitar aquilo, e que eu teria o direito de me defender. Mas não deixaram, e o pior de tudo isso, é que eles ainda pensam que estão certos !!! Eles vão ensinar isso a seus filhos, parentes e amigos !!! Eles vão fazer blogs com esses ensinamentos e acredite se quiser, fizeram !!! Agora eu pergunto: Que impressão e que imagem essas pessoas vão passar da igreja para à saciedade em geral referente aos negros ??? Lamentável !!!
JOSIAS 21/01/2013
Marcello,a igreja Mórmon é perfeita em sua doutrina e tem mudado para melhor a vida de muitas pessoas.Discordo do fato de que estes comentários “negativos”afastem os membros da igreja.Ao contrário,pois já vi muitas pessoas que após ouvirem tais comentários sobre o racismo,resolveram visitar uma das igrejas e descobriram que é mentira e isso serviu como algo positivo p/ sua filiação à igreja….Obrigado Marcello! vc está ajudando a igreja a crescer.
O Marcello é fascinado por história,eu a acho fantástica,embora tenha lido pouco a seu respeito,acredito que essa questão de negros e escravidão, seria melhor explicada se pudéssemos aqui remontar as origens deste povo,um pouco do inicío,da história,por quais motivos eles e não os brancos foram escravizados em massa?,por qual motivo eles foram “marginalizados” e os brancos ficaram em evidência no mundo?,desculpem a minha ignorância – (Esclareço que não sou racista,minha esposa é negra e a amo profundamente,somos selados para o tempo e a eternidade,se é que isto serve de atestado para o meu não-racismo) e das pesquisas e descobertas que tanto contribuiram para o desenvolvimento da humanidade, o que falar deles neste aspecto? Mais uma vez saliento que sou ignorante ao assunto, e não quero que me compreendam mal, por isso explico o propósito desta sugestão: Se houvesse alguém neste sítio capaz de nos ILUMINAR sobre este assunto,TALVEZ pudéssemos criar um paralelo melhor,entre a história da raça negra, a religião como um todo e sua relação com os negros e o mormonismo.
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Em minha opinião tardia em relação ao tema, gostaria apenas de dizer que a doutrina oficial da igreja em parte de suas obras padrão (textos sagrados) mantém o ensinamento do princípio doutrinário exposto por Randy Bott na Universidade de Brigham Young. Ele como membro da igreja, apenas repetiu o que aprende como doutrina. Poderia mencionar algumas citações de líderes da igreja confirmando ou reafirmando tal doutrina, porém gostaria apenas de citar algumas passagens dos livros que compõem a Canon ou obras padrão da igreja. Livros que cada membro da igreja não só estuda em classes a cada ano (em um período de quatro anos, alternados, pois são quatro livros) na escola dominical, como por exemplo, a classe: DOUTRINA DO EVANGELHO. Ao abrir nossas pastas ou bolsas na escola dominical para estudar doutrina oficial da igreja, lemos e aprendemos (Referências: http://scriptures.lds.org/pt/contents):
No livro de Abraão em Pérola de Grande Valor que, a descendência de uma mulher filha de Egitus e Cão, filho de Noé, mulher que primeiramente descobriu a terra do Egito e deu origem ao povo egípcio que nasceu dos lombos de Cão, raça que conservou não só o sangue dos cananeus, mas também a maldição naquela região.
Pérola de Grande Valor – Livro de Abraão.
Capítulo 1.
21 Ora, esse rei do Egito descendia dos lombos de Cão e, por nascimento, era participante do sangue dos cananeus.
22 Dessa descendência nasceram todos os egípcios e assim se conservou o sangue dos cananeus na terra.
23 A terra do Egito sendo, primeiramente, descoberta por uma mulher, que era filha de Cão e filha de Egitus que, em caldeu, significa Egito e quer dizer aquilo que é proibido;
24 Quando essa mulher descobriu a terra, a terra estava debaixo da água; posteriormente estabeleceu seus filhos nela; e assim nasceu de Cão a raça que conservou a maldição naquela região.
25 Ora, o primeiro governo do Egito foi estabelecido pelo Faraó, filho mais velho de Egitus, filha de Cão, e foi à semelhança do governo de Cão, que era patriarcal.
26 O Faraó, sendo um homem justo, estabeleceu seu reino e julgou seu povo sábia e justamente todos os seus dias, procurando sinceramente imitar a ordem estabelecida pelos pais nas primeiras gerações, nos dias do primeiro reinado patriarcal, sim, no reinado de Adão e também de Noé, seu pai, que o abençoou com as bençãos da terra e com as bênçãos da sabedoria, mas amaldiçoou-o com respeito ao Sacerdócio.
27 Sendo o Faraó dessa linhagem pela qual ele não tinha direito ao sacerdócio, embora os Faraós o reivindicassem por sua descendência de Noé através de Cão; assim meu pai foi desviado pela idolatria deles;
Em Seleções do Livro de Moisés, que Enoque naquela época não chamou ao arrependimento o povo de Canaã (povo de cor negra).
Pérola de Grande Valor – Seleções do Livro de Moisés.
Capítulo 5.
40 E eu, o Senhor, disse-lhe: Qualquer que te matar, sete vezes sofrerá vingança. E eu, o Senhor, pus um sinal em Caim, para que não o matasse qualquer que o achasse.
41 E Caim foi banido da presença do Senhor e, com sua mulher e muitos de seus irmãos, habitou a terra de Node, a leste do Éden.
Capítulo 7.
6 E o Senhor tornou a dizer-me: Olha; e olhei para o norte e vi o povo de Canaã, que habitava em tendas.
7 E o Senhor disse-me: Profetiza; e eu profetizei, dizendo: Eis que o povo de Canaã, que é numeroso, irá batalhar contra o povo de Sum e matá-los-á até destruí-los por completo; e o povo de Canaã dividir-se-á na terra e a terra será estéril e infecunda; e nenhum outro povo viverá ali, a não ser o povo de Canaã;
8 Pois eis que o Senhor amaldiçoará a terra com muito calor e a sua esterilidade continuará para sempre; e uma cor negra desceu sobre todos os filhos de Canaã, de modo que foram desprezados entre todos os povos.
9 E aconteceu que o Senhor me disse: Olha; e olhei e vi a terra de Saron e a terra de Enoque e a terra de Ômner e a terra de Heni e a terra de Sem e a terra de Haner e a terra de Hananias e os habitantes de todas elas;
10 E o Senhor disse-me: Dirige-te a esse povo e dize-lhes que se arrependam, para que eu não venha e os açoite com uma maldição e eles pereçam.
11 E ele me deu um mandamento de que eu batizasse em nome do Pai e do Filho, que é cheio de graça e verdade, e do Espírito Santo, que presta testemunho do Pai e do Filho.
12 E aconteceu que Enoque continuou a chamar todo o povo, com exceção do povo de Canaã, ao arrependimento;
21 E aconteceu que o Senhor mostrou a Enoque todos os habitantes da Terra; e ele olhou e eis que Sião, com o correr do tempo, foi arrebatada ao céu. E o Senhor disse a Enoque: Eis minha morada para sempre.
22 E Enoque também viu os remanescentes do povo que eram os filhos de Adão; e eram uma mistura de toda a semente de Adão, exceto a de Caim, pois a semente de Caim era negra e não tinha lugar entre eles.
A meu ver esses são princípios racistas e preconceituosos, que integram e não é possível dissociar da teologia SUD, é sim doutrina oficial, que em contrapartida produzem pensamentos ou opiniões como a de Randy Bott, na realidade Randy Bott é a igreja em sua consciência, por dentro, em seu interior.
Fato curioso é que apesar de lermos no Livro de Mórmon, em 2 Nefi 26:33: “Pois nenhuma destas iniquidades vem do Senhor, porque ele faz o que é bom para os filhos dos homens; e não faz coisa alguma que não seja clara para os filhos dos homens; e convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios”. O mesmo Livro de Mórmon, obra padrão e sagrado, replica o preconceito racial, agora não contra os negros e sim contra os ameríndios. Não com a maldição da pele negra e sim com a maldição da pele escura.
O Livro de Mórmon – 2 Néfi.
Capítulo 5.
20 A palavra do Senhor portanto foi cumprida quando me falou, dizendo: Se deixarem de dar ouvidos a tuas palavras, serão afastados da presença do Senhor. E eis que foram afastados de sua presença.
21 E ele fez cair a maldição sobre eles, sim, uma dolorosa maldição, por causa de sua iniqüidade. Pois eis que haviam endurecido o coração contra ele de tal modo que se tornaram como uma pedra; e como eram brancos, notavelmente formosos e agradáveis, a fim de que não fossem atraentes para meu povo o Senhor Deus fez com que sua pele se tornasse escura.
22 E assim diz o Senhor Deus: Eu farei com que sejam repugnantes a teu povo, a menos que se arrependam de suas iniqüidades.
23 E amaldiçoada será a semente daquele que se misturar com a semente deles; porque será amaldiçoada com igual maldição. E o Senhor assim disse e assim foi.
Livro de Alma – Filho de Alma.
Capítulo 3.
6 E a pele dos lamanitas era escura, por causa do sinal que havia sido posto em seus pais como um anátema pela transgressão e rebeldia deles contra seus irmãos, que eram Néfi, Jacó e José e Sam, que foram homens justos e santos.
7 E os irmãos procuraram destruí-los, sendo portanto amaldiçoados; e o Senhor pôs-lhes uma marca, sim, em Lamã e Lemuel e também nos filhos de Ismael e nas mulheres ismaelitas.
8 E isto foi feito para que sua semente pudesse ser distinguida da semente de seus irmãos, para que assim o Senhor Deus preservasse seu povo, a fim de que não se misturasse nem acreditasse em tradições incorretas que causariam sua destruição.
9 E aconteceu que aqueles que misturaram sua semente com a dos lamanitas fizeram recair sobre sua descendência igual maldição.
10 Portanto, os que se deixaram levar pelos lamanitas foram chamados por esse nome e foi-lhes posto um sinal.
Podemos chegar à igreja e vermos todos congregados, brancos, negros, índios, etc, em uma adequada condição do “politicamente correto”, onde tudo parece normal, onde todos são iguais, porém em nossas pastas e bolsas conduzimos escrituras que dizem, ainda hoje, o contrário. E em nossas mentes temos o princípio doutrinário, o arquétipo para agirmos ou na melhor das hipóteses pensarmos como Randy Bott.
Como minha crença religiosa é outra, não me cabe discutir os dogmas da sua Igreja. Mas certamente posso elogiar sua coragem e lucidez em discutir as questões mais delicadas dela. Macelo Jun e Antonio Trevisan Teixeira, parabéns pela coragem e pelos textos brilhantes.
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Amigos ou talvez nao pois sou ariano a palavra em questao deixa uma questao racismo